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Prada e Ferragamo em competição

A Prada e a Salvatore Ferragamo, duas das mais antigas e prestigiadas empresas italianas de artigos de luxo, serão concorrentes em mais do que na oferta de produtos ao longo de 2008, ano em que ambas se preparam para entrar em bolsa. As empresas italianas de artigos de luxo, frequentemente ainda detidas e geridas a nível familiar, procuram o investimento externo necessÁrio para financiar a expansão internacional e assim colher dividendos do crescimento da procura de bens de designer em novos mercados como a Ásia. No entanto, a indústria estÁ sub-representada no mercado bolseiro, tornando escassas as atribuições de fundos e fazendo da entrada em bolsa um momento-chave, especialmente quando os gastos em produtos de luxo estão a abrandar entre os consumidores norte-americanos. A Prada e a Ferragamo estão a apressar a entrada no mercado de capitais antes que qualquer abrandamento ameace os ganhos significativos que a indústria tem usufruído em bolsa, como no caso da Hermès International. De acordo com o referido por um responsÁvel sectorial, a entrada em bolsa da Ferragamo estÁ mais avançada do que a da Prada, resultado da casa de moda florentina ter acelerado os seus esforços. A Prada enfrentou uma situação semelhante em 2002, antes de retroceder na entrada em bolsa, deixando o campo aberto para a Burberry que jÁ triplicou a sua capitalização em bolsa, usufruindo da vantagem de estar cotada na Bolsa de Valores de Londres. Intesa SanPaolo detém 5 por cento da Prada, pelos quais pagou 100 milhões de euros em Novembro de 2006, dando à empresa um valor base de 2 mil milhões de euros. A Ferragamo, detida pela viúva do designer de calçado Salvatore Ferragamo e pelos seus filhos, é avaliada um pouco acima dos mil milhões de euros. Em termos de receitas, a Prada registou lucros líquidos de 63 por cento em 2006 e receitas na ordem dos 76 milhões de euros de um volume de negócios de 1,4 mil milhões de euros. A Ferragamo ainda não disponibilizou publicamente os valores, mas as vendas de 2006 cifraram-se nos 631 milhões de euros, de acordo com o divulgado por um recente relatório da Merril Lynch. Embora a origem de ambas as empresas se encontrar hÁ quase 100 anos atrÁs, no fabrico de artigos em pele, a mais vasta gama de produtos da Prada e as suas incursões no mundo da vela, da arte e da arquitectura tornam-na mais conhecida internacionalmente do que a Ferragamo. No entanto como desvantagem, a Prada, propriedade do casal Patrizio Bertelli e Miuccia Prada e de suas famílias, criou algum cepticismo no mundo financeiro por jÁ ter retrocedido quatro vezes a sua entrada em bolsa desde 2001.