Início Destaques

Polopique investe desde a fibra

Jogando com o seu grande trunfo – a verticalidade –, a empresa está a realizar novos investimentos que vão até à fibra. Além da já anunciada fiação de 100% linho, a Polopique criou uma joint-venture para a plantação de algodão orgânico.

Luís Guimarães

«A mais-valia que temos é sermos uma empresa totalmente verticalizada, das poucas que existem no mundo inteiro e, em Portugal, a única mesmo», afirma Luís Guimarães, presidente da Polopique. Foi essa capacidade que quis ilustrar em Paris. «Resolvemos associar-nos para darmos mais um bocadinho de voz à nossa indústria. Precisamos de mostrar ao mundo o que é a indústria em Portugal, tudo o que a indústria fez, ao longo destes anos, para se aguentar, e aguentar com um nível de competência elevado», explica ao Jornal Têxtil.

Do linho ao algodão orgânico

Para isso têm contribuído os múltiplos investimentos que as empresas têm feito e que continuam a fazer. Na Polopique, os mais recentes incluem o linho e também o algodão orgânico. No final de setembro, «começámos, com um parceiro nosso da Bélgica, uma parceria para nos ajudar a fazer fio 100% linho da Europa», revela o presidente da empresa. O projeto, anunciado há alguns meses, vai trazer de volta, à Europa, a fiação desta fibra, algo que, garante Luís Guimarães, deixou de ser feito há 40 ou 50 anos no Velho Continente e que, como tal, se apresenta como um desafio adicional. «Toda a tecnologia despareceu da Europa e a dificuldade que temos é a de arranjar bons parceiros que nos levem ao outro lado do mundo, à Ásia, que estejam lá bem inseridos e que nos ajudem a trazer essa tecnologia para cá», aponta.

A entrega das máquinas esteve a ser negociada em outubro, antevendo-se que a nova fiação esteja a funcionar já para o ano, com uma produção de 20 a 30 mil quilos de fio de linho por mês para responder à procura que «talvez aumente, porque todos os nossos clientes procuram materiais sustentáveis. O linho é um material sustentável e é orgânico», destaca o presidente da Polopique.

O investimento, que rondará os 10 milhões de euros, deverá ainda implicar a contratação de mais pessoas, que irão acrescer aos cerca de 1.000 trabalhadores da empresa. «A fiação do linho é completamente diferente. É a chamada fiação molhada, porque o fio é fiado completamente molhado. E ainda precisa de muita mão de obra, penso que mais 150 pessoas», adianta.

O linho, contudo, não é a única fibra na mira do grupo liderado por Luís Guimarães, que recentemente criou uma joint-venture, com um parceiro inglês, para a produção de algodão orgânico. «Não sou produtor de algodão, nunca plantei nada na minha vida. Fiz uma experiência há uns anos em Moçambique, mas correu mal, não estava com as pessoas certas. Desta vez fui buscar um parceiro meu de há alguns anos, que me vende algodão orgânico, e estabelecemos esta joint-venture no Uganda», conta. O negócio, que implicou um investimento inicial de 2 milhões de euros, que irá aumentar até 6 milhões de euros dentro de dois anos, vai contribuir para uma das metas traçadas para a empresa. «O meu objetivo é que, dentro de dois anos, portanto, em 2021, todo o algodão usado na Polopique seja 100% orgânico. Neste momento é 50% orgânico, mas quero que seja 100%», confessa.

Crescer sempre

Depois de ter terminado 2018 com um volume de negócios consolidado de 110 milhões de euros, o presidente da Polopique espera que a empresa continue a crescer. «Temos sempre uma expectativa de crescimento sustentado, na ordem dos 10% ao ano», refere, salientando, todavia, que «infelizmente, hoje em dia não é possível prevermos – começámos o ano em janeiro a pensar de uma forma e em dezembro o ano acaba de outra forma. As coisas movem-se com tanta rapidez que é muito difícil fazer previsões. Mas lutamos para que tenhamos sempre esse aumento, porque precisamos dele para os aumentos que temos de custos na empresa, que também são grandes», assegura.

Até à data, 2019 «está a correr bem» e, mais uma vez, a verticalidade tem servido de escudo aos altos e baixos do mercado. «Por sermos uma empresa vertical e diversificada e tratarmos qualquer matéria-prima, isso faz com que os clientes nos procurem mais, porque vão entregar o produto a uma empresa que faz o fio, o tingimento do mesmo, a tecelagem, os acabamentos e a confeção. Tem sido uma mais-valia e esperamos que continue a ser», conclui o presidente da Polopique.