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Portugal em Madrid – Parte II

Nituer e Primma

Conjugação

Convictas de que a união faz a força, a Nituer e a Primma conjugaram esforços para esta estreia na SIMM, partilhando o mesmostand. «A nossa presença foi positiva, já que fizemos muitos contactos», declara Simão Gibellino, responsável de marketing da Nituer. Quanto a Paulo Santos, gerente da Primma, afirma que «embora se tenha tratado de uma experiência nova, o balanço é muito bom, pois estabelecemos imensos contactos e temos mesmo algumas vendas já confirmadas».

Fundada em 1978, a Nituer é hoje essencialmente uma laboratório de ideias. A empresa comercializa a sua colecção sob a marca Diparra em lojas multimarcas e em treze lojas próprias – Must Botiques. No entanto, a marca é já vendida em Espanha, e prepara a entrada em França e Itália.

Quanto à Primma, especialista em malhas, foi fundada há mais de uma década. Em 2002 criou a marca própria Vabenne, que já representa 25% da sua produção e os seus produtos conquistaram plenamente os mercados italiano e alemão. No ano transacto, a Primma facturou um milhão e quinhentos mil euros.  

 

Paula Borges

Versátil

A colecção de Paula Borges para o Ou-tono/Inverno 2004-2005 transmite uma extraordinária energia positiva. «Gostava que as mulheres, mesmo nesta época difícil, estivessem sempre bonitas», declara Paula Borges. «Daí que tenha criado uma colecção simul-taneamente ele-gante e versátil, com peças idóneas para ir directamente do trabalho para uma festa, bastando trocar apenas, por exemplo, a blusa por umtop». Com efeito, agriffe apresenta uma colecçãol pensada em todos os tipos de mulher: mais e menos altas, magras e nem tanto, vaidosas e nem por isso,…

«O balanço da nossa presença é francamente positivo», afirma. «Esta participação correu ainda melhor que em edições precedentes. A nossa colecção agradou bastante ao mercado espanhol, e os dados de que já disponho apontam para um aumento das vendas».

Embora ainda seja predominantemente comercializada em lojas multimarcas, a Paula Borges já possui duas lojas próprias em Portugal, onde oferece um atendimento e aconselhamento personalizado a cada cliente. A exportação representa hoje cerca de 50% do seu volume de negócio e os principais destinos são a Espanha e a Inglaterra. «Actualmente estamos a procurar consolidar a nossa posição nestes dois mercados e a tentar vencer inteligentemente este momento difícil que atravessa a economia em geral», remata Paula Borges.    

  

Grasil

Sempre

Nos últimos quinze anos, a Grasil Confecções apenas ausentou-se da SIMM em 2002. E em 2003 marcou uma forte presença. Em relação à edição de 2004, Silvestre Pinto, administrador da Grasil Confecções, considera que «foi mais fraca do que as anteriores, com menos clientes. Embora em termos de novos contactos fosse normal», revela. Entre as múltiplas ofertas da empresa nacional, teve especial destaque na SIMM a marca Jacques Moret, uma linha de fatos topo de gama em 100% lã e misturas com Lycra, que combina na perfeição o melhor do classicismo e da modernidade dodesign e do corte. Mas a Grasil Uomo, destinada aos mais tradicionais, e a Marco Vanetto, feita à medida dos que cultivam umlook mais jovem e desportivo, também seduziram os visitantes. «Toda a colecção foi muito bem recebida, já que se trata de uma colecção extensa com vários tipos de segmentação desde o clássico até ao mais moderno». Um caso sério de sucesso internacional, a Grasil exporta actualmente cerca de 90% da sua produção, não só para Espanha (60%) mas também para França, Reino Unido, Itália, Dinamarca, Noruega e Suécia. E qual é o segredo deste sucesso? «Procuramos acompanhar de perto a evolução do mercado em termos de vestibilidade e de actualização. Todas as estações introduzimos inovações na padronagem e no corte», revela Silvestre Pinto. Com um efectivo de 185 pessoas, a empresa facturou no ano transacto sete milhões e oitocentos mil euros. Hoje a Grasil aposta sobretudo nas suas marcas próprias, que inclui ainda a Montini Uomo além das outras já citadas, e oprivate label representa apenas 5% da produção da empresa.

 

Ávila

Pior

«Embora tenhamos efectuado imensos contactos, esta edição foi mais fraca que a precedente em termos de vendas e mais limitada ao mercado espanhol», afirma Maria Fé Barreiro, directora comercial das Confecções Ávila. «Além do mais, os clientes procuravam encomendas peque-nas e com prazos de entrega muito apertados, o que dificulta o negócio. Deste modo, ainda é mais compensador fabricar para os países nórdicos, que embora pratiquem preços mais baixos, procuram maiores quantidades e permitem prazos mais longos». Com uma experiência de dez anos na produção de malhas de algodão com elastano e Lyocell com lã, as Confecções Ávila dispõem hoje de um efectivo de 30 pessoas. Actualmente, a empresa exporta praticamente toda a sua produção, nomeadamente para a Irlanda e a Dinamarca, e com menor expres-são para a França e a Espanha. Em 2003, o seu volume de ne-gócios ascendeu a 1.500 mil euros. “One for you” é a marca própria das Confecções Ávila, que começa já a ter alguma projecção nos mercados português, espanhol e francês. No entanto, a empresa ainda labora sobretudo emprivate label, nomeadamente para o mercado escandinavo. «Dada a conjuntura, 2003 foi um ano difícil, onde perdemos cerca de 30% do volume de vendas. E a con-corrência asiática tem agravado ainda mais a situação», declara Maria Fé Barreiro. «A solução para muitas empresas vai obriga-toriamente passar pela aposta em parcerias».

 

Fabriveste

Procura

«O balanço da nossa participação é muito positivo, já que as nossas marcas tive-ram uma procura bas-tante elevada», afirma Joaquim Machado, administrador da Fabriveste. «Esta presença na feira permitiu aumentar consideravelmente a nossa posição no mercado espanhol».

A empresa levou até Madrid as marcas Sevenseas, uma linha de vestuário desportiva, e Orix, uma colecção em pele, destinadas ao homem actual, que privilegia o conforto e cultiva um look casual.

Em 2003, a Fabriveste facturou cerca de 4 milhões de euros. Actualmente, as exportações representam metade da sua facturação. «A estratégia actual esta direccio-nada para o crescimento das marcas próprias, a consolidação da posição em Espanha e a conquista do mercado grego, onde estamos a dar os primeiros passos», conclui Joaquim Machado. 

 

Lilás Moda

Assiduidade

Fundada em 1978, a Lilás Moda cria, produz e distribui apenas a marca própria, que em 2003 facturou um milhão e cem mil euros.  

Presença assídua na SIMM desde há três anos, Afonso Vieira, director-geral da Lilás Moda, considera que «esta feira correu menos bem que as edições anteriores. Houve menos afluência e, por consequência, menos clientes. No entanto, a receptividade dos nossos produtos foi bastante boa». «A nossa colecção destina-se a uma mulher activa, que procura artigos confortáveis, de grande qualidade e com linhas actuais. Esta colecção está pautada pelos contrastes ópticos em preto e branco e pelos tons vivos, nomeadamente o rosa e o verde», afirma.  Hoje a Lilás Moda aposta fortemente na internacionalização. «A nossa estratégia actual, iniciada há três anos, é aumentar de forma gradual as nossas vendas além-fronteiras», revela Afonso Vieira. «Os nossos principais mercados-alvo são, neste momento, a Espanha, a Bélgica e o Luxemburgo, onde estamos a procurar consolidar a nossa posição».

 

Onara

Marketing

«Esta feira correu muito bem. Hoje, para nós esta certame já não é tão importante em matéria de vendas, mas sim em termos de presença, de imagem e de apresentação pública da própria colecção», afirma José Miguel Barros, director-executivo da Onara. «No entanto, angariamos vários novos clientes». Com efeito, a Onara festejou mais um sucesso na SIMM, onde não negligenciou nenhum detalhe desde a magnificência do seu stand até à elegância e bom-gosto da sua colecção, passando pela atenção e simpatia que dedicou a cada cliente. «Hoje procuramos sobretudo consolidar o nosso crescimento internacional, de forma sustentada e controlada», conclui José Miguel Barros.     

 

Lamia

Parceria

Após duas épocas ausente, a Lamia efectuou um regresso com toda a pompa e circunstância. Para tal contribuiu não só uma nova imagem, mais moderna e sofisticada, e uma colecção Lamia que brilhou com luz própria, mas também a sua nova parceria com José António Tenente, cuja colecção apresentou empremière. «Hoje, as feiras não são muito significativas em termos de vendas, já que os clientes preferem comprar nosshow rooms. Mas a nossa participação saldou-se pela positiva, já que fizemos vários contactos importantes», declara Ana Leal. Para o próximo Outono/Inverno a Lamia criou uma colecção própria que promete alegrar os dias frios, em tons quentes como o rosa e o vermelho e com jogos de contrastes em preto e branco bastante apelativos, onde otailleur chanel “revisitado” desempenha o papel principal. «Nesta colecção dedicámos especial atenção à escolha dos tecidos e aos detalhes das peças», adianta. Hoje a Lamia procura cada vez mais oferecer aos seus clientes um conceito de moda global, que inclui desde vestuário em malha e tecido até calçado. Um verdadeirolook Lamia à medida de cada cliente. «Actualmente, exportamos 30% da nossa produção, em especial para Espanha e Inglaterra, e antes da guerra do Iraque exportávamos também para o Líbano e o Koweit».

«Neste momento, queremos desenvolver esta parceria com o J. A. Tenente tanto a nível nacional como internacional», sustenta Ana Leal. «Quanto à nossa marca, estamos a procurar criar uma linha que representa um salto qualitativo em termos dedesign e imagem de forma a consolidar a nossa posição no mercado nacional e crescer internacionalmente». 

 

Ferrache

Familiar

Para o público em geral, o actual sucesso da Ferrache surgiu quase por arte mágica, mas para Manuel e Daniel Ferreira, os artífices do sucesso e que representam já a segunda geração da família proprietária da empresa têxtil, foram dezasseis anos de árduo trabalho e plena dedicação para criar uma marca que hoje tem um lugar no firma-mento das estrelas nacionais por direito próprio. Uma vitória construída e partilhada com uma equipa constituída ao longo de mais de vinte anos de actividade.

«Hoje já temos algo a perder, pelo que devemos agir de forma a não hipotecar o futuro. E o melhor para nós vai necessariamente ao encontro do melhor para o País», sustenta Manuel Ferreira, administrador da Ferrache. «Um país que todavia ainda nos coloca tão longe de Madrid por não ter as vias rodoviárias indispensáveis para criar uma logística que permita responder eficazmente ao cliente e oferecer-lhe todo o apoio de que necessita.». Mas o êxito da Ferrache deve-se também ao facto de ter sabido criar a fórmula perfeita para cada cliente, representada em quatro linhas-chave: Classic, Sport, Active e Jeans. A marca, desde a sua primeira participação na SIMM, tem conquistado uma panóplia de clientes além-fronteiras, desde a França até ao Médio Oriente. «A nossa estreia em Setembro 2003 correu muito bem. Esta participação foi ainda melhor», afirma Manuel Alves, comercial da empresa. Com efeito, Madrid ficou completamente seduzida e a SIMM vai agora tornar-se uma passagem obrigatória para a Ferrache. «A internacionalização é hoje o nossa grande aposta, onde procuramos fazer um percurso similar ao realizado a nível nacional», remata Manuel Ferreira. «E estamos a pensar criar uma rede de lojas próprias, pois creio que já temos valor para tal».    

 

José Pinto Cardoso

Tailoring

«Considerando que os objec-tivos eram criar uma imagem de marca e alargar a nossa esfera de influência no mercado espanhol, esses objectivos foram conseguidos», declara Carlos Costa, da empresa José Pinto Cardoso.

Com efeito, a colecção Pierlorenzo, que já veste a equipa espanhola do Bétis de Sevilha, teve um forte impacto que vai certamente permitir gerar o volume de vendas a que a empresa aspira. Esta colecção, destinada a um segmento médio-alto, engloba três linhas: a gala, a executiva e a sport. Neste momento, a marca lançou uma quarta linha – a Tailoring -, o fato por medida industrial. Toda a colecção Pierlorenzo é produzida a partir de matérias-primas nobres, com tecidos topo de gama e sujeita aos melhores acabamentos actuais. No mercado nacional, a empresa dispõe ainda de uma segunda marca, a Facho, direccionada para um segmento médio-baixo. «Cada linha da Pierlorenzo tem o seu estilo próprio, mas todas foram bem estudadas, seguem as actuais tendências de moda e apresentam uma paleta de cores e uma vestibilidade bem adaptadas ao mercado espanhol», afirma. «As três linhas já conquistaram o seu espaço e têm vindo a crescer, mas creio que o sucesso absoluto vai ser obtido com a tailoring, que possui um serviço de apoio ao ponto de venda com prazos de entrega de 10 dias úteis e está apto a responder a todas as exigências do cliente».

Actualmente, a empresa exporta cerca de 60% da sua produção de fatos, principalmente sob a marca Pierlorenzo, que apresenta mais-valias e é bastante competitiva. Os principais destinos da marca são, além da Espanha, a França, a Alemanha, a Dinamarca, a Holanda, a Irlanda e pontualmente Israel.

 

Oxford

Positivo

«Consideramos a nossa participação bastante positiva, já que os objectivos foram cumpridos: mostrar a nossa colecção. E em termos de resultados, esta edição foi para nós ainda melhor que em Setembro», afirma João Lança, administrador da Oxford. João Lança acrescenta que «tendo em conta todas as marcas portuguesas presentes, temos capacidades para prestar um bom serviço e dar alguma inovação ao mercado espanhol do vestuário». Fundada há 27 anos pelo grupo Maconde, a Oxford facturou em 2003 cerca de 5 milhões de euros, essencialmente em Portugal. Face ao actual ritmo de crescimento, 2004 promete ser outro excelente ano para a marca. «A estratégia da Oxford é entrar num mercado, consolidar aí bem a sua posição, e então passar ao mercado seguinte». Destinada a um segmento médio-alto, a Oxford presentou na SIMM um look total em vestuário exterior para homem. «Trata-se de uma colecção clássica com uma componente cada vez mais contemporânea, criada a pensar no homem actual», revela João Lança. «O homem ficou demasiado estático na forma de vestir. Se pedir a alguém, por exemplo, para descrever um fato, toda a gente sabe fazê-lo porque é sempre igual. Ora, isto já não faz sentido».