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Pontos no nome, vírgulas nas conquistas

Capicua, Ana Moura, Ana Bacalhau, Tiago Novo ou Marta Ren são alguns dos seguidores do trabalho da designer Daniela Duarte que, a par da música, dialoga com a 7.ª Arte – o nome daniela ponto final, foi motivado por uma passagem do filme “Coco Avant Chanel” (2009). Já a máquina do tempo continua a ser o brinquedo favorito da marca de vibração vintage, que não se cansa de fazer novos amigos.

«No filme, Coco Chanel diz “É Chanel. Ponto final”. Como “Daniela Duarte. Ponto Final” era muito comprido, ficou só “Daniela. Ponto final”», explicou há meses a designer ao Jornal Têxtil sobre a pontuação assertiva da marca nascida em 2010.

Agora, Daniela Duarte tem apostado nas vírgulas, somando parcerias e partilhando casa com marcas nacionais.

Em conversa com o Portugal Têxtil, a designer que tem um passado familiar ligado à moda – o avô trabalhou no calçado, a avó ainda é costureira – e desde criança vestia peças fora da caixa, falou sobre a atualidade da marca e sobre as alianças que tem assinado, entre elas, com a Eureka.

«A parceria com a Eureka surge de um convite da Flagship Store, no Porto, para exposição e venda da marca daniela ponto final na plataforma Lab, onde apresentam marcas e criadores nacionais, desde o vestuário, ao produto», explica a designer, acrescentando que se trata de «uma parceria temporária, teve início no mês de maio e termina no final de junho» e que esta é a segunda vez que a marca é convidada, sendo que, «no ano passado, correu muito bem e este ano o resultado está a ser ainda melhor».

E, apesar de a aventura no calçado ainda não ter acontecido, Daniela Duarte não descarta a possibilidade. «Ainda não aconteceu, mas quem sabe? Pessoalmente, adoro sapatos! Gosto de desafios e tenho a certeza de que quando acontecer, será uma experiência muito boa», confessa.

Mas as alianças da daniela ponto final não se esgotam no calçado. A marca foi ao Mercado e por lá deixou as suas camisas mais exclusivas. A concept store Mercado 48, também na Invicta, é o mais recente aliado da marca.

«O João Vasconcelos, um dos rostos da Mercado 48, descobriu a marca o ano passado, por acaso, quando visitou o atelier na Oliva Creative Factory e, a partir daí, tem sido um dos nossos parceiros na representação da marca no Porto», começa por explicar Daniela Duarte sobre os trâmites do acordo. «O resultado foi muito positivo, para as duas partes, pelo que surgiu agora a oportunidade de desenvolver uma edição exclusiva de camisas DANIELA’SHIRT que, na verdade, é o produto-chave da marca neste momento. Assim, a parceria daniela ponto final X Mercado 48 tem agora uma série limitada de camisas exclusivas que estão disponíveis ao público unicamente na loja», continua.

As séries de camisas DANIELA’SHIRT são sempre as peças mais procuradas e a edição 2016 «teve uma receção excelente», destaca sobre a linha que brinda aos estampados e cores que «nos levam automaticamente para o verão», é fresca e leve, «”é muita fruta!”», brinca. Em dezembro do ano passado, a marca já tinha disponibilizado as camisas para o verão «e alguns modelos esgotaram já no início deste ano. Tivemos que fazer um “refresh” mesmo antes da estação quente propriamente dita começar», revela.

A música, o cinema e a poesia são universos que se tocam e Daniela Duarte gosta destas interseções. Por isso, a coleção de verão daniela ponto final by Daniela Duarte tem o nome de UNTITLED «e é como que um poema». «Não como uma composição lírica, mas no sentido em que reflete um estado de espírito, um período de busca interior por estabilidade, por respostas, por novos caminhos», sublinha.

Para os dias quentes, a estética mostra-se urbana. «É simples. É do dia a dia. Tem traços assumidamente femininos, quase como que um voltar à origem; daniela ponto final começou por ser feminina na sua construção, uma reflexão de mim mesma, no entanto, mantém a abordagem do corpo a partir da imagem masculina», acrescenta Daniela Duarte.

Numa paleta mais sóbria, entre pretos, azuis, castanhos e brancos, os materiais vão desde os algodões ao poliéster «das décadas de 80, 2000 e 2010» – porque os arquivos e memórias continuam a ser remexidos pela marca.

O canal online continua a ser o habitat natural da marca e «é a melhor montra que tenho, é a forma como as pessoas têm acesso aos produtos da marca. As redes sociais são uma ferramenta brutal, sobretudo o Instagram», mas a daniela ponto final está também à venda na GEADA STORE, no Centro Comercial Bombarda (Porto), na Sous (Funchal – Madeira) e na loja/atelier Daniela. & CO na Oliva Creative Factory (São João da Madeira). O atelier abriu as suas portas no início de maio e, «neste momento, o espaço, para além de atelier da marca é também a montra para outros produtos e marcas», conta.

Portugal é o melhor mercado para a marca no que diz respeito a vendas online, contudo, «pelo feedback que os pontos de vendas físicos nos dão, os turistas são os que mais rapidamente compram as peças daniela ponto final», completa a designer.

O ano de 2015 foi «excelente» para a daniela ponto final, «quer no reconhecimento e aceitação mais alargada pelo público em geral, como no resultado em vendas, sobretudo na segunda metade do ano». Seis anos depois da sua apresentação, Daniela Duarte orgulha-se dos passos dados pela marca. «O percurso até aqui leva-nos a acreditar que faz sentido e que é possível, apesar das dificuldades em assumir uma posição num mundo tão feroz e competitivo. Trabalhámos sempre de forma independente, sem recorrer a agências ou investidores, sempre com muito esforço e dedicação», refere, acrescentando que 2016 «tem sido igualmente muito feliz».

Direta e indiretamente, porque a marca recorre à subcontratação de serviços, a daniela ponto final conta com a colaboração de seis pessoas. «Não é uma constante, é sazonal, mas o objetivo é crescer e, como tal, aumentar o número de pessoas e de forma permanente», adianta, até porque Daniela Duarte tem vindo a estudar a melhor forma para que «a marca possa crescer e expandir-se além-fronteiras de forma física, mantendo as vendas online ao consumidor final, mas dar o próximo passo, estar junto deles com pontos de venda».