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Polopique investe na tricotagem

O grupo liderado por Luís Guimarães acaba também de instalar a terceira unidade de fiação, reforçando assim a verticalidade industrial, um dos seus principais trunfos. Além disso, cresceu em volume de negócios no ano passado e antecipa um 2019 igualmente positivo.

A nova fiação do grupo Polopique abriu portas no ano passado e a unidade de tricotagem deverá começar a laborar ainda neste primeiro trimestre de 2019. «É uma área nova», sublinhou o presidente do grupo Polopique ao Jornal Têxtil, à margem da entrega dos Prémios de Excelência Empresarial, nos quais arrecadou, pelo segundo ano consecutivo, o galardão destinado ao Maior Volume de Investimento.

A nova unidade irá empregar mais de 20 pessoas e contempla 24 teares de malha circular, que funcionarão em turnos contínuos, sete dias por semana. «São teares muito específicos, para fazer coisas diferentes», indicou.

«Não podemos parar. A indústria têxtil, como qualquer outra indústria no momento atual, tem que estar sempre a modernizar-se. A tecnologia avança, nós temos de estar muito atentos a essa tecnologia e avançar também», justificou Luís Guimarães, presidente do grupo, ao Jornal Têxtil.

Os vários milhões investidos em 2017 – o prémio diz respeito aos investimentos realizados no ano passado – foram dedicados essencialmente ao aumento da produção, uma tendência que se estendeu para 2018 e se prolongará em 2019. «O mercado encolheu em algumas áreas, não temos hipótese de ir ao mercado nacional, temos que ser nós próprios a fazer», referiu Luís Guimarães.

Crescimento excecional em 2018

O grupo Polopique continuou a aumentar o seu volume de negócios em 2018, devendo no final do ano ter registado um crescimento superior a 20% em comparação com 2017, para uma faturação total (que inclui as várias empresas, mas ainda não é consolidado) superior a 130 milhões de euros.

Entre os contributos para este incremento está o maior cliente da Polopique: a Inditex. «Só da Inditex tivemos um aumento de 20%», revelou Luís Guimarães. Numa altura em que a gigante espanhola do retalho tem diminuído as compras a Portugal, o presidente da Polopique tem uma explicação simples para este aumento: a verticalidade do seu negócio, que vai da fiação à confeção. «E não é só a Inditex. Acho que a Polopique nisso é uma empresa que se destaca. É o facto de um comprador chegar à nossa unidade e poder escolher o fio e levar a camisa, a blusa ou a t-shirt. Em três ou quatro semanas conseguimos dar resposta com um produto acabado. Isso é que faz a diferença e por isso é que temos de estar também sempre a investir», realçou.

Além da Inditex, que representa cerca de 70% do negócio, a Polopique cresceu igualmente noutros mercados. «Os outros 30% estão espalhados pelo resto da Europa e EUA e estamos a aumentar nesses mercados pela verticalidade e pela rapidez com que podemos dar o produto», acrescentou Luís Guimarães, que viu um estudo da London Stock Exchange colocar a empresa entre as 1.000 pequenas e médias empresas mais inspiradoras da Europa. «Ter a Polopique nas 1.000 empresas europeias mais promissoras é, para mim, talvez um dos prémios mais importantes da minha carreira profissional», confessou.

Boas perspetivas para 2019

Em relação a 2019, o presidente do grupo Polopique assumiu estar «com algum pensamento positivo», apesar de considerar que «hoje em dia é sempre um bocado difícil adivinharmos o futuro». Há, contudo, uma preocupação no espírito de Luís Guimarães: a falta de parcerias em Portugal. «Acho que é uma questão cultural portuguesa, a falta de parceiros. As empresas trabalham muito sozinhas. A Inditex está a abandonar Portugal porque as empresas são muito pequenas e têm poucos apoios de outras empresas, ou seja, o cluster está a degradar-se. Não havendo essa parceria entre empresas, é muito difícil. Hoje em dia, e até pelo mercado mundial, é complicado essas pequenas empresas sobreviverem. Antevejo que vai continuar a haver uma certa redução para 2019. O que é muito mau para Portugal e para mim. Sempre disse que preciso de ter muita concorrência. Aliás, todos nós. Precisamos de ter muita concorrência para nos mantermos muito ativos», assegurou.