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Portugal 2020

O Portugal 2020 define os programas de financiamento para o país no período 2014-2020 e estabelece as políticas de desenvolvimento económico, social e territorial a implementar nos próximos anos. Reforçar a competitividade e a internacionalização das empresas é um dos objetivos temáticos do programa, com 41% dos fundos do Feder, um dos cinco fundos estruturais consagrados pelo Portugal 2020, a serem dedicados exclusivamente ao reforço da competitividade das PME portuguesas. Os sectores de destino são principalmente o da produção de bens e serviços transacionáveis e internacionalizáveis e esse processo decorrerá tendo por base quatro eixos primordiais – investigação e desenvolvimento tecnológico, inovação empresarial e empreendedorismo, qualificação e internacionalização. Este será um instrumento essencial para as empresas, pelo que se considerou necessário fazer uma reflexão sobre as aplicações e resultados consolidados no anterior quadro comunitário de apoio, projetando neste que se aproxima, o know-how adquirido, redefinindo prioridades e estratégias de implementação. Reunindo, para além dos especialistas do Citeve, industriais e altos responsáveis públicos, o evento levou a debate as expectativas sobre as práticas e resultados para este novo ciclo. Como aspeto prioritário considerou-se a necessidade de desenvolver articulações entre o sistema científico e tecnológico e o tecido produtivo, derrubando a barreira que frequentemente separa o processo de investigação e o acesso aos resultados por parte das indústrias e empresas. Agostinho Afonso, administrador da Têxteis Penedo, reforçou na sua intervenção a importância da inovação enquanto vantagem competitiva e fator de diferenciação no mercado. Os fundos estruturais deverão colmatar falhas de financiamento que permitam o reinvestimento na inovação empresarial, no desenvolvimento de novos meios tecnológicos e produtos. «A empresa só vive inovando, fazendo coisas diferentes e, para isso, temos de estar sempre na vanguarda, quer da tecnologia quer dos recursos humanos. Se não o fizermos não vamos ser capazes de enfrentar os produtos diferenciados do mercado», reforçou o administrador Têxteis Penedo. Paulo Vaz, diretor-geral da ATP, assinalou a necessidade de reinvestir em hardware, o que permitirá produzir melhor e com mais valor acrescentado. Os novos fundos possibilitarão a atualização do equipamento que, ao fim de 15 anos de amortização, está desatualizado e funciona como um fator de desvantagem face aos restantes competidores estrangeiros. Este programa trará também novas ferramentas à estratégia de internacionalização das empresas, através da promoção das dinâmicas colaborativas. Retomando a ideia partilhada por vários dos intervenientes, o segredo do negócio não é uma premissa incompatível com a criação de redes cooperativas entre empresas. Este pode ser, inclusive, um meio de adereçar a questão da dimensão das empresas portuguesas, inferiores em escala às congéneres europeias, e o problema da massa-crítica. Esta orientação permite, em simultâneo, potenciar recursos e agregar conhecimentos, iniciativa para a qual estão já previstos benefícios. Albertino Oliveira, da Sedacor, destacou a importância da colaboração e valorização da complementaridade entre sectores, como um suporte de alavancagem às atividades da empresa. As sinergias são essenciais e a comunicação deve estender-se ao setor exportador, não só ao nível da conceção do produto mas também na sua distribuição e internacionalização. É necessária a congregação de esforços para o desenvolvimento da atividade exportadora das PME, criando oportunidades de internacionalização e reforçando a presença em mercados europeus e globais. Já Rogério Matos, administrador da Mundotêxtil, acentuou a necessidade de procurar respostas no exterior. Afirmou ainda que, esta realidade se vê facilitada quando concretizada através de parcerias e constante esforço de inovação. Em cima da mesa estará também a simplificação na forma como se aborda os apoios aos projetos, concebendo um modelo flexível, célere e simples, que não pese nas empresas e nos organismos públicos. Por seu lado, Braz Costa, diretor-geral do Citeve, sublinhou a necessidade de implementação de uma cultura de rigor e avaliação de resultados séria, que permita uma aplicação criteriosa dos fundos, direcionando-os para quem tem capacidade efetiva de criar riqueza e emprego. A Câmara Municipal de Famalicão, representada neste evento por Ricardo Mendes, vice-presidente e vereador, tem-se posicionado no sentido de prestar o apoio necessário às empresas, nomeadamente através da criação de programas como o Famalicão Made In, que além da sua função geradora, tem por objetivo auxiliar os empresários famalicenses a promoverem e desenvolverem os seus projetos empresariais.