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Poluição abala ITV chinesa

Os fornecedores de têxteis e acabamentos da indústria de vestuário chinesa enfrentam uma luta pela sobrevivência na sequência da aprovação de planos de prevenção e controlo da poluição da água e emissões produzidas pelo sector, implementados pelo governo do país.

O plano emitido pelo Conselho de Estado em abril tem como objetivo melhorar a qualidade das fontes de água potável, preparando a indústria achinesa para um novo conjunto de normas em 2020, que serão posteriormente reforçadas em 2030. A China espera que a qualidade da água dos seus sete principais rios nacionais, incluindo o rio Yangtze, Huang He (Rio Amarelo) e do Delta do Rio das Pérolas venha a cumprir esses objetivos. Porém, esses cursos de água têm sido utilizados como lixeiras para resíduos líquidos por empresas de acabamentos têxteis e o plano irá impor restrições mais duras relativamente à sua poluição.

Um gestor sénior da Zhejiang Hangmin Stock Co. Ltd., uma das 20 maiores empresas de tingimento chinesas, com sede em Hangzhou, no rio Qiantang, diz que as taxas de tingimento e acabamento praticadas pela sua empresa têm aumentado 15% em comparação ao ano passado, tendo em vista a redução do impacto ambiental. «Iremos provavelmente aumentar [novamente] no próximo mês de setembro», acredita. A indústria de tingimento chinesa debate-se com a consolidação em larga escala e muitas pequenas e médias empresas (PME) na área do rio Yangtze e no delta do rio das Pérolas poderão ser fechadas brevemente, revelou Hu Kehua, vice-diretor de responsabilidade social do Conselho Nacional Têxtil e de Confeção da China.

Na província de Zhejiang, a sul de Xangai, prosseguiu Hu, pelo menos, 5% das empresas de tingimento serão encerradas antes do final de 2016. A China tem sido atormentada pela a poluição e escassez de água desde que a sua industrialização se começou a desenvolver impetuosamente no início da década de 1990, referiu Wu Shunze, vice-reitor da Academia Chinesa de Planeamento Ambiental, um instituto sob a tutela do Ministério de Proteção Ambiental (MEP) chinês. «Rios pretos, fétidos e muito poluídos são uma das nossas grandes dores de cabeça», acrescentou.

O plano menciona «a indústria de estamparia e tingimento» sete vezes na sua documentação, afirmando que projetos ilegais, oficinas e empresas de diversas indústrias, incluindo também papel, metais, produtos petroquímicos, curtumes e indústrias de galvanoplastia, que poluem gravemente rios, lagos e águas subterrâneas, serão encerradas até ao final de 2016. O plano anuncia, também, que a estamparia e a tinturaria têxtil devem adotar técnicas que assegurem uma reduzida emissão de águas residuais até ao fim de 2017Indica que serão impostas metas em vários sectores, incluindo a indústria têxtil, para reduzir o consumo de água até ao final de 2020, acrescentando que as quotas detalhadas serão divulgadas posteriormente.

Desenvolvimento sustentável
Debra Tan, diretora do China Water Risk, um grupo ambiental sem fins lucrativos sediado em Hong Kong, revelou que os sectores têxteis, de vestuário e calçado são os mais poluentes da indústria chinesa. Esses sectores libertam «duas vezes mais» águas residuais que a indústria de carvão, afirmou, com problemas especialmente graves se forem consideradas as descargas ilegais, um dos motivos pelo qual «o plano tem como alvo particular este sector».

As empresas têxteis chinesas encontram-se «presas no meio», sublinhou Tan. Paralelamente, Hu concorda que a capacidade das empresas têxteis chinesas de se desenvolverem de forma sustentável tem sido drasticamente reduzida pela concorrência de mercado intensiva, pelo reforço das exigências ambientais e pelo aumento dos custos de produção. «Se as empresas têxteis fraquejam no desenvolvimento sustentável, impossibilitadas de investir na proteção do ambiente, e incapazes de alocar custos de limpeza durante um longo período, não será fácil operarem uma rápida transformação verde», reconheceu Hu. No entanto, as empresas que estabeleceram planos estarão numa posição mais favorável. Xu referiu que a sua empresa é uma delas e que tem vindo a preparar-se para a mudança sustentável, procurando novos corantes e criação de instalações de tratamento de poluição de águas residuais desde 2010. Ele afirma que a empresa será agora capaz de reciclar 40% a 50% das suas águas residuais. Paralelamente, os controlos regulamentares permanecem incompletos, diz Tan.

Uma vez que a maioria das empresas têxteis e de acabamento são PME, o Ministério do Ambiente chinês só consegue monitorar efetivamente 30% delas, acrescentou. O novo “Plano de Prevenção da Poluição da Água e Ação de Controlo” surge na sequência de mudanças radicais da Lei de Proteção Ambiental chinesa desde o início do ano, concedendo poderes superiores às autoridades ambientais e punições severas aos poluidores. Um elemento de divulgação pública obrigatória significa também que os fornecedores de vestuário multinacionais devem escolher os seus parceiros da cadeia de aprovisionamento com maior cuidado e transparência. As disposições, que entraram em vigor a 1 de Janeiro, enfatizam a necessidade das empresas limparem as cadeias de fornecimento.