Início Arquivo

Portugal tem o ouro na mão»

O Seminário denominado «A Industria Têxtil e do Vestuário Europeia: Portugal, um mundo de oportunidades», realizado pelo CENESTAP na Quarta Feira dia 26, possibilitou transmitir importantes alertas e conselhos aos cerca de 220 interessados que sobrelotaram o auditório do Citeve em Vila Nova de Famalicão. Lars Skou Gotterup, director geral da agência Win Win, recentemente entrevistado no Jornal Têxtil, apresentou uma imaginativa conciliação de imagens e curtas mensagens. O conceito que dava o mote para o debate – oportunidades – era complementado com a elucidativa declaração que «…Portugal tem o ouro na mão…» para as aproveitar. Utilizando uma das preferidas palavras da comunicação social quando se fala na ITV nacional, Lars perguntava «Há crise ?». Com o aumento do consumo de vestuário em mercados tão importantes como a Alemanha, a França ou o Reino Unido, com a constatação de que a despesa no segmento da Moda lidera o Top 10 de investimentos nalgumas das principais cidades mundiais, com um Centro Comercial a ser inaugurado em Las Vegas com 650 lojas só de vestuário ou com a constatação de que nos últimos 10 anos o número de lojas de vestuário na Polónia mais do que triplicou, temos razões para não fomentar uma visão pessimista. A importância da reforma na estrutura de comunicação lenta e cara da empresa tradicional, com controlo central e o peso de uma hierarquia, para a realidade da flexibilidade e rapidez na Internet está na ordem do dia. É igualmente fulcral transmitir a imagem certa, focar a história e o produto em vez dos clientes, «um produto mau com uma historia boa vende-se melhor que um bom com uma historia má», salientou Lars Gotterup. Uma imagem que pode ser direccionada para segmentos de elevado potencial de consumo, pois, à semelhança do que tínhamos constatado no tema de capa do Jornal Têxtil de Agosto sobre as potencialidades do consumo dos jovens, Lars adianta que 34% das despesas dos jovens na Dinamarca é em vestuário e calçado, e lidera a lista de preferências. O empresário nórdico sintetizou como factores críticos de sucesso a qualidade, a rapidez, a boa rede de informação, o conhecimento, a flexibilidade e a inovação. Num claro discurso de optimismo, Lars dirigiu aos presentes alguns conselhos. «Acabar com as hierarquias, melhorar as info-estruturas, internacionalizar, apostar na cooperação, respeitar os direitos de criação, estar atentos à rapidez, reconsiderar a época de férias e reformular a política do mercado laboral» poderão ser factores primordiais na resposta da ITV nacional. O consultor Allan Brink recordou seguidamente que «é importante dominar os factores macro-económicos, senão a empresa não consegue sobreviver». Portugal tem vantagens relativamente aos níveis salariais mas o valor acrescentado é o factor a não descurar. È importante a conjugação com os factores micro, designadamente produtividade, preço, produto e rentabilidade. Depois de Steen Aaes-Jorgensen, director geral de uma empresa na Lituânia, apresentar a realidade da produção e consumo de vestuário para alguns países da Europa de Leste e salientar a importância da cooperação para o sucesso, Kent Bisgaard, director de produção e logística da French Connection, comentou o futuro do sector nacional. Salienta que «Portugal está no bom caminho», mas tem alguns factores a melhorar. A ITV nacional tem uma qualidade fiável e a vantagem de uma boa localização, mas deverá melhorar a sua flexibilidade, repensar o seu período de férias de Verão e apostar na troca de informação e cooperação entre empresas do mesmo segmento. Da sua experiência de empresário da confecção nacional, António Ressurreição, director da SICI recordou os desafios das novas características dos exigentes consumidores, da tecnologia e da globalização, passando a estratégia de resposta por compreender as tendências de mercado, concentrar-se na criação de marcas e na gestão das vendas ao retalho. Para finalizar os trabalhos, Fernando Lopes Ribeiro Mendes, secretário de Estado da Indústria, Comércio e Serviços, salientou que Portugal tem a Industria como maior vantagem comparativa e tem qualidade. Deverá operar transformações na mentalidade do empresário, inserido numa sociedade muito hierarquizada, onde o estatuto ainda é mais importante que a qualificação e «uma atitude pró-activa é o segredo do negócio». Partilhando das preocupações da ITV nos desafios que se aproximam, referiu que a crise envolve muitas oportunidade e salientou a importância da «relação do Governo e Industria para um mesmo esforço». Acrescentamos que as intervenções do seminário estão disponíveis na secção de estudos deste portal, podendo até ser feito um download da variada documentação apresentada. Este seminário terá também uma cobertura mais extensa que será apresentada na edição de Outubro do Jornal Têxtil.