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Polémica em NY

Na semana passada, Diane Von Furstenberg participou numa reunião especial da CFDA (Conselho de Designers de Moda dos Estados Unidos da América) – entidade da qual é uma das principais responsáveis – para discutir o estado da indústria da moda americana. A quebra das vendas, o aumento dos custos dos desfiles de moda e o que realmente é do interesse do consumidor de moda são temas que recorrentemente têm vindo a despoletar o debate, numa tentativa de encontrar novas soluções para dar uma nova dinâmica ao sector. Enquanto a designer Donna Karan afirmava que «actualmente, estamos em crise», Anna Wintour, a editora da Vogue americana, sugeria que os principais membros da indústria deveriam falar com os membros da Casa Branca, sobre as leis vigentes que regulam as vendas de retalho. Tendo em conta o actual cenário, designers como Diane Von Furstenberg e Betsey Johnson avançaram com uma das ideias mais radicais e polémicas dos últimos tempos no mundo da moda: «abrir a Semana de Moda de Nova Iorque (NYFW) ao público» Depois da discussão, Betsey Johnson declarou, ao portal de moda WWD, que «gostaria imenso que este evento passa-se para Madison Square Garden. O meu desejo era que a Semana de Moda de Nova Iorque fosse como a entrada do novo ano. Poderia ter uma sala de exposição totalmente aberta ao público». Em Londres, o Conselho Britânico da Moda já oferece ao público a possibilidade de participar na Semana de Moda de Londres. No entanto, tal não significa que qualquer pessoa possa assistir a um desfile de moda. Caroline Rush, a nova directora-geral do Conselho Britânico de Moda explicou, em entrevista à revista Elle UK, que «Londres tem distintos eventos, tanto para o comércio, como para os consumidores, os quais proporcionam ao público em geral o acesso a uma experiência similar à Semana de Moda». Deste modo, o debate parece que vai continuar aceso. Apesar de ainda faltar bastante para que os consumidores e o público geral tenham acesso a um lugar em primeira fila, ou na última, de um desfile de Marc Jacobs, Ralph Lauren ou Calvin Klein na paserelle da Big Apple, esta ideia começa a ganhar forma e é bem possível que se torne realidade no futuro. Seria, inegavelmente, a democratização do último reduto da moda.