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Prada quer novos saltos

O grupo Prada reuniu-se com o Istithmar World para discutir a parceria entre a casa de moda italiana e a empresa detentora da cadeia de retalho de luxo Barneys no Médio Oriente. Houve conversações preliminares com o Istithmar sobre o desenvolvimento comercial no Médio Oriente», revelou o porta-voz da Prada, Andrea Gaudenzi. A evolução das conversações estÁ ligada aos planos do Barneys para se expandir», explicou. Gaudenzi referiu, no entanto, que um investimento directo na Prada pelo fundo sedeado no Dubai não esteve em discussão. Patrizio Bertelli, director-executivo da Prada, viajou para o Dubai e encontrou-se com os executivos do fundo em Milão durante o Verão, segundo revelaram diversas fontes. A Prada e os seus consultores no grupo Goldman Sachs podem estar, assim, a explorar alternativas a uma oferta pública inicial (IPO), jÁ que a instabilidade financeira torna a entrada na bolsa extremamente improvÁvel, afirmaram as mesmas fontes. Qualquer acordo que permita à Prada financiar a sua expansão de mercado nesta época de contracção económica seria uma vantagem», referiu Armando Branchini, vice-presidente da InterCorporate, uma consultora independente na Área de artigos de luxo sedeada em Milão, que não estÁ a prestar consultoria nem para a Prada nem para o Istithmar. O porta-voz da marca afirmou, contudo, que a Prada, que deixou cair três tentativas de entrar em bolsa esta década, a última das quais jÁ este ano (ver Prada adia entrada em bolsa) ainda tenciona prosseguir com uma IPO. No ano passado, uma fonte envolvida no plano revelou que uma acção de venda poderia avaliar a Prada em cinco mil milhões de euros, tornando esta na maior IPO de sempre no luxo. O fundo Ostithmar comprou o retalhista nova-iorquino Barneys em 2007 e no mês passado adquiriu 20% do Cirque du Soleil, com a procura de fundos por parte do circo canadiano para se expandir. A Goldman Sachs estÁ a desenvolver um plano de expansão para a Prada e para a IPO do grupo, o que inclui encontrar parceiros potenciais em mercados emergentes, segundo referiram as fontes. Gaudenzi, contudo, recusou-se a falar de uma possível expansão conjunta Prada-Barneys ou a comentar o papel da Goldman Sachs. Para Branchini, no entanto, se eles conseguirem um ou mais fundos com uma quota minoritÁria, podem investir a melhores preços e estarem prontos para começar quando surgir um novo ciclo económico». Bertelli, que detém 30% da empresa e é casado com Miuccia Prada, a designer da marca, referiu jÁ este mês que a marca estÁ empenhada com a IPO e estÁ apenas à espera que a instabilidade dos mercados acalme. A administração confirmou que a Bolsa continua a ser o nosso objectivo. A Prada estÁ pronta para entrar em bolsa, mas naturalmente apenas quando os mercados financeiros voltarem a níveis normais». Contudo, apesar do abrandamento económico, a Prada SpA estÁ optimista para 2008. O grupo de moda italiano, que detém as marcas Prada, Miu Miu, Car Shoe e Church, registou um crescimento aceitÁvel nos primeiros seis meses do ano. Bertelli revelou que as vendas comparÁveis a taxas de câmbio constantes aumentaram 11%, sobretudo graças ao desempenho das marcas Prada e Miu Miu. As vendas da Prada cresceram 10%, ao passo que a Miu Miu aumentou 19%. Estamos a olhar para o segundo semestre com a cautela devida, tendo em conta a performance dos mercados, continuando com o nosso compromisso de manter o crescimento das vendas a retalho, a nossa política de venda por grosso consistente com as linhas estratégicas do grupo, assim como a obtenção de um nível de rentabilidade para 2008 superior ao ano anterior», referiu Bertelli. Bertelli revelou ainda que o grupo vai continuar a expandir a sua rede de retalho com 10 novas lojas Prada e 10 novas lojas Miu Miu em cidades como Madrid, Londres, Paris, Berlim, Munique, Atenas, Kuala Lumpur, na MalÁsia, Shenzhen, na China, Kaoshiung, em Taiwan, Hiroshima, no Japão, Melbourne, na AustrÁlia, Honolulu e Nova Iorque. Isto numa altura em que Miuccia Prada mostrou a nova colecção para a estação quente do próximo ano. A marca apresentou designs que pretendem ir ao primitivo – de volta à essência das coisas – queria limpar tudo», explicou a criadora. Uma colecção com casacos justos e saias em algodão, onde tops-soutien fazem a sua aparição e onde os dourados, o branco e os padrões animais são os protagonistas. Inspirada, segundo Miuccia Prada, nas obsessões das mulheres, o desfile de apresentação causou sensação não só pelo design mas também pelas quedas e caras de pânico da maioria das manequins, numa luta difícil para se equilibrarem nos sapatos, com tiras nos tornozelos e enormes saltos plataforma.