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Política chinesa afeta algodão

A política do governo da China de apoiar os agricultores de algodão com a introdução de um preço mínimo garantido está a tornar as suas fiações cada vez menos competitivas, segundo a organização da indústria Cotton Inc. No entanto, a política pode ser uma vantagem para outros países produtores, com a Índia e o Paquistão, que beneficiarem das importações recorde da China de algodão e fio em julho e agosto. Já o International Cotton Advisory Committee (ICAC) revela que as recentes tendências de preço – aumento na China e diminuição em termos internacionais – podem ser uma indicação das direções de preço para os próximos meses. As principais influências, acrescenta, é a política chinesa de imposição de um preço mínimo e a pressão sobre o resto do mundo devido à acumulação de stocks, em combinação com uma fraca procura. O ICAC espera agora que as importações chinesas de algodão caiam acentuadamente – para menos de metade – em 2012/2013, apesar das compras significativas por parte do governo chinês em 2011/2012 para reconstruir a sua reserva nacional. «Contudo, pode não ser capaz de dar o mesmo apoio aos preços internacionais em 2012/2013», indica a organização. «A reserva nacional chinesa já atingiu uns estimados 4,6 milhões de toneladas no final de agosto de 2012 e pode crescer mais esta época devido ao empenho do governo de apoiar os preços domésticos», acrescenta. Entretanto, os preços no resto do mundo podem cair ainda mais, apesar de um provável corte de 6% na produção fora da China, afetada pela redução dos envios para a China e pela previsão de um aumento de 16% nos stocks do resto do mundo para 9 milhões de toneladas em 2012/2013. Olhando para o futuro, o ICAC antecipa que os preços internacionais do algodão «eventualmente» recebam algum apoio da diminuição esperada das plantações no hemisfério sul no final de 2012 e no hemisfério norte em 2013/2014. A situação mundial dos stocks não está a ser ajudada por um aumento esperado de 11% na colheira de 2012 de algodão americano, para 17,3 milhões de fardos, de acordo com o relatório de produção de outubro do Departamento de Agricultura dos EUA. O Departamento de Agricultura afirma ainda que a estimativa para a procura de algodão no país para 2012/2013 desceu ligeiramente devido a níveis de produção mais elevados no estrangeiro e à redução das importações, sobretudo por parte da China. Isso levou o Departamento de Agricultura a rever em alta os stocks finais dos EUA em outubro, para 5,6 milhões de fardos, mais dois-terços da estimativa dos stocks finais em 2011/2012 e o número mais elevado em quatro anos. Espera ainda que a produção mundial ultrapasse o consumo pelo terceiro ano em 2012/2013, levando a um aumento de 14% nos stocks finais mundiais, para 79,1 milhões de fardos, e que as importações mundiais de algodão em 2012/2013 devem descer 18%, para 36,5 milhões de fardos, em grande parte graças a um acentuado declínio nas importações chinesas – que, estima, deverão cair 55%, para 11 milhões de fardos. Esta quebra na procura, acrescenta, será apenas parcialmente compensada por um aumento da procura de outros grandes importadores, incluindo o Bangladesh, a Indonésia, o Paquistão e a Turquia.