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Pré-recessão assombra vestuário – Parte 1

Actualmente, parece existir sempre alguém a defender que a recessão está a chegar ao fim. No entanto, analisando as evidências, verifica-se que, na indústria de vestuário, muitos problemas anteriores à recessão estão agora a regressar. A queda dos preços, o aumento dos salários, o medo das medidas proteccionistas e até mesmo as condições laborais causam alguma inquietação, conforme explica Mike Flanagan, director-executivo da Clothesource Sourcing Intelligence, uma empresa britânica de consultoria dirigida à indústria do vestuário. As vendas de vestuário no retalho, na maioria da Europa, nos EUA e no Japão estão ainda abaixo dos níveis do ano passado, comparado com um período de 2008 em que as vendas já estavam fracas. Até Agosto, houve um ponto positivo entre os principais mercados ocidentais de vestuário: os retalhistas no Reino Unido foram tão agressivos nos descontos, que estavam efectivamente a vender mais roupas do que em 2008. Mas, em Agosto, também esta evolução abrandou. È verdade que as vendas de vestuário a retalho na China estão a crescer rapidamente, mas “99%” dessas vendas são roupas de fabrico chinês. Por isso, é um crescimento que não beneficia quase ninguém fora da China. Não existe quase nenhuma evidência efectiva de que os retalhistas ocidentais vão comprar mais roupa neste Outono. Os dados preliminares para Agosto mostram que o volume de importações norte-americanas de vestuário caiu 11,5% em relação a 2008, depois de registar um “mero” declínio de 6,2% em Julho. Apenas uma pequena evidência positiva até agora (embora muitos estejam convencidos que as vendas a retalho nos EUA em Setembro possam ter sido melhores): o Japão importou mais roupas em Julho deste ano do que no anterior, o primeiro crescimento anual desde há muito tempo. Mas, mesmo no Japão, havia muitas dúvidas relativamente a esta evolução, pois o valor dessas mesmas roupas caiu 11%. Está a ser gasto menos dinheiro com vestuário em quase todo o lado (excepto na China), tanto por parte dos consumidores nas lojas, como dos retalhistas e das marcas. Problemas expostos Esta queda no preço médio do vestuário está a expor muitos problemas em toda a indústria. Será por causa disso que muitos porta-vozes dos países produtores estão mais predispostos em descrever a quebra nos rendimentos do que o crescimento no volume de vendas? Na índia, segundo o Concelho de Promoção das Exportações de Vestuário do país, «as vendas de vestuário para os EUA caíram 7,7% nos primeiros sete meses de 2009». Na realidade não caíram: o valor das vendas de vestuário da índia caiu, mas o volume cresceu 5,5% nos primeiros sete meses e 10,4% apenas no mês de Julho. Deste modo, quando o secretário-geral da Confederação da Indústria Têxtil Indiana disse que «o aumento real das exportações ainda não se tornou visível», ele estava simplesmente a ser selectivo nos factos. Não é apenas para os EUA que a índia está a vender mais vestuário, mas também para a UE, onde as vendas no segundo trimestre subiram 4,4% em volume. Porquê esta selecção dos factos? Porque as associações comerciais indianas estão a tentar obter subsídios do governo, diminuição do imposto de importação sobre as fibras sintéticas e tecidos e leis laborais mais permissivas. Além disso, muitas das suas empresas estão ainda em dificuldades financeiras após os excessivos investimentos em novas fábricas ou lojas ou como resultado da apreciação da rupia. Portanto, este é um bom momento para exagerar o quanto a indústria está mal. Na segunda parte deste artigo, Mike Flanagan continua a analisar a evolução dos problemas pré-recessão no sector do vestuário.