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Portugal compra mais ao Brasil

Entre janeiro e maio, Portugal foi o 3.º principal destino das exportações brasileiras de componentes de calçado, atingindo os 23,94 milhões de euros. À procura de novos parceiros de matérias-primas inovadoras e mais sustentáveis, as marcas portuguesas Josefinas e Yum Gum (do grupo ERT) viajam, na próxima semana, até ao Brasil para visitar o Inspiramais.

[©Inspiramais]

O salão brasileiro abre portas amanhã e a comitiva vinda de Portugal está já a postos com planos bem traçados. «Conhecer novos e distintos fornecedores, bem como novos materiais que se apresentem como uma alternativa de qualidade» é um dos objetivos de Joana Esteves, internacional sales manager das Josefinas, nesta visita ao Inspiramais.

De S. João da Madeira para o mundo, as Josefinas enlaçam-se em criatividade e originalidade e são hoje um caso de sucesso que passeia entre o ciberespaço e o asfalto. A marca de calçado, que está cada vez mais interessada em apresentar, aos seus clientes, produtos mais sustentáveis, quer encontrar «alternativas mais ecológicas e com boas propriedades técnicas, necessidades mais prementes no sector do calçado neste momento», revela Joana Esteves. Com um especial interesse nos curtumes, Joana Esteves espera encontrar boas soluções no Brasil.

No mercado há cerca de 10 anos, a Yum Gum está atualmente a reposicionar-se para se afirmar como uma marca sustentável e prevê, em breve, lançar uma linha de sapatos de senhora 100% biodegradáveis. «Sabemos que o Brasil é rico em matérias-primas naturais. No sector do calçado usa-se muito solas feitas a partir de borrachas vulcanizadas e procuramos alternativas mais sustentáveis e até biodegradáveis, para além de gáspeas e forros feitos em matérias-primas naturais e mais ecológicas», explica Pedro Ramos.

O diretor comercial da Housepring, a empresa que detém a marca Yum Gum e que pertence ao grupo ERT, afirma que o Brasil, «mais que qualquer outro país, tem a maior riqueza natural em termos de produtos naturais para a área do calçado, para além da experiência e necessidade de inovação constante no sector».

[©Inspiramais]
O Inspiramais é o único salão de inovação e design de componentes para calçado da América Latina. O evento tem 11 anos de existência e é promovido pela Assintecal – Associação Brasileira de Componentes para Couro, Calçados e Artefactos, juntamente com a Apex- Brasil e com o projeto By Brasil Components, Machinery and Chemicals.

Com duas edições anuais, o Inspiramais lança mais de 600 materiais para os segmentos do calçado, confeção, mobiliário e bijuteria. A sustentabilidade e o metaverso são os temas protagonistas desta edição.

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O interesse pelas matérias-primas brasileiras tem crescido nos últimos anos. De acordo com os dados da Assintecal, entre janeiro e maio, as exportações do sector somaram 172,33 milhões de euros, mais 21% face a igual período de 2021. Em maio, os envios de componentes ascenderam os 36,81 milhões de euros, 33% mais comparativamente ao mesmo mês do ano passado.

Segundo o gestor de mercado internacional da Assintecal, Luiz Ribas Júnior, o aumento dos custos dos transportes, especialmente da China para os países da América Latina, tem sido o grande motor do aumento das exportações.

Relativamente aos principais destinos dos produtos brasileiros, mesmo com crescimento abaixo da média geral, a China continua o ser o 1.º comprador com foco nos produtos químicos para o tratamento de curtumes. Nos primeiros cinco meses do ano, as exportações atingiram os 39,22 milhões de euros, 11% mais do que no mesmo intervalo do ano passado.

O 2.º comprador do mesmo período foi a Argentina, que importou o equivalente a 38,44 milhões de euros, 60% mais do que nos cinco primeiros meses de 2021.

[©Inspiramais]
Portugal surge como o 3.º destino das exportações brasileiras de componentes, com 23,94 milhões de euros, um aumento de 49% comparativamente ao ano passado.

No que concerne aos produtos mais vendidos nos cinco primeiros meses do ano, o mais exportado foram os produtos químicos para os curtumes, com um crescimento de 9% (para 79,65 milhões de euros). Seguidamente aparecem os couros, com um crescimento de 24% (para 47,29 milhões de euros). A procura por solas de sapatos aumentou 66%, para 11,82 milhões de euros, e de palmilhas 27%, para 351,63 mil euros.