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Piscatêxtil faz novas apostas

A produtora de têxteis-lar de Guimarães está a investir numa nova marca para vender apenas no canal online. O projeto, ainda a dar os primeiros passos, junta-se à vertente mais ecológica assumida na última coleção da Piscatêxtil, que exporta praticamente toda a produção para os quatro cantos do mundo.

A Piscatêxtil está a criar uma nova marca própria para comércio eletrónico. O projeto, ainda «embrionário», segundo o administrador Décio Costa, tem sido testado em termos de produtos e fotografias e «será tudo para vendas online», revela ao Portugal Têxtil. «O futuro vai passar muito pelo comércio eletrónico», admite.

Esta nova insígnia irá juntar-se à marca epónima Piscatêxtil, que representa, atualmente, cerca de 15% do volume de negócios, sendo o restante para clientes em private label espalhados por todo o mundo, de Espanha à Austrália, passando pelos EUA, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Chile, Argentina, México e uma miríade de países europeus. «Temos clientes desde o mais pequenino ao muito grande», reconhece o administrador.

Sustentabilidade marca presença

Na nova coleção, a Piscatêxtil integrou, pela primeira vez, tapetes e colchas com fios orgânicos com certificação GOTS, assim como uma colcha cujo processo de tingimento reduz em 83% o consumo de água.

A sustentabilidade surgiu, naturalmente, no horizonte da empresa, que acompanha atentamente o mercado. «Começa a haver muita procura. Tenho alguns clientes que só compram com fios orgânicos – se não for orgânico, não compram», reconhece Décio Costa.

A procura concentra-se especialmente nos mercados nórdicos, que «compram muito» este tipo de produto. Aliás, confessa, «esta aposta só agora é que se justifica porque começa a haver mais clientes a procurar». As preocupações com o meio ambiente vão além do produto em si, havendo igualmente cuidado com a gestão dos resíduos, por exemplo. «São todos reciclados, tanto os resíduos de algodão como os de plástico e papel – é tudo recolhido por empresas especializadas», explica.

Aumentar margens

Com uma equipa de mais de 30 pessoas diretamente ligadas à empresa – que recorre à subcontratação na área da confeção –, a Piscatêxtil investiu, no ano passado, mais de 200 mil euros na modernização do parque de máquinas, num processo que deverá continuar, com valores semelhantes, em 2019.

O objetivo, no entanto, não passa pelo crescimento. «Eu quero crescer é no lucro. Não me interessa crescer em faturação e ganhar menos. O que me interessa é vender pouco e ganhar muito», adianta Décio Costa.

Depois de em 2018 a Piscatêxtil ter mantido o mesmo volume de negócios, para 2019 o administrador revela expectativas moderadas. «Vamos manter o que está e esperar para ver o que vai acontecer – ninguém sabe o que vai acontecer nem com o Brexit, nem com a política em Portugal ou em França», assume.