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Prada entra na bolsa

Se a oferta pública inicial na bolsa de valores de Hong Kong for bem sucedida, a Prada transformar-se-á na maior marca de moda europeia a entrar em bolsa há mais de uma década e na primeira empresa italiana a ser negociada na praça de Hong Kong. «Confiante na evolução do grupo, podemos agora enfrentar os próximos desafios com serenidade e aproveitar as melhores oportunidades oferecidas pelos mercados de capitais internacionais», afirmou Patrizio Bertelli, director-executivo da casa de moda. A Prada, conhecida pelos seus tecidos inovadores, estilos não convencionais e bolsas originais cancelou os planos de oferta pública pelo menos três vezes nos últimos anos, devido às fracas condições do mercado. O grupo tem por objectivo angariar pelo menos 1,2 mil milhões de euros e conseguir uma valorização de, pelo menos, 12 vezes os resultados projectados para 2011, em consonância com o sector de luxo, que está em 12,5 vezes. A empresa parece ter escolhido Hong Kong em detrimento de Milão porque acredita que pode obter uma maior valorização do que na Europa. Mas os analistas alertaram que, com esta opção, a Prada poderá sacrificar o interesse dos investidores na Europa e nos EUA. Outros também questionaram a opção. «Não gostamos de ver a cotação em Hong Kong na medida em que acreditamos que uma empresa italiana deve estar cotada em Itália», defendeu o analista René Weber na Vontobel. «É claro que existe uma grande base cliente/investidor em Hong Kong, mas estes investidores também investem em acções de bens de luxo na Europa. Por isso, nós claramente não vemos a razão para isto». A marca italiana concorre com as congéneres Dior (parte da LVMH), Hermès, Tod’s, Gucci e Balenciaga (ambas parte do PPR), bem como Lancel e Chlöe, propriedade do grupo suíço Richemont. A Prada está sob pressão dos seus banqueiros para angariar fundos que lhe permitam pagar uma dívida de cerca de mil milhões de euros. Mas a empresa pretende também usar os fundos angariados para financiar a expansão na Ásia, onde espera que as vendas ultrapassem as da Europa durante os próximos três anos. Se avançar com a entrada em bolsa, a Prada estará a seguir os passos da L’Occitane, a empresa francesa de produtos de beleza que entrou na bolsa de valores de Hong Kong no ano passado. O sector de bens de luxo registou um forte crescimento em 2010, ajudado por clientes de turismo na Europa e na China. A LVMH, líder neste sector, foi a acção com melhor desempenho no índice CAC-40 em 2010, com um aumento de 57%. O sector italiano de bens de luxo, avaliado em 60 mil milhões de euros, encontra-se sub-representado no mercado de valores. Casas de moda como a Ferragamo e a Moncler também revelaram a possibilidade de entrar em bolsa, dependendo das condições do mercado.