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Portugal Fashion foi às compras

Na sua 41.ª edição, o Portugal Fashion mostrou-se apostado em contribuir para a retoma do mercado interno com passerelles cada vez mais próximas dos guarda-roupas do consumidor, parcerias estratégicas entre designers e indústria e novos pontos de venda de alguns dos nomes fortes do calendário de desfiles.

Luís Buchinho

Durante quatro dias – incluindo o inaugurar da passerelle em Lisboa, a 18 de outubro (ver Portugal Fashion de volta a casa), e o dia dedicado ao projeto Bloom (ver Dia de aulas começa de elétrico) –, o Portugal Fashion reuniu à volta da passerelle 25 mil pessoas e, nos bastidores, aproximadamente 450, que garantiram o sucesso de 33 desfiles. Repercutindo o sucesso do evento que antecipou o verão de 2018, no Instagram, a hashtag #portugalfashion agrega atualmente 60.821 resultados.

Carla Pontes
Carla Pontes

Em destaque nos dois dias, 20 e 21, de passerelle principal no Porto, estiveram os desfiles de alguns dos recém-chegados das capitais de moda internacionais, bem como as mostras de marcas de vestuário e calçado, novas geografias, comemorações e, sobretudo, uma forte aposta comercial, que chegou a transformar a passerelle em montra.

Ver agora/comprar agora

Em linha com as tendências internacionais também fora da passerelle, no fim de semana, a primavera-verão 2018 ficou à distância de um clique graças a uma forte aposta no modelo emergente ver agora/comprar agora.

Nobrand

Designers e marcas aliaram-se à plataforma online Minty Square  disponibilizando as coleções para pré-encomenda e, por vezes, com desconto. Depois de David Catalán (que desfilou na quinta-feira, 19, pelo Bloom), Carla Pontes, Katty Xiomara e as marcas de calçado Nobrand e Dkode decidiram encurtar o tempo de espera entre o desfile e a chegada das peças às montras e saciar os consumidores mais impacientes.

«Temos sentido que o mercado, logo a seguir aos desfiles, fica muito entusiasmado com as coleções e que há uma grande procura e nós nunca conseguimos dar resposta e, desta vez, surgiu a oportunidade de o fazer e estamos agora a tentar perceber se faz sentido para a nossa marca este modelo», explicou, ao Portugal Têxtil, Carla Pontes, que apresentou, na Alfândega do Porto, “Raw”, uma coleção que sublima a modelação, reforçando os cortes retos e bainhas assimétricas e inclui diferentes formas de vestir e usar a mesma peça.

De portas abertas

Luís Buchinho

Em moradas digitais no ciberespaço ou em ruas icónicas da cidade do Porto, na 41.ª edição do Portugal Fashion, designers como Luís Buchinho, Nuno Baltazar e Hugo Costa mostraram que, a par da passerelle, há outros pontos de encontro com a moda nacional.

Com uma forte influência desportiva, o verão 2018 de Luís Buchinho apresentou-se na nova localização do Cais Novo, com uma profusão de padrões e grafismos, onde os círculos, as manchas de cor e as silhuetas riscadas transportaram os presentes para os padrões decorativos dos anos 1960/70. A seu tempo, a coleção poderá ser encontrada na nova loja do designer, na rua de Sá da Bandeira, Porto.

Nuno Baltazar

«Sempre adorei a rua de Sá da Bandeira, talvez seja para mim a rua mais bonita do Porto, acho que é a rua mais nobre da cidade, já estive para viver aí e esta loja é quase um sonho concretizado», afirmou o designer sobre o novo ponto de venda que, brevemente, terá Nuno Baltazar como vizinho.

O designer que, nesta edição do Portugal Fashion, trouxe várias novidades na bagagem – juntamente com a coleção romântica, repleta de rendas e sedas, inspirada pela obra “O amante” de Marguerite Duras –, estando a preparar-se para sair da loja na avenida da Boavista.

«Vou mudar no início do ano. Vou para a rua do Bolhão, para muito próximo da loja do Luís Buchinho. Acho que é bom começarmos também a criar um núcleo para que seja mais fácil, para quem nos visita, conhecer vários designers», explicou ao Portugal Têxtil.

Hugo Costa
Hugo Costa

Sem toponímia, as propostas de streetwear unissexo de Hugo Costa, que depois de uma escala na semana de moda masculina de Paris com “Don’t fish my fish” se prepara para abrir um portal de comércio eletrónico, estão prestes a chegar às ruas virtuais.

«Quero colocar ainda a coleção de inverno à venda», avançou sobre a nova aposta, que incluirá estratégias de marketing disruptivas. «Quero fazer flash sales, fazer countdown, criar desejo no cliente», apontou.

