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Portugal em força no regresso da Munich Fabric Start

Depois de um ano de interregno, a Munich Fabric Start acolheu, de 31 de agosto a 2 de setembro, mais de 600 expositores. Portugal esteve representado através de 31 empresas, que apresentaram ao mercado alemão as novidades nacionais numa edição onde a sustentabilidade e as questões ambientais estiveram em destaque.

Foi com grande entusiasmo que as empresas portuguesas de tecidos e malhas apresentaram, em Munique, as suas antevisões do outono-inverno 2022/2023. «Foi, para a nossa empresa, a primeira feira da estação e estávamos ansiosos por voltar a uma possível normalidade», afirmou Carolina Pinto, responsável comercial da Trimalhas, ao Portugal Têxtil.

A especialista em tricotagem apresentou uma coleção, batizada Gallery e dividida por cinco temas, elaborada com matérias-primas que vão desde os orgânicos e as poliamidas reciclados até à mistura de fibras mais nobres como caxemira, lã ou seda. A Munich Fabric Start serviu ainda de palco para apresentação do Jornal da Trimalhas, impresso em papel reciclado. «Uma ferramenta para dar a conhecer as nossas coleções e atrair mais visitantes ao nosso stand», justificou Carolina Pinto.

Trimalhas

100% ligada à área da sustentabilidade desde o início da atividade e distinguida em 2019 pelo CENIT com um prémio na área da economia circular, a especialista em vestuário Sourcetextile participou, pela primeira vez, na feira, com o objetivo de intensificar a sua marca para o private label junto do mercado alemão.

«Fazer uma feira facilmente se faz, mas o que tentamos é aliar o nosso negócio, a nossa imagem aquilo que nós queremos criar. Queremos que as pessoas nos reconheçam por algo e isso começa desde a conceção da peça, passando por todo o showroom, todos os processos produtivos para que quando nos visitem se sintam identificados connosco», revelou Paulo Barbosa, CEO da Sourcetextile, que expôs uma coleção assente na sustentabilidade, composta sobretudo por algodão orgânico e misturas de algodão orgânico com linho, liocel e viscose.

Sourcetextile

«Um balanço mais do que positivo», garantiu César Araújo, que considera Portugal «como um país de boas práticas com uma indústria apetecível». O presidente da ANIVEC e administrador da Calvelex, que marcou presença em Munique, salientou ainda o potencial do mercado alemão: «estamos a falar de um país com 80 milhões de habitantes com poder de compra. As marcas alemãs querem conhecer também um pouco de Portugal e, por isso, vieram aos stands portugueses e querem fazer negócios com as empresas nacionais»

Já Paulo Melo, vice-presidente da ATP e presidente da Somelos, expositora de longa data na Munich Fabric Start, assegurou que «a feira de Munique tem vindo a ganhar mais protagonismo porque está no mercado alemão, que é um centro de mercado muito forte, e está numa altura certa».

Esta edição da Munich Fabric Start foi ainda marcada pela visita do Secretário de Estado Adjunto e da Economia, que teve a oportunidade de conhecer e falar com os expositores nacionais. João Correia Neves anunciou em Munique que o Governo vai reforçar as verbas de apoio à internacionalização.

A feira alemã encerrou com um número satisfatório: 60% dos espaços ocupados relativamente à última edição homóloga, em setembro de 2019, antes da pandemia ter sido decretada pela OMS. Os visitantes ascenderam os 13.400, entre os quais se destacaram compradores de reconhecidas marcas como Adidas, Lagerfeld, Aigner, Balenciaga, Bestseller, Bogner, Bugatti, Escada, Puma, Tommy Hilfiger, Marc Cain e Strellson.

«A nossa equipa está exausta, mas radiante: o maior desafio da história da nossa organização ficou para trás! As nossas expetativas eram cautelosas devido à situação, mas os resultados deixaram-nos orgulhosos. É como se toda a indústria têxtil se congratulasse e sentisse agradecida por poder experienciar novamente algumas horas de negociações como era habitual», resumiu o diretor da feira, Sebastian Klinder.

César Araújo, Sebastian Klinder, Paulo Melo, João Correia Neves e Frank Junker