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Prada desafia conjuntura

A Prada SpA manteve-se na rota do sucesso nos primeiros nove meses do ano, ultrapassando as suas próprias expetativas, com o volume de negócios e o lucro a aumentarem e com as marcas Prada e Miu Miu a liderarem. O volume de negócios consolidado cresceu 35%, para 2,34 mil milhões de euros – o que representou um ganho de 27% a taxas de câmbio constantes –, enquanto o Ebidta subiu 50%, para 727,9 milhões de euros. Já o Ebit aumentou 59% em comparação com os primeiros nove meses do ano passado, para 612,5 milhões de euros e o lucro líquido ficou 50% acima, em 408,6 milhões de euros. A forte performance mostra como o luxo de topo é ainda capaz de produzir resultados estrelares, apesar das preocupações com um abrandamento no sector. A Prada revelou que mais uma vez foi o canal de retalho que deu o maior contributo para o crescimento do volume de negócios, com as vendas nas lojas operadas diretamente a aumentarem 43%, ou 34% a taxas de câmbio constantes, para 1,92 mil milhões de euros. Esse crescimento foi ajudado pelas 63 novas lojas que abriu nos últimos 12 meses (42 no período de nove meses), assim como um aumento de 18% das vendas comparáveis a taxas de câmbio constantes. O canal de vendas por grosso gerou um volume de negócios de 390 milhões de euros, mais 6% do que em igual período do ano passado. A Prada foi a marca com a melhor performance do grupo, com um crescimento de 39%, enquanto a Miu Miu aumentou 21%, a Church’s 15% e a Car Shoe 8%. Em termos de produtos, os artigos em pele, que registaram uma subida nas vendas de 51% no período, representam agora 63% das vendas consolidadas, enquanto o vestuário e o calçado registaram ambos crescimentos de 15%. O grupo de luxo também conseguiu um aumento de dois dígitos em todos os mercados, com o volume de negócios na Europa a subir 33%, ou 32% a taxas de câmbio constantes, graças a um «fluxo constante de turistas», e o volume de negócios na Ásia-Pacífico cresceu 41%, ou 28% a taxas de câmbio constantes. O mercado dos EUA registou um aumento de 28% (16% a taxas de câmbio constantes), enquanto o Japão registou um crescimento de 27% no volume de negócios (15% a taxas de câmbio constantes). «Tem sido mais um trimestre extremamente satisfatório. O grupo continuou a crescer a uma taxa que excedeu as nossas expetativas mas ainda foi tido bastante cuidado com o controlo de custos e a gestão do capital de trabalho», sustentou o CEO da Prada, Patrizio Bertelli. «Isso permitiu-nos melhorar ainda mais a nossa rentabilidade e liquidez. O grupo Prada mostrou novamente que tem a capacidade e o espírito de iniciativa necessários para gerar resultados positivos, mesmo no atual ambiente económico difícil», acrescentou. A empresa considera ainda haver muito espaço para crescer, uma vez que tem uma presença limitada em mercados em rápido crescimento, incluindo a Ásia, em comparação com rivais como a LVMH e a Salvatore Ferragamo. As ações da Prada – que está listada na Bolsa de Valores de Hong Kong – aumentaram 80% no ano até agora, ultrapassando o Índex Hang Seng, que subiu 21% no mesmo período. As vendas mundiais de artigos de luxo deverão crescer 5% este ano – sem efeitos de câmbio – em comparação com os 13% do ano passado, de acordo com um estudo da consultora Bain e da organização italiana de comércio de bens de luxo Altagamma.