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”Posso medi-la?”

A estatura das pessoas nos países industrializados está a mudar rapidamente. Muitos dos tamanhos standard fornecidos pela indústria de vestuário já não servem para a generalidade dos clientes. Por esta razão, lançou-se um projecto de mediação na Grã-Bretanha para precisar as novas medidas do povo britânico. Size UK é o nome do projecto de investigação que deve ajudar a diminuir as frustrações que muitos clientes sentem quando efectuam as suas compras de roupa: os sapatos magoam, as saias não servem e as calças são largas demais. «Há muito tempo que os cortes actuais já não correspondem à constituição física dos clientes», refere Richard Barnes da Select Research, a empresa que coordena o projecto. O Size UK é um dos projecto mais caros da história da indústria de têxteis. Durante meio ano, cerca de 11.000 pessoas em oito cidades britânicas, com mais de 100.000 habitantes participaram neste projecto e deixaram que o seu corpo fosse medido através de um body-scanner. Os custos do projecto rondam os cinco milhões de euros, compartilhados entre o Ministério do Comércio e Indústria e 17 empresas interessadas. Em contrapartida as empresas obtêm um acesso exclusivo aos dados obtidos. «Esta avaliação representativa da nação já era necessária há muito tempo», afirma Richard Barnes. O cliente actual é quase um ser desconhecido para a indústria de vestuário. As suas informações sobre a estatura dos clientes baseiam-se em avaliações antigas cujos dados estão ultrapassados – na Grã-Bretanha, a última avaliação foi realizada nos anos cinquenta. Os primeiros dados provisórios da Size UK já permitem a conclusão de que os britânicos já não são como eram antigamente. A estatura das mulheres britânicas mudou bastante durante os últimos 80 anos. Apenas em termos estatísticos, as inglesas não só cresceram em altura, mas também, e sobretudo, em largura. Em concreto, aumentaram o seu tamanho de peito onze centímetros, nas ancas 15 e na cintura 22 centímetros consideráveis. «A figura tradicional de uma Marilyn Monroe desaparece e dá lugar a uma forma cilíndrica», é a conclusão de Richard Barnes sobre este desenvolvimento. Com estes resultados, os britânicos ilustram a tendência actual dos países industrializados: as pessoas noutros países industrializados aumentaram também o seu volume e o seu tamanho. Desde meados do século XIX, cada geração nova tem ultrapassado os seus antepassados em relação ao tamanho. Há 100 anos, por exemplo, o cidadão alemão médio tinha 1,67 metros de altura, hoje em dia já são mais 15 centímetros e por ano crescem cerca de mais um milímetro. Em primeiro lugar estão os holandeses. Com uma altura média de 1,84 metros são «os gigantes de Europa». Ao mesmo tempo tornam-se cada vez mais pesados: quando em 1980, apenas 10% dos jovens deste país tinha excesso de peso, hoje já é o dobro. Este desenvolvimento é válido para quase todos os outros países industrializados, desde o Japão, passando pela Alemanha até aos Estados Unidos. Se esta tendência se mantivesse assim continuamente, os alemães, por exemplo, ultrapassariam em 100 anos uma altura média de dois metros. Mas muitos especialistas são da opinião que o programa genético humano permite apenas um tamanho médio de um metro e noventa centímetros. Segundo esta teoria, no futuro as pessoas com mais de dois metros de altura vão continuar a constituir uma excepção. «Eu participo neste projecto porque tenho sempre problemas em encontrar calças que me sirvam», afirmou um homem corpulento com 76 anos de idade. «Quero influenciar a situação no mercado de roupa a meu favor com os meus dados». Pessoas como ele são muito bem-vindas na Size UK. Segundo Lutz Walter, um dos responsáveis pela investigação na Associação Europeia dos Produtores de Têxteis em Bruxelas, as pessoas mais gordas e com mais idade escapam aos padrões da indústria de vestuário. «Só um terço dos clientes estão verdadeiramente satisfeitos com os cortes da sua roupa». Para Walter, a avaliação da Size UK representa o caminho para o futuro. Mas, apesar deste avanço ainda vê muitos problemas pela frente. «Qual é o sentido de avaliações como a da Size UK, quando cada ramo nacional na Europa continua com os seus standards próprios?». Apesar do facto de toda a população da Europa ter participado na mesma vaga de crescimento, na indústria de vestuário ainda vivemos tão divididos como na Idade Média. Entretanto a fase de recolha de dados do Size UK acabou e entrou-se na fase de avaliação dos mesmos. O próximo projecto já está em preparação: ainda neste ano o Size US deve medir os cidadãos dos Estados Unidos, orientando-se pelo exemplo britânico. Neste momento não há recursos para uma avaliação europeia. Mas a indústria aproveita cada vez mais as possibilidades oferecidos pelos body-scanners, mesmo sem grandes projectos de avaliação. Porque quanto mais insatisfeitos ficarem os clientes com os tamanhos standards fornecidos pela indústria, maiores são as oportunidades para as novas empresas que oferecem “roupa feita por medida”: os clientes deixam medir-se por um scanner, escolhem um tecido e um corte e alguns dias depois recebem uma camisa feita por medida pelos correios, tudo isso por um preço que fica quase um terço mais barato do que o preço por camisas feito em série. A C&A e a empresa holandesa Possen já experimentam ofertas deste tipo. «Dentro de alguns anos, muitos clientes vão ter um cartão contendo um chip com os seus dados pessoais para encontrar mais rapidamente a roupa no tamanho certo. Isso seria vantajoso especialmente nas compras feitas através da Internet », diz Richard Barnes.