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Poleva cria máscara FFP2 semi-reutilizável

A empresa, juntamente com a Universidade do Minho, criou uma máscara FFP2 com elevada capacidade de filtragem, semi-reutilizável e parcialmente biodegradável. A máscara resulta da investigação desenvolvida no projeto NanoMask, em parceria com a plataforma Fibrenamics, que a partir deste mês terá um polo no Brasil.

Vânia Pais [©Fibrenamics]

O projeto, que teve uma duração de cerca de 10 meses, usou o conhecimento da Universidade do Minho e da Fibrenamics em eletrofiação e as tecnologias existentes na Poleva, uma empresa fundada em 1989 que evoluiu da produção de palmilhas simples para a indústria do calçado para a inovação na área dos moldes, abrindo-se a uma panóplia de produtos, incluindo proteções para capacetes militares. «Estamos a mudar a nossa imagem de empresa, não só de uma empresa de palmilhas, mas uma empresa que molda as coisas para os clientes, ou seja, os clientes vêm com uma ideia e nós damos forma à sua ideia», explicou José Dias, responsável da empresa, durante o webinar Nanofibras do Futuro, promovido pela Fibrenamics. «O nosso slogan é “you name it, we shape it”», destacou.

A máscara criada no âmbito do projeto tem características inovadoras, a começar pela utilização de nanofibras que, de acordo com Vânia Pais, technology researcher da Fibrenamics, permitem «o incremento da propriedade filtrante em 10%». O recurso a estas nanofibras promove «a redução da quantidade de material, visto que com a aplicação de uma camada bastante reduzida de nanofibras conseguimos potenciar o efeito filtrante, levando ainda à leveza da máscara», apontou.

A máscara, que está certificada para a utilização em contexto de pandemia de Covid-19, é ainda semi-reutilizável. «Vamos vender as máscaras em caixas, que terão duas estruturas externas, que são biodegradáveis, e 10 filtros. Cada kit dá para uma semana», revelou José Dias. A parte reutilizável da estrutura pode, depois de utilizada, ser colocada para compostagem.

José Dias [©Fibrenamics]
Para já ainda na fase de protótipo, devendo assumir no futuro diferentes cores, a máscara foi pensada para uso geral pela população e não para uma profissão em específico, como acontece com várias máscaras FFP2 no mercado, e «foi desenhada por uma equipa especializada que fez um estudo de mercado, que viu qual era a melhor forma ergonómica e conseguiu chegar a esta máscara», referiu o responsável da Poleva.

Além de integrar um novo produto na sua oferta, o projeto permitiu à empresa «explorar as tecnologias que tínhamos e olhar para elas de maneira diferente, conseguir transformá-las e usá-las para conseguirmos termoconformar uma máscara», resumiu José Dias.

A ligação à Universidade do Minho e ao conhecimento científico teve também um papel importante, reconheceu o responsável da empresa. «Conseguimos ter estas experiências todas, introduzir conhecimento científico e misturar a parte industrial, chegando a um produto que pensamos que podemos vender no futuro muito próximo», acrescentou José Dias.

A caminho do Brasil

Esta aproximação da academia à indústria é também um dos objetivos da plataforma Fibrenamics, que neste webinar Nanofibras do Futuro explorou o potencial das nanofibras, «filamentos contínuos e/ou alongados com dimensões bastante reduzidas, à escala nano», como definiu Vânia Pais, com a explicação dos métodos de produção e da funcionalização das mesmas, assim como as várias possibilidades de aplicação, que vão desde a filtração à engenharia de tecidos para o corpo humano.

Este foi o primeiro de uma série de webinars que a plataforma da Universidade do Minho está a organizar, com o próximo agendado para 25 de março, às 14h, sobre “Funcionalização de estruturas fibrosas para a saúde”.

Fernando Cunha [©Fibrenamics]
A Fibrenamics, de resto, continua a expandir a sua atividade e, depois dos Açores, é agora a vez do Brasil acolher um polo da plataforma dedicada ao universo das fibras. Este polo, batizado Fibrenamics Brazil, ficará sediado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e iniciará a sua atividade a 16 de março com um roadshow virtual sobre fibras naturais e suas aplicações.

«Temos delineada a expansão e internacionalização da Fibrenamics para os próximos anos e percebemos que os nossos serviços se adaptariam com relativa facilidade à indústria brasileira», justifica, em comunicado, Fernando Cunha, diretor-executivo da Fibrenamics.

«O Brasil é um dos mercados com maior potencial de crescimento, mas ainda precisa de dar o salto. A partilha de experiência e conhecimento da Fibrenamics com investigadores e gestores brasileiros será com toda a certeza muito frutífera», acredita Aloysio Gomes, coordenador local da Fibrenamics Brazil e professor e diretor de relações empresariais e comunitárias da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Ao longo dos últimos 10 anos, a Fibrenamics captou 25 milhões de euros em investigação e desenvolvimento, somou 300 parceiros e contabiliza 45 patentes e produtos no mercado.