Início Notícias Vestuário

Plus size embalado pela rede

Depois de décadas a viver na sombra dos tamanhos pequenos, as clientes do segmento plus size estão finalmente a receber as devidas atenções por parte da indústria do vestuário. As redes sociais deram uma ajuda extra.

De acordo com Brian Beitler, CMO da marca de pronto-a-vestir feminino plus size Lane Bryant, em declarações à revista Fortune, tudo se resumiu à ascensão e domínio das redes sociais. Antes das clientes terem acesso a plataformas como o Twitter e o Instagram e poderem expressar livremente a sua opinião na rede, «foram as pessoas com poder e dinheiro que contaram as suas histórias», afirmou à margem do “The Every Beautiful Body Symposium”. «Não é que a consumidora não estivesse à procura de moda plus size, mas ninguém estava a ouvi-la», admitiu.

Durante o evento, promovido há semanas pelo portal de moda Refinery29 em Nova Iorque, Beitler pediu aos participantes que usassem o seu poder nos media sociais para «amplificarem as marcas e as empresas que estão a chegar-se à frente» para atender às necessidades especificas de cada mulher e tipo de corpo.

A designer Stacy London ecoou a intervenção de Beitler, afirmando que os consumidores devem fazer «pressão» pela mudança. «Nós encaramos a moda como uma indústria que nos orienta… mas nós é que temos os dólares», satirizou.

Lauren Chan, jornalista da revista Glamour que escreve uma coluna sobre moda plus size, observou que as redes sociais, além da ascensão das bloggers do segmento, têm sido uma importante ferramenta para que cada vez mais editores e jornalistas percebam a importância de mostrar mulheres reais nos seus artigos. «Agora eu posso dizer: “vejam esta contagem de hashtags – olhem para estas visualizações», explicou sobre a popularidade de modelos e celebridades plus size nas redes sociais.

No entanto, apesar das muitas tentativas de levar o plus size para o mainstream, o mercado continua a ser mal servido. Embora cerca de 67% das mulheres americanas tenham tamanho igual ou superior a 14 (equivalente a um tamanho 44 em território europeu), o grupo de pesquisa NPD revelou que, em 2015, as vendas de vestuário de tamanhos grandes representaram apenas 17% do mercado de vestuário feminino nos EUA.

Um dos motivos que desmotiva muitas empresas a esforçarem-se para preencher essa lacuna é, segundo Beitler, o facto do desenvolvimento de vestuário para corpos diferentes exigir um conjunto de competências muito específico e, dada a obsessão da indústria da moda pelas mulheres que vestem tamanhos mais pequenos, relativamente raro. «Há preocupações legítimas sobre as competências», reconheceu.

Uma questão ainda mais relevante será, no entanto, o tratamento historicamente descuidado dos retalhistas (ver Retalho à medida) em relação às peças de tamanhos maiores. «Pegámos no plus size e colocámo-lo num canto onde nunca chamaria a atenção e… não vendeu», afirmou Beitler, referindo-se especificamente à sua experiência com grandes armazéns.