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Portugal aposta na Colômbia

O mercado colombiano tem aumentado a sua importância nas estratégias de internacionalização das empresas portuguesas, com a delegação nacional na Colombiamoda, que começa hoje, a contar com participação de 38 empresas de têxteis, vestuário, calçado e acessórios.

Os números do comércio bilateral do Aicep revelam que, nos primeiros cinco meses do ano, as exportações portuguesas com destino à Colômbia aumentaram 20% face ao mesmo período de 2014, atingindo 26,7 milhões de euros. O país sul-americano é o 50.º destino dos produtos feitos em Portugal e o número de empresas que têm as baterias apontadas não para de crescer: de 138 em 2010 para 331 em 2014.

Entre 2013 e 2014, as exportações de matérias têxteis para a Colômbia subiram 209,3%, para 1,3 milhões de euros, enquanto as exportações de vestuário cresceram 57,4%, para 0,2 milhões de euros. Já este ano, entre janeiro e maio, as exportações de matérias têxteis caíram 36,6%, para 0,2 milhões de euros, mas nas de vestuário perdura a tendência de crescimento, com uma subida de 98,2%, para um valor que é já equivalente ao do total do ano passado (0,2 milhões de euros), segundo os dados do Aicep. Números que as empresas portuguesas esperam multiplicar com a participação na Colombiamoda, que a partir de hoje, e até ao dia 30 de julho, abre as portas a novas oportunidades de negócio.

«A aposta da Selectiva Moda em mercados da América Latina acontece já há quatro anos, fruto de estudos elaborados pela ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal em conjunto com a Selectiva Moda que indicaram que os mercado do Sul da América seriam uma plataforma de alavancagem para a diversificação das exportações do sector têxtil e vestuário nacional», refere, em comunicado, a Associação Selectiva Moda, que apoia a presença de 22 empresas no certame de Medellín. «O número de empresas portuguesas com interesse no mercado colombiano tem aumentado significativamente e a prova disso são as mais de 70 empresas que participaram nos últimos quatro anos na Colombiatex e Colombiamoda, as maiores feiras têxteis da América Latina», acrescenta. As muitas estreias confirmam a visão da Associação Selectiva Moda.

É o caso da Adagfashion, que está pela primeira vez na Colombiamoda com a marca Ada Gatti. «A escolha da Colombiamoda vem no seguimento da nossa expansão no mercado sul-americano, onde já temos uma presença no Brasil, Argentina, Peru e Chile. Acreditamos na capacidade deste mercado e na absorção do produto e, em virtude desse fator, criamos coleções totalmente direcionadas para estes países», revela Sérgio Rocha, diretor-geral da empresa. Esta será também a primeira vez que a Dinamic Mancha apresenta a marca de moda de senhora mancha.pt na Colombiamoda, o mesmo acontecendo com a Rubro e a Inimigo Clothing.

«Sendo um mercado novo e desconhecido para a Inimigo Clothing, a marca tenciona conquistar terreno no país e eventualmente fazer a abertura de outros mercados para além do mercado colombiano. Num cenário sempre realista mas encarando as coisas com extremo otimismo, esperamos com a participação nesta feira abraçar novos mercados, novos clientes. No fundo a abertura de novas portas», revela o sales manager Simão Soares. A presença portuguesa vai além das marcas de vestuário, com a presença também de produtores de têxteis e fornecedores de têxteis-lar, incluindo a AMR, António Salgado, B. Sousa Dias, Castros & Marques, Finera, Lumatex, Mansão Têxteis, Ribera e Têxteis Giestal, esta última em estreia em Medellín. «A escolha desta feira por parte da Giestal vai no seguimento de uma estratégia de aposta nestes mercados sul-americanos onde o nosso produto tem bastante aceitação», explica João Ferreira, comercial da empresa. As expectativas são elevadas até porque, aponta, «além de ser um mercado em que já estamos presentes, sabemos também que os nossos produtos gozam de uma grande reputação nesta parte do globo», acrescenta.

No segmento infantil, a Dr. Kid e a FS Baby estão de regresso à Colômbia, enquanto a Dou-Si-Dou se apresenta pela primeira vez no certame. «Temos uma forte presença no mercado mexicano e surgiu a necessidade de diversificar para mais um mercado na América Latina. Temos acompanhado as notícias de várias visitas de chefes de estado, missões e feiras na Colômbia, que têm sido desenvolvidas nos últimos tempos, bem como a aposta forte de vários grupos económicos portugueses neste mercado. O facto de existir um acordo de livre comércio entre a UE e a Colômbia foi um fator preponderante para a nossa participação nesta feira», sublinha Hélder Paiva, diretor de exportação da empresa. Na edição de 2014, a feira acolheu mais de 600 expositores, cerca de 60 mil visitantes e gerou um volume de negócios de 43,5 milhões de dólares (39,3 milhões de euros), segundo os dados recolhidos pela Inexmoda, que organiza o certame.