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Prada sinaliza recuperação na Ásia

A casa de moda italiana sofreu uma queda nas vendas de 40% nos primeiros seis meses de 2020. No entanto, a Prada acredita que, caso a recuperação se confirme, poderá equilibrar as contas até ao fim do ano.

[©Prada]

O grupo de luxo está a recuperar as vendas na Ásia de forma acentuada, especialmente desde junho, depois da pandemia de Covid-19 ter chegado a provocar uma queda nas vendas de 40% entre janeiro e junho.

A receita da Prada cifrou-se nos 938 milhões de euros, a taxas de câmbio constantes, nos seis primeiros meses do ano, valor que compara com os 1570 milhões de euros obtidos em igual período do ano anterior. Estes dados ficam aquém das estimativas dos analistas, que previam uma queda de 35%.

De janeiro a junho as perdas do grupo atingiram os 180 milhões de euros, valor que compara com o lucro de 155 milhões de euros no período homólogo de 2019.

A Prada mostra-se, contudo, otimista quanto ao futuro e já anunciou que, caso a recente recuperação se confirme, o grupo pode equilibrar as suas contas até ao final de 2020, revela a Reuters.

Na base desta perspetiva positiva da casa de moda estão os dados relativos às vendas na China, que atingiram os 60% em junho e os 66% em julho. A Prada vislumbra ainda sinais encorajadores noutros mercados à medida que o confinamento abranda, ainda que a tendência na Europa permaneça «negativa em dois dígitos», devido à falta de turistas.

Em termos de comércio eletrónico, o grupo italiano registou um crescimento de 300% nos meses de junho a julho.

Patrizio Bertelli, presidente da Prada, afirma em comunicado que o «grupo está confiante de que as vendas, em geral, voltarão a crescer no segundo semestre do ano».

A exemplo do que fizeram outras marcas de luxo, a Prada procedeu a um corte de custos e de investimentos durante a crise, renegociando inclusive rendas de lojas e cancelando ou adiando iniciativas de marketing, com o objetivo de manter a estrutura financeira da empresa estável.

O presidente da Prada adiantou ainda que a rápida reabertura dos locais de produção, principalmente em Itália, e o controlo direto sobre a cadeia de abastecimento permitiram gerir os stocks de maneira eficaz.

A pandemia de coronavírus que atingiu o mercado chinês e depois se espalhou pela Europa e pelos EUA interrompeu dois anos de recuperação de vendas na Prada, fruto de um plano de recuperação focado em impulsionar o comércio eletrónico e manter as vendas.

Em fevereiro, o grupo com sede em Milão nomeou o designer belga Raf Simons para o cargo de diretor co-criativo, ao lado de Miuccia Prada, num movimento que muitos observadores da indústria veem como um caminho para uma possível sucessão.