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PME têm dificuldade em aplicar fundos europeus

Estudo da Coimbra Business School comparou 31 regiões de 16 países da UE no que toca à execução das PME. Reino Unido lidera e Portugal fica no meio da tabela.

As pequenas e médias empresas portuguesas (PME) são pouco eficientes na aplicação dos fundos estruturais da União Europeia. Segundo um estudo da Coimbra Business School, citado pelo jornal Público, da análise de 31 regiões de 16 países da União Europeia, constata-se que Portugal não aparece muito bem posicionado.

«Estamos quase no fim do programa [comunitário 2014-2020] e não aplicámos metade. Por muito que nos esforcemos agora não vamos cumprir os objetivos iniciais todos. Houve falhas no objetivo de aumentar o emprego e de ter uma economia mais forte»,  afirma Pedro Costa, presidente da Coimbra Business School e um dos autores do estudo científico publicado na revista Omega, denominado “Evaluating the efficiency of structural funds: An application in the competitiveness of SMEs across diferente EU beneficiary region”.

O tema assume particular destaque numa altura em que Portugal vai arrecadar 45 mil milhões de euros em fundos estruturais para a próxima década, depois de ter sido aprovado em Bruxelas, pelo Conselho Europeu, o Fundo de Recuperação e o próximo Quadro Financeiro Plurianual.

Pedro Costa salienta a este propósito que «agora que se acrescem mais fundos, teremos de ser necessariamente mais bem organizados. É necessário redirecionarmos o investimento e o foco em todas as áreas do quadro que este fundo de emergência vai apoiar».

Apesar do atual programa comunitário ter arrancado em 2014, o Governo anunciou em fevereiro deste ano que só tinham sido executadas 45% das verbas disponibilizadas pela UE.

Da análise comparativa entre os programas de 16 países da UE, os autores do estudo, em que se inclui também as investigadoras Maria do Castelo Gouveia e Carla Henriques, concluíram que apenas seis países são eficientes a executar os fundos estruturais em PME.

Portugal, salienta o estudo, precisa de investir as verbas mais cedo, aumentar o número de startups apoiadas e gerar mais postos de trabalho.

Entre os restantes países, o destaque vai para o Reino Unido, que lidera a lista na utilização de apoios europeus em programas nacionais e regionais. Seguem-se Áustria, Espanha, Finlândia e Estónia. Já as última posições vão para a Letónia, República Checa, Eslovénia, Itália e Polónia.

O estudo conclui ainda que, em Portugal, o número de empregos criado pelas PME que obtiveram financiamento europeu é inferior a um terço da média europeia.

Entre regiões, as empresas dos Açores foram as únicas a obterem a classificação de eficiente, devido ao número de empregos criados e à taxa de execução dos projetos. As empresas das restantes regiões – Centro, Norte, Algarve, Alentejo e Madeira – foram consideradas ineficientes.

De resto, as conclusões do estudo apontam para o chamado “paradoxo europeu”: as empresas das regiões mais desenvolvidas aplicam de forma mais eficiente as verbas europeias, invertendo assim a lógica das políticas de coesão – a convergência das regiões mais pobres para o nível de riqueza das regiões mais desenvolvidas.