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Pitti Bimbo em português

As portas da Fortezza da Basso abriram ontem e desde as 9 horas não faltou quem quisesse descobrir as cerca de 540 coleções para a primavera-verão 2018 dos mais pequenos. Entre os expositores, a participação portuguesa bate recordes, com a presença de 28 marcas, entre participações individuais e o espaço Kids ModaPortugal.

“Boom, Pitti Blooms” é o tema desta 85.ª edição da Pitti Bimbo e, como que a cumprir o leitmotiv, as marcas lusas decidiram florescer e multiplicar-se na feira italiana. Entre nomes consolidados e novas iniciativas, ninguém quis ficar de fora do certame, que antecipa a visita de cerca de 10.000 visitantes até amanhã, 24 de junho.

Laranjinha

Para a Laranjinha, a Pitti Bimbo é paragem obrigatória há mais de 10 anos. «Esta feira é a número um mundial em termos de criança e bebé. É o nosso ponto de encontro para os agentes que temos espalhados pelo mundo, desde a Austrália aos EUA, para além dos europeus», explicou Luís Figueiredo ao Portugal Têxtil.

A marca – presente nesta edição com o apoio do projeto 100% ModaPortugal, promovido pelo CENIT, tal como a Vandoma e a Snug –, cuja coleção aposta numa «evolução na continuidade», com as peças já características mas com inovações como o denim macio em artigos para bebé, tem em Itália um importante mercado, que tem vindo a consolidar ao longo dos anos. «Temos muitos clientes italianos que vêm aqui ver a coleção, apesar de terem as visitas já agendadas com os agentes», revelou o administrador da Hall & Ca, que detém a marca, acrescentando, contudo, que a feira serve também para abrir portas noutras latitudes. «Estamos sempre na expectativa de surgir novos mercados – ainda abrimos aqui, nas últimas edições, mercados novos, desde a Arábia Saudita, Abu Dhabi, Qatar».

Dr Kid

Também para a Dr. Kid a Pitti Bimbo é uma referência. «Temos vindo a crescer no mercado, de há uns três a quatro anos para cá. Desde o início que tem sido passo a passo, com muito investimento, mas o que é certo é que os resultados estão à vista. Temos sempre o stand cheio, os agentes fazem-se acompanhar pelos nossos clientes e tem sido um sucesso», afirmou ao Portugal Têxtil José Armindo Ferraz, administrador da Inarbel, que detém a marca. «Itália é um mercado importante e difícil. É o país da moda, há aqui milhares de marcas, e conseguimos colocar aqui a bandeira de Portugal, com a marca Dr. Kid, entre outras marcas portuguesas também bem lançadas no mercado», destacou.

No primeiro dia desta edição, a Dr. Kid – que integra a comitiva de cinco insígnias apoiadas pela Associação Selectiva Moda, no âmbito do projeto From Portugal, onde constam ainda a Knot, a Naturapura, a Phi Clothing e a Sissone – arrancou em força. «O primeiro dia é sempre importante, toda a gente vem com aquela “fome” de conhecer o stand e a nova coleção e fico satisfeito por ver que as pessoas gostaram e não saíram daqui», apontou José Armindo Ferraz.

Piccola Speranza

Embora não seja uma estreia, a Piccola Speranza está a “começar de novo” no mercado italiano. «Tive [no passado] alguns agentes, mas não estava satisfeita e atualmente não tenho ninguém. É a primeira coleção que não tenho agente em Itália», explicou ao Portugal Têxtil Alzira Oliveira, fundadora da marca. Uma situação que a Piccola Speranza, que na coleção para a primavera-verão do próximo ano apresenta como novidade «uma linha com luxo mas mais casual», poderá mudar antes de sair de Florença. «Já apareceram três ou quatro pessoas de manhã a querer ser agentes», indicou Alzira Oliveira.

Novas promessas

A Piccola Speranza é uma das marcas portuguesas que está na Pitti Bimbo a título individual. O mesmo acontece com outras 13 marcas, incluindo a Andorine, Atlanta Mocassin, Baby Gi, Cherry Papaya, F.S. Baby, Grace Baby & Child, Patachou, Play Up, Sissone, Tucha, Wedoble, Wolf & Rita e Barn of Monkeys, esta última em estreia absoluta, já que é a primeira coleção de sempre.

Em estreia está também a mostra Kids ModaPortugal, uma iniciativa do CENIT que tem por objetivo impulsionar a divulgação das marcas nacionais deste segmento e apoiar o processo de internacionalização das mesmas (ver ModaPortugal em três frentes).

Num espaço decorado com gelados – onde nem faltou o carrinho com a distribuição dos mesmos, para refrescar das altas temperaturas que se fazem sentir na cidade dos Medici – estão reunidas sete marcas: Azul Inglês, Coobie, Coth, Maria Bianca, Miel à Moi. Miguel Vieira Júnior e Risca de Giz.

Miel à Moi

«A imagem funcionou muito bem, está muito agradável e bem organizado», considera Sara Macedo, designer da Miel à Moi. A marca está pela primeira vez numa feira internacional, a apresentar a sua primeira coleção, pautada pelo conceito matchy-matchy, com peças para crianças e mães, onde se destacam os quimonos para miúdos e graúdos, os fofos estampados, os tecidos brocados e até uma edição limitada com um conceito de luxo, com camisolas com plumas.

«Já tivemos alguns contactos, de mercados que já estávamos à espera, para os quais nos direcionamos, nomeadamente o Reino Unido», afirmou ao Portugal Têxtil Ana Luísa Lopes, comercial da marca lançada pela empresaWonder Routine, acrescentando que a Miel à Moi está em Florença sobretudo «à procura de agentes e distribuidores».

A busca por estes agentes e novos clientes para as 28 marcas nacionais continua hoje e amanhã, com as portas da Pitti Bimbo a encerrarem às 16h de sábado.