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Portugal visto de fora – Parte 1

Do vai e vem dos teares e das máquinas de coser calçado no norte de Portugal ao som dos camiões a enviarem papel de qualidade na fronteira leste, as empresas exportadoras de Portugal fervilham de atividade, apesar dos três anos de crise económica interna. Apoiando-se na inovação, diversificação e salários que são mais baixos até que na Grécia, as pequenas e médias empresas voltaram-se para os mercados externos, da China à ex-colónia Angola, para sobreviver – e até prosperar. O mercado interno de 10 milhões de pessoas, afetado por uma elevada taxa de desemprego e quebra da qualidade de vida para os que estão a trabalhar, apresenta poucas perspetivas de crescimento no futuro próximo, apesar de Portugal estar finalmente a emergir da recessão. «É uma viagem só de ida. Se deixarmos de crescer com as exportações, cavamos a nossa própria sepultura», afirma o designer de calçado Luís Onofre. Durante o ponto mais baixo da crise portuguesa em 2012, a sua empresa aumentou as vendas ao estrangeiro em 40%, para cerca de 11 milhões de euros. Os exportadores no país mais pobre da Europa Ocidental estão praticamente sem acesso ao financiamento bancário e ao mercado bolsista devido à crise do crédito, que forçou o Governo a pedir um resgate de 78 mil milhões de euros à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional em 2011. No entanto, os produtores expandiram a sua produção para vender no exterior, graças à capacidade existente das fábricas que estava subutilizada devido ao colapso da procura interna. Os seus esforços ajudaram Portugal a começar a recuperar desde o ano passado da sua pior recessão desde os anos 70 e podem permitir que a economia ultrapasse alguns problemas de fundo, como a sua balança comercial. Em 2013, Portugal teve o seu primeiro superavit em duas décadas, com as exportações a subirem uns estimados 5,9% para um valor recorde. O Banco Central espera que as exportações aumentem cerca de 5,5% tanto este ano como no próximo, impulsionando o crescimento económico projetado de 0,8% este ano, que deve acelerar em 2015. Os analistas apontam para a diversificação das exportações por indústria e por destino. Portugal é, há muito, um produtor de têxteis e cortiça – os sobreiros nacionais representam cerca de metade da produção mundial –, mas agora os exportadores estão a expandir para equipamentos óticos e elétricos, plásticos, papel e combustível. Da mesma forma, estão a explorar mercados além dos tradicionais na Europa, muitos dos quais continuam debilitados depois da crise que atingiu grande parte da Zona Euro, competindo melhor em termos internacionais e subindo de gama para aumentar os seus rendimentos. Portugal está a preparar-se para acabar o resgate em maio e os bancos têm vindo a aumentar as suas reservas para cumprirem os critérios de solvência da UE, significando que podem agora gradualmente aumentar os empréstimos. Com o financiamento a começar a ser injetado lentamente na economia, os produtores devem ser capazes também de expandir a sua capacidade de exportação. Na segunda parte deste artigo, dá-se continuidade à análise do estado do país e a indústria têxtil e vestuário surge em destaque, nomeadamente através do exemplo da Inarbel.