Estreitar laços

Susana Bettencourt

O calendário de desfiles dedicado à primavera-verão 2018 corroborou ainda a popular expressão “a união faz a força”, com Susana Bettencourt a aliar-se à Fifitex, Katty Xiomara a partilhar a atenção com a arte urbana e Nuno Baltazar a divulgar a colaboração com a Sport Zone nos bastidores do seu desfile.

As propostas de “Creative Resistance” de Susana Bettencourt tiveram como ponto de partida o reacender do movimento da ERA – Equal Rights Amendtment e, na defesa da igualdade, a designer contou com a preciosa ajuda da Fifitex. O fio e as cores são exclusivos, tornando as peças da coleção únicas.

«Sinto-me super lisonjeada porque, pela primeira vez na minha vida, consegui criar as minhas cores e o meu material desde a rama», sublinhou a designer.

Katty Xiomara

Num verdadeiro desfile-performance, Katty Xiomara, que regressou a Nova Iorque em setembro último, escolheu como pano de fundo do desfile um espaço com características muito peculiares, o edifício do antigo Matadouro Municipal do Porto, que será reabilitado e reconvertido no novo Museu da Indústria. Em mais uma tentativa de estreitar os laços entre indústrias criativas, a designer fez do edifício uma tela em branco e convidou a Circus Network, que elaborou um plano de trabalho com 14 artistas para pintar o mural de 60 metros, para recriar parte do ambiente da coleção “Parachute Trip” – que evoca Miami e a zona emblemática de Wynwood.

Katty Xiomara

«Foi muito difícil, mas conseguimos porque muitas pessoas acreditaram, alguns pintaram durante a noite, demorou, mas foi muito gratificante», destacou Katty Xiomara sobre o ambiente que recebeu uma coleção de silhuetas soltas e de cores exóticas, evidenciando o tule e a renda.

Nos bastidores do desfile na Alfândega do Porto, Nuno Baltazar anunciou a parceria estabelecida com a Sport Zone – a terceira que liga o Portugal Fashion à cadeia de lojas de desporto da Sonae –, para uma coleção athleisure, a primeira da Sport Zone, que poderá ser encontrada em lojas selecionadas e online já a partir de fevereiro de 2018.

O designer revelou que se trata de uma coleção motivada pela «iconografia cinematográfica da década de 1980», com preços acessíveis, «que tem muito a ver com filmes em que a dança era muito forte» e que irá oferecer vestuário e acessórios.

Momentos de celebração

Miguel Vieira
Miguel Vieira

A 41.ª passerelle do Portugal Fashion foi, também, o espaço perfeito para se celebrar a moda nacional, com vários designers e marcas a comemorarem aniversários redondos no ano que se aproxima do fim. Os 10 anos de Diogo Miranda e os 30 de Miguel Vieira, que têm vindo a ser comemorados ao logo de 2017, juntaram-se aos 30 da marca de calçado Nobrand e aos 25 anos da Ana Sousa – cujo brinde se fundiu com o do encerramento de mais uma edição do certame, na casa-mãe Alfândega do Porto.

Diogo Miranda

Diogo Miranda contou com a ajuda de nomes como Luísa Beirão, Sónia Balacó e Rita Teixeira para apagar as velas do 10.º aniversário da marca, que integraram o clã de modelos que cruzou a passerelle com a coleção de mangas exageradas, folhos, laços volumosos e ombros expostos «dedicada a todas as mulheres que nos acompanham durante estes 10 anos» e inspirada pela silhueta do cisne.

Por sua vez, a coleção primavera-verão 2018 de Miguel Vieira, desvendada em Nova Iorque, «não foi apenas a celebração de 30 anos de carreira, mas também de um futuro que a marca ainda quer percorrer», evidenciando peças com um toque desportivo em estampados e tecidos «desenvolvidos no atelier», como indicou o designer ao Portugal Têxtil.

Lion of Porches
Lion of Porches

Nos dois últimos dias de desfiles, a edição do Portugal Fashion dedicada à próxima estação quente recebeu ainda os voos da Lion of Porches – que fez da passerelle um terminal de aeroporto para mostrar uma coleção que, nas palavras de Natércia Margarido, responsável pela linha feminina da marca, «tem muito a ver com esta inspiração de viajar, com o multiculturalismo e, por isso, abrange muitas formas de estar e de vestir» –, a viagem marítima da Dielmar, em “Quadrante”, e a jornada da cor na Pé de Chumbo.

Os palácios e palacetes portugueses do século XVIII e os detalhes interiores de peças de vestuário da época reinterpretados pelas mãos de Alexandra Moura – e revelados em Londres, no passado mês de setembro –, as propostas geométricas unissexo de Estelita Mendonça, a extravagância das “7 mulheres + 1” em Anabela Baldaque, as silhuetas ousadas e tropicais recriadas por Micaela Oliveira e a alfaiataria urbana em Júlio Torcato completaram o calendário de desfiles do 41.º Portugal Fashion.