Início Notícias Retalho

Português em manobra pioneira

Naquela que é considerada uma ação pioneira da indústria, a retalhista de moda digital luso-britânico Farfetch.com adquiriu a clássica boutique londrina Browns, iniciando um movimento de fusão do panorama digital e físico, integrado no desenvolvimento da sua estratégia omnicanal.

A Farfetch planeia operar a loja como uma incubadora de tecnologia de retalho, num projeto denominado pelo fundador e diretor executivo da marca, o empresário português José Neves, de “Loja do Futuro”.

Sandrine Devaux, diretora de multicanal demissionária da Harvey Nichols, é agora diretora administrativa do novo empreendimento, liderando uma equipa focada no desenvolvimento e teste de inovações na tecnologia do retalho e omnicanal da Browns, que antecipa o lançamento da medida a toda a rede da Farfetch.

Em simultâneo, a nova Browns será operada como um negócio autónomo, separado da Farfetch, liderada pela CEO Holli Rogers, a antiga diretora de moda do principal rival da marca, Net-a-Porter.

A sua função principal será o desenvolvimento da Browns, no seu formato digital e físico, através da alavancagem concedida pelos recursos e plataforma tecnológica global da Farfetch.

A Browns, fundada por Joan Burstein e o seu marido Sidney na década de 1970, terá agora na sua fundadora a presidente honorária da organização e nos seus filhos, Simon e Caroline Burnstein, a função de conselheiros, com presença no conselho de administração da empresa. O segmento noiva da Browns e a marca Vera Wang serão geridos separadamente, sob a orientação de Caroline Burnstein.

José Neves declarou, ao just-style.com, que «a visão passa por responder à questão: como é que as pessoas vão comprar moda de luxo dentro de 5 ou 10 anos? Não será exclusivamente online. A resposta, acreditamos, estará numa fusão impercetível da fantástica experiência física com a poderosa, ainda que subtil, tecnologia. A Browns é o parceiro perfeito para esta evolução».

Apesar de dispor da sua própria operação de retalho eletrónico, a Browns vendia também através da plataforma Farfetch. «Somos parceiros da Farfetch há dois anos e temos apreciado a jornada. Estamos encantados por podermos anunciar que este é o próximo passo da Browns e não me ocorre um parceiro melhor e mais inovador para tomar as rédeas e adereçar os desafios do futuro», afirmou Joan Burnstein.

A plataforma Farfetch atua como um shopping digital para cerca de 300 retalhistas de moda independentes à escala mundial. O site permite ao consumidor comprar online em qualquer loja-membro, tornando-se uma forma popular de localizar itens de difícil acesso ou looks de passerelle e tamanhos produzidos em pequena escala. A plataforma tem, também, lançado pequenas boutiques no segmento do comércio eletrónico, permitindo a captação de seguidores globais.

De acordo com José Neves, apenas 6% das vendas das marcas de moda de luxo ocorrem online (cerca de 12% nos EUA). Em resultado, sem espaços físicos, a Farfetch estava incapacitada de explorar algumas das suas ideias de marketing e negócios.

«Queremos ser pioneiros», sublinhou. Mas ressalvou que «Nno queremos, de todo, alterar o ADN da Browns. O objetivo é evoluir. Evolução, não revolução».

Entretanto, Devaux revelou a intenção de instalar tecnologias de comunicação por radiofrequência (RFID na sigla inglesa) e comunicação por campo de proximidade (NFC), utilizando chips nas peças de vestuário que permitam a sua localização e transporte até ao consumidor.

Devaux mostra-se, também, interessada em aplicar a inteligência artificial como forma de prever o comportamento do consumidor, considerando, a título de exemplo, a forma como o tempo ou um dia chuvoso interferem nos desejos e atitudes dos consumidores.