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Portugal contesta hoje concessões da UE aos Têxteis do Paquistão

Jaime Gama, ministro dos negócios estrangeiros, vai contestar hoje as concessões comerciais da Comissão Europeia ao Paquistão, adianta o jornal Público. Esta contestação deve-se ao facto destas medidas se aplicarem apenas às exportações têxteis, que é precisamente o sector mais sensível da indústria portuguesa, e ao perigo de que a abertura de precedentes, seja aproveitado por países como a Índia e a Tailândia, parceiros bem mais temidos pela indústria nacional . Gama vai fazer ouvir os seus protestos durante a reunião dos chefes da diplomacia dos Quinze com Pascal Lamy, comissário europeu responsável pela política comercial dos Quinze. O ministro deverá apoiar-se em alguns dos argumentos já invocados durante a semana pela delegação portuguesa na reunião dos embaixadores dos Quinze junto da EU, em Bruxelas. Segundo vários participantes, o representante português foi especialmente crítico em relação às propostas apresentadas pela Comissão a 16 de Outubro, onde se pretendia eliminar as actuais tarifas alfandegárias de 7 e 8 % aplicadas aos têxteis e vestuário do Paquistão e aumentar em 15% as suas quotas de importação. A escolha recaiu sobre o sector têxtil, por este ser o sector mais competitivo da economia do Paquistão e representar 60% das suas exportações para a UE. Segundo Lamy “seleccionámos as áreas em que o Paquistão pode beneficiar mais, nomeadamente têxteis e vestuário», defendendo ainda que «o comércio é uma arma da paz». Embora concorde com o apoio ao Paquistão, Portugal contesta o facto de as concessões se limitarem aos têxteis, sector que penaliza um único país, defendendo em alternativa, a criação de um conjunto de medidas incluindo o perdão da dívida externa e ajuda económica. Ainda assim, a Comissão argumenta que as concessões a Islamabad em vigor a partir de 1 de Janeiro de 2002, vão provocar um aumento irrisório do volume total das importações têxteis da UE, no valor de 1% no que diz respeito aos tecidos de mesa, 1,5% para os atoalhados e 4% na roupa de cama, ou seja, as três áreas que mais preocupam Portugal. No entanto, tudo indica que a real preocupação de Portugal não diz respeito ao volume de produção do Paquistão, mas sobretudo com o risco de abertura de precedentes a estender a outros parceiros comerciais muito mais temidos pela indústria portuguesa, como a Índia ou a Tailândia. A protecção da indústria nacional, tem apesar de tudo os dias contados, dado que a UE, tal como os grandes produtores de têxteis, assumiram o compromisso de liberalizar totalmente o comércio do sector em 2005.