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Portugal dos pequeninos em Florença

Vinte marcas nacionais de moda infantil recusaram-se a fazer da matemática um bicho papão e juntaram-se para multiplicar o “made in Portugal” pela Pitti Bimbo.

A 86.ª edição da Pitti Bimbo, que fez da cidade italiana de Florença recreio entre 18 e 20 de janeiro, registou um crescimento de 2,5% nos visitantes, performance alavancada não só pela Itália, mas também pelo contributo positivo dos mercados internacionais. Alguns dos mais importantes compradores de moda infantil visitaram a Fortezza da Basso para descobrir as coleções outono-inverno 2018/2019 apresentadas pelas 578 marcas expostas.

Huggee/Pedro Marques

Destas, 344 eram marcas estrangeiras (54%) e 162 estreantes no salão, como as portuguesas Kaleidoscope e Huggee. «A marca está pensada e desenhada para internacionalizar, desde a raiz», revela Pedro Marques, fundador da Huggee. «A Pitti Bimbo é uma feira enorme, onde é dada grande primazia às marcas e ao design», destaca sobre a feira escolhida para a estreia da marca nascida há pouco mais de um ano com preocupações éticas e ecológicas. À Huggee juntaram-se a Baby Gi, Piccola Speranza, Snug, Andorine e Vandoma, todas apoiadas pelo CENIT no âmbito do Portugal 2020. «Recebemos muitos clientes italianos nesta edição», afirma Ana Sousa, sócia-gerente da Vandoma, que apostou em gravatas de lã «porque acabam por ser uma novidade por ser um produto diferente», além das clássicas propostas em seda.

CherryPapaya/Sandra Barradas

Já a CherryPapaya, Dr. Kid, Kaleidoscope, Knot, Phi Clothing e NaturaPura integraram o rol de expositores apoiados pela Associação Selectiva Moda, também sob a égide do Portugal 2020. «Nesta coleção contámos com a colaboração da marca de calçado portuguesa Moleke e desenhámos em conjunto um modelo de botas», adianta Sandra Barradas, fundadora da CherryPapaya sobre uma das novidades da coleção “Yuka” – rica em algodão orgânico e inspirada pelos inuítes – apresentada nesta terceira participação na Pitti Bimbo. Há mais tempo no salão italiano, precisamente desde 2005, está a NaturaPura. «Acolhemos os clientes habituais, mas também efetuámos novos contactos», afirma Mónica Sendas, responsável pelo departamento comercial da marca sustentada unicamente no algodão orgânico e pioneira nesta aposta levada ao extremo da ecologia.

Wedoble/Márcia Pacheco

A Atlanta Mocassin, Barn of Monkeys, F. S. Baby, Laranjinha, Patachou, Play Up, Wedoble e Wolf & Rita participaram no certame a título individual. «Esta é sempre a feira mais importante para nós até porque é o nosso principal mercado e também porque é a feira mais internacional», explica Márcia Pacheco, brand manager da Wedoble, que apresentou uma coleção inspirada no mundo dos contos de fadas. «A edição de inverno é muito mais concorrida do que a do verão. Em particular, há muitos compradores russos», destaca Cláudia Rocha, cofundadora da Wolf & Rita.

Wolf & Rita/Sónia e Cláudia Rocha

Dispondo de uma área de exposição de 47,000 metros quadrados, a edição de janeiro do salão de moda infantil esteve dividida em 10 secções: Pitti Bimbo, Sport Generation, #Activelab, SuperStreet, EcoEthic, Apartment, KidzFIZZ, The Nest, Fancy Room e Fashion at Work. Os números finais divulgados pela organização, da responsabilidade da Pitti Imagine, mostram a subida não só no número de visitantes, mas também, e especificamente, de estrangeiros (+1%) e um salto de 3,5% para o país anfitrião. No total, afluíram ao salão 6.870 visitantes, número acima dos 6.700 registados na edição homóloga de 2017.

No que diz respeito aos mercados internacionais, a organização diz-se satisfeita com o número de visitantes da Rússia (+4,5%), como o melhor score da Pitti Bimbo. Algumas das performances internacionais dignas de nota vieram de países como Espanha (+11%), Japão (+12%), Reino Unido (+2%), Alemanha (+2%), Ucrânia (+9%), Grécia (+17%), Irlanda e Portugal. «A Pitti Bimbo, mais uma vez, capturou a energia e o otimismo mostrados pela moda infantil internacional», afirma Raffaello Napoleone, CEO da Pitti Immagine. «Foi uma edição marcada pela satisfação e pela criatividade das coleções, pela qualidade dos compradores que viajaram de mais de 60 países, pelo investimento em projetos dedicados aos novos estilo de vida das crianças e aos serviços. A crescente participação de países que são importantes para a moda infantil foi, sem dúvida, muito significativa – a Rússia mostrou mais uma vez o seu peso –, mas o crescimento nos compradores italianos também foi um sinal importante para o mercado interno», resume.