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Portugueses com potencial para a Neonyt

No novo certame da Messe Frankfurt, que reúne os atores da moda sustentável de 15 a 17 de janeiro de 2019, há espaço para as empresas portuguesas crescerem. Quem o garante é o diretor da feira, Thimo Schwenzfeier, que elogia a indústria nacional e acredita que os portugueses têm ainda muito potencial a explorar.

Com uma designação que pretende transmitir “um renovado novo” (o termo Neonyt surge da junção da palavra grega “neo” e da palavra escandinava “nytt”, ambas passíveis de serem traduzidas como “novo”), a primeira edição da Neonyt, que se realiza de 15 a 17 de janeiro de 2019, na Kraftwerk Berlin, integrada na Berlin Fashion Week, pretende ser o ponto de partida para uma mudança necessária na indústria da moda.

O certame da Messe Frankfurt, que agrega as valências dos extintos Ethical Fashion Show Berlin and Greenshowroom (ver Messe Frankfurt junta sustentabilidade na Neonyt), será o palco não só para marcas e empresas mostrarem o que valem na área da moda sustentável, mas também para discutir os temas que marcam o sector e, de forma inovadora, envolver os influenciadores das redes sociais nesta mudança.

«A feira é o principal ponto de interesse, onde retalhistas, especialistas de moda e expositores se juntam e se focam no negócio», explicou, ao Portugal Têxtil, Thimo Schwenzfeier, que esteve na última edição do Modtissimo (ver Modtissimo prepara crescimento) a apresentar a Neonyt. Mas, sublinhou Schwenzfeier, mais do que encomendas, a feira é um ponto de partida para a criação de uma rede de contactos. «A nossa feira, e toda a Berlin Fashion Week, não é tanto para encomendas – é mais uma plataforma de marketing, de conhecimento, de comunidade. É por isso que se vai à nossa feira e que se vai a Berlim: para conhecer pessoas, criar novos contactos e, passado algum tempo, talvez haja negócio», explicou.

Discussão aberta

Além do certame, a conferência Fashionsustain by Messe Frankfurt promete ser um dos pontos altos da estreia da Neonyt. O evento, que estará na terceira edição (ver Berlim pinta-se de verde), terá como tema a água. «Pomos muito esforço na conferência, para que seja atual e tenha oradores com conteúdo interessante», afirmou Thimo Schwenzfeier.

Em paralelo, a Neonyt conta com o “Showcase of Change”, uma área expositiva complementar, «para que possamos não só falar mas também mostrar o que está a acontecer. Por exemplo, quando convidamos a Adidas, claro que esperamos que eles tenham uma speedfactory connosco, e quando falamos da Lenzing, esperamos que eles mostrem fibras de Tencel» apontou o diretor da feira.

Piscar o olho ao digital

Com uma feira voltada para o futuro, que se quer sustentável, da moda, a Neonyt não ignora as novas gerações nem os novos meios de comunicação e, como tal, juntou tudo isto na Prepeek que dá voz aos influenciadores do século XXI.

«Há muito a acontecer no Instagram, no YouTube e nos blogues. Muitos designers e marcas de moda têm de mudar um pouco a sua atitude para esta abordagem das redes sociais. Também para nós é muito novo e não sabemos qual será o caminho para as próximas duas ou três estações, estamos ainda a tentar perceber, mas quando contactamos com estas pessoas, sobretudo esta geração mais nova, com menos de 25 anos, conseguimos ver muita inspiração e esperança. Eles estão muito envolvidos e sabem que tem de haver uma mudança na indústria da moda – e, efetivamente, eles são o nosso futuro», reconheceu Schwenzfeier. «Por isso, queremos tê-los nesta plataforma para que possam ajudar-nos a mudar e a desafiar a indústria, porque também são consumidores finais. Quando se é um influenciador com 100 mil seguidores e se diz à audiência “não comprem esta marca de fast fashion mas comprem moda sustentável”, isso terá um impacto, de certeza», acrescentou.

Portugal tem de perder a timidez

Apesar de ser encarada como uma feira mais vocacionada para as marcas, Thimo Schwenzfeier desmistificou essa ideia ao Portugal Têxtil. «É sempre uma questão de quem é o teu target quando estás num certame de moda. Somos uma feira e, por isso, temos muitos retalhistas, mas temos também muitos expositores que estão mais focados no negócio de private label e querem atrair designers», destacou. «É uma questão de posicionamento, porque quando se é um expositor e na feira se mostra peças acabadas de uma forma que é mais moda, nenhum designer de moda vai visitar o stand, apenas os retalhistas vão demonstrar interesse. Mas é algo que nós, enquanto organização, podemos dar alguns inputs aos expositores para terem as melhores soluções de apresentação», adiantou.

E neste campeonato da moda sustentável, Portugal tem uma vantagem face a outros players mundiais. «Há um potencial ainda maior do que podemos ver em Berlim atualmente no que diz respeito a Portugal. Diria que há uma grande oportunidade», admitiu Schwenzfeier ao Portugal Têxtil. «O país é uma ótima mistura de inovação e sustentabilidade e também produção e know-how. Temos muitas marcas de moda da Alemanha, do Reino Unido e da Suécia que estão já a produzir em Portugal», elogiou. Falta, contudo, uma dose de confiança às empresas nacionais da indústria da moda. «Posso comparar um pouco com a Heimtextil. No que diz respeito aos têxteis-lar, as empresas portuguesas são muito empenhadas no marketing, no branding, em como se posicionam. No que diz respeito à indústria da moda, tenho a sensação que as empresas portuguesas são, por vezes, demasiado tímidas em relação ao que já conseguem fazer. Têm tanta inovação e tantos produtos novos, mas no que diz respeito ao branding, ao marketing e a posicionarem-se como state-of-the-art, podem ser um pouco mais progressivas. Podem ser também um pouco mais agressivas… Diria que são muito tímidas», resumiu.

Por isso mesmo, para as empresas que queiram estar presentes na Neonyt – a presença está sujeita ao cumprimento de, pelo menos, 70% do catálogo de critérios estipulado pela organização –, Thimo Schwenzfeier deixou apenas um conselho: sejam mais autoconfiantes. «Os portugueses podem ser mais autoconfiantes do que já são. Isso tem de acontecer no futuro. E isso também significa ir a feiras, exibirem-se e terem uma mente mais aberta para terem contactos com pessoas de todo o mundo, porque tenho a certeza que essas pessoas estão muito interessadas na indústria portuguesa», garantiu o diretor da feira.