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«Precisamos de ambientes mais amigáveis ao desenvolvimento da indústria»

Com a incerteza a afetar as exportações, César Araújo, presidente da direção da ANIVEC, analisa a situação da indústria do vestuário, as condicionantes que estão a afetar a progressão dos negócios e as ações tomadas pela associação a que preside para ajudar as empresas a navegar por águas mais agitadas.

César Araújo

As exportações da indústria de vestuário têm vivido um ano menos consistente e os últimos indicadores dão conta de um ligeiro decréscimo dos envios para mercados como Espanha, França, Alemanha e Reino Unido. No total, o sector exportou -1,3% entre janeiro e junho deste ano, uma queda que tem sido compensada parcialmente por um aumento das vendas para fora da Europa, nomeadamente para os EUA.

César Araújo, presidente da direção da ANIVEC, analisa o estado do sector do vestuário e as influências internas e externas que estão a condicionar o desenvolvimento do negócio.

O reforço da imagem positiva da indústria, mas também a possível criação de uma associação europeia exclusivamente do vestuário, que represente os interesses dos empresários junto da União Europeia face à abertura a países emergentes, são algumas das medidas que coloca em cima da mesa para ajudar as empresas a contornar a incerteza.

Como vê atualmente a indústria portuguesa de vestuário?

Com otimismo, mas reconhecendo que a indústria portuguesa de vestuário está a passar um momento de mudança de modelo. Hoje em dia, a indústria de vestuário em Portugal não pode só vender minutos. Tem que dar soluções aos clientes. Temos de ir pela inovação e de ter a consciência da sustentabilidade do produto. Depois temos uma pressão muito grande dos preços. Os custos de produção em Portugal subiram, comparativamente com outros países que estão a exercer uma concorrência, por vezes desleal, com a manipulação das taxas de câmbio e outros fatores. Portanto, a indústria está obrigada, agora mais do que nunca, a fazer um upgrade qualitativo para se afastar da competição pelos baixos preços.

As exportações, nomeadamente as de vestuário em malha, registaram uma ligeira quebra nos primeiros seis meses do ano. Que análise faz desta situação?

Resulta exatamente de haver uma pressão muito grande sobre os preços. Há países que estão a descer preços, em euros, e estamos numa fase de transição. O mercado está desequilibrado. Atualmente, o cliente tem mais alternativas na substituição de Portugal nos produtos mais sensíveis ao preço. Alguns desses países têm facilidades em introduzir os seus produtos na Europa a preços reduzidos e sem taxas aduaneiras. A Turquia voltou a ser um forte concorrente nos últimos anos através da competitividade nos custos e consegue introduzir todos os seus produtos sem taxa aduaneira na União Europeia. Mas a Europa está a abrir as portas a outros mercados, como o Bangladesh, o Vietname, o Egito e o Paquistão, que vendem produtos muito mais baratos. Não sou contra a abertura de mercados, mas é preciso criar regras. Qual é a relação de trocas entre a Europa e esses mercados? Temos que regular a forma como a indústria do vestuário é tratada na Europa.

Mas estou seguro que a indústria de vestuário de Portugal vai vencer. Para além disso, há fatores que espero que sejam menos estruturais, mais de conjuntura política, que estão a afetar o nosso sector e toda a economia europeia e mundial, que tem a ver com a guerra comercial EUA-China, que está a introduzir muita incerteza nos mercados, o Brexit, com todas as dúvidas sobre qual será a saída, e a própria Alemanha, que, com os seus excedentes comerciais, está a sofrer muita pressão por parte do atual governo americano.

A guerra comercial entre a China e os EUA tem afetado Portugal e as empresas portuguesas?

É uma guerra que está a afetar todos os países e todos os sectores. É algo que espero que seja clarificado rapidamente. Este clima de incerteza e de guerrilha comercial não gera benefícios para nenhuma economia no mundo. Precisamos de um quadro de funcionamento estável para que os negócios se desenvolvam e o investimento apareça. Contudo, há um desequilíbrio muito grande nas relações quer entre a China e a Europa, quer entre a China e os EUA. O governo americano está a pressionar a China a abrir as suas portas, porque a verdade é que a China tem feito “batota” – faz-se passar por um país em desenvolvimento, limita e controla o acesso ao seu mercado, mas tem muitas regiões mais desenvolvidