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Portugal Fashion em périplo pelo Porto

A 51.ª edição do Portugal Fashion arranca hoje e, até 15 de outubro, irá percorrer alguns dos mais emblemáticos espaços da Invicta, incluindo o Museu Nacional Soares dos Reis, o Palácio da Bolsa ou o Mercado do Bolhão, com quase 40 desfiles de designers portugueses e africanos, marcas e novos talentos da moda nacional.

[©Portugal Fashion/Ugo Camera]

A abertura oficial desta edição do Portugal Fashion está agendada para as 18h de hoje, 11 de outubro, mas é a partir de amanhã que os designers assumem o papel principal do evento. Carolina Sobral abre a passerelle no Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto às 11h30, a que se seguirá a Meiling Inc Limited, uma marca africana que desfila em resultado da parceria estabelecida com o Afreximbank.

Katty Xiomara
Susana Bettencourt

Da parte da tarde, os fashionistas e compradores terão de fazer várias deslocações pela cidade, do Mosteiro de S. Bento da Vitória, passando pelo Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, para o desfile de Katty Xiomara, pelo Passeio dos Clérigos, onde Maria Gambina apresentará as suas propostas às 17h, e de volta ao Mosteiro de S. Bento da Vitória, onde Agatha Ruiz de la Prada é convidada especial.

No dia seguinte, 13 de outubro, o périplo começa na ESAP e prossegue na Alfândega do Porto, com os desfiles do Bloom, incluindo o concurso dedicado aos novos talentos, em destaque.

Na sexta-feira, 14 de outubro, o Palácio da Bolsa acolhe o desfile de Susana Bettencourt, da Pé de Chumbo, da Decenio com Gonçalo Peixoto e de Luís Onofre, numa jornada que será interrompida às 19h para a apresentação das novas propostas da Marques’Almeida no Parque do Silo Auto.

Miguel Vieira
Pedro Pedro

No último dia, o Portugal Fashion passará pela Oficina do Ferro, para os desfiles de Estelita Mendonça, Pedro Pedro e Hugo Costa, e pelo Mercado do Bolhão, onde desfilam Alexandra Moura e Miguel Vieira. O Museu Nacional Soares dos Reis acolhe os últimos desfiles desta edição, incluindo o de Diogo Miranda, David Catalán e Alves/Gonçalves.

«A organização de desfiles em edifícios monumentais, com arquitetura contemporânea ou eminentemente urbanos, como acontece nesta edição do Portugal Fashion, permite um trabalho cenográfico mais apurado. Trabalho esse que reforça a dimensão espetacular e a capacidade promocional dos desfiles e permite a criadores e marcas expressarem melhor a linguagem autoral e os seus universos estéticos. Esta itinerância e abertura à cidade era uma velha ambição nossa», explica, em comunicado, Mónica Neto, diretora do Portugal Fashion. Além disso, refere, «é também uma homenagem ao Porto, cidade natal do Portugal Fashion. Quisemos reforçar a relação de cumplicidade entre o Portugal Fashion e a cidade do Porto, com desfiles em espaços simbólicos do seu renovado e vivo centro histórico. Até porque o evento conta hoje, e ainda bem, com uma colaboração mais próxima da Câmara Municipal do Porto, que, no âmbito da sua estratégia de dinamização económica da cidade e apoio às suas indústrias criativas, vê o Portugal Fashion como um elemento de afirmação local e regional».

2023 em risco

Embora esteja apenas a começar, é o Portugal Fashion do próximo ano que está a dar de falar, uma vez que o evento ficou sem o habitual financiamento de fundos comunitários, que afeta já esta edição.

«Esgotada a candidatura do evento ao Compete 2020, e não tendo sido possível, em tempo útil, um reforço de verbas no âmbito do mesmo programa, o Portugal Fashion foi vítima do hiato que habitualmente ocorre entre o término de um quadro comunitário de apoio e a operacionalização de um novo quadro comunitário. E assim, pela primeira vez na sua história, o Portugal Fashion não recebeu financiamento comunitário enquanto projeto de promoção da competitividade e internacionalização da economia nacional, como comprovadamente é», explica Mónica Neto.

Mónica Neto

Alexandre Meireles, presidente da ANJE, que organiza o Portugal Fashion em parceria com a ATP, revelou, em declarações ao Jornal de Notícias, que pediu um «esforço extra» aos patrocinadores e entidades envolvidas até para realizar esta edição, algo que poderá não ser possível em 2023 e que, por isso, poderá colocar em risco o Portugal Fashion no próximo ano. «A ANJE fará tudo ao seu alcance para realizar o Portugal Fashion, independentemente da fonte de financiamento, mas não vai comprometer o futuro da associação para o fazer», afirmou.

A ANJE sublinha que «a realização do evento é essencial para várias áreas, especialmente, para o têxtil e calçado». Um estudo da Universidade Católica do Porto indica que a realização do Portugal Fashion, ao longo dos últimos cinco anos, gerou «um impacto de 45,4 milhões de euros no Valor Acrescentado Bruto português e sustentou anualmente entre 170 e 449 postos de trabalho».