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Prada investe no homem

A marca com 101 anos de existência, a maior num grupo que inclui Miu Miu, Church’s e Car Shoe, anunciou que tem como objetivo duplicar as vendas de moda masculina para os 1,5 mil milhões de euros ao longo de três a cinco anos e abrir mais lojas vocacionadas para o homem. Em conjunto com a abertura de novas lojas e um aumento na capacidade de produção, a Prada comunicou aos analistas e investidores esperar que a expansão dos seus negócios de moda masculina a ajudem a regressar ao crescimento de vendas a dois dígitos em 2016. «Os homens vão ser protagonistas no nosso desenvolvimento», revelou Guilio Bruni, diretor de retalho da Prada. A empresa previu um aumento percentual de um dígito alto nas vendas deste ano e pelo menos 11% em 2015/2016. Apesar das vendas de luxo continuarem predominantemente centradas no segmento feminino, o mercado masculino está a crescer mais rapidamente, de acordo com a empresa de consultoria Bain, levando uma série de marcas a lançar mais produtos destinados aos homens. Em janeiro, a marca italiana Brunello Cucinelli divulgou que irá investir para atrair o segmento masculino. Os produtos masculinos da Prada incluem pastas de couro e fatos sob medida. Mario Ortelli, analista da Bernstein, saudou a iniciativa, considerando que «a estratégia de moda masculina poderá fornecer um impulso importante». A Prada, cujo negócio de moda masculina alcançou cerca de 800 milhões de euros de vendas no ano passado, indicou que irá abrir 50 lojas dedicadas aos homens entre 2014 e 2016, somando às 30 que detém atualmente. A empresa registou um crescimento de 9% nas vendas de 2013. No entanto, o lucro líquido subiu menos de 1% e caiu 13% em termos anuais no quarto trimestre do ano passado, face a uma desaceleração mais ampla no sector do luxo com o abrandamento da procura na China. A Prada, que mistura regularmente homens e mulheres nos seus desfiles de moda, referiu que o crescimento nas vendas do grupo para igual número de lojas foi cerca de 7% no ano passado e ficou nesse nível no quarto trimestre, em contraste com outras marcas de luxo, como Gucci e Tod’s, cujas vendas enfraqueceram no final do ano. Tendo expandido rapidamente a sua rede de retalho desde a entrada em bolsa em 2011, a Prada planeia agora investir até 450 milhões de euros este ano em diversos projetos, incluindo 80 novas lojas e 4 novas unidades industriais, que deverão abrir até ao final do próximo ano. Entre os mercados de retalho na linha de mira da Prada está a China, o que contrasta com a Gucci que abandonou alguns locais no maior mercado de bens de luxo do mundo. Sobre este objetivo, Donatello Galli, diretor financeiro da Prada explicou que «mesmo que abramos as lojas previstas nos próximos dois a três anos [na China] ainda estaremos abaixo da maioria dos nossos concorrentes diretos». A Prada tem 146 lojas operadas diretamente na Ásia, incluindo o Japão. Em 2013, as vendas na Ásia Pacífico subiram mais do dobro da taxa registada na Europa. O presidente executivo Patrizio Bertelli afastou as perguntas sobre possíveis riscos para os negócios da Prada na Rússia, onde aumentaram as preocupações devido aos problemas geopolíticos. «A Rússia é um país de 180 milhões de pessoas, com uma economia forte e consumidores que gostam do luxo», afirmou Bertelli, acrescentando que as vendas do grupo na Rússia subiram 30% no ano passado. A loja da Prada em Kiev foi temporariamente fechada durante os protestos na capital ucraniana este ano, mas já abriu novamente. Bertelli, que possui uma participação controladora na Prada ao lado da sua esposa, a diretora criativa e copresidente executiva Miuccia Prada, disse que poderiam colocar mais 5% da empresa no mercado. «Nós não avaliamos a venda de outra quota, mas a opção de analisar a colocação de 5% no futuro não deve ser descartada», concluiu Bertelli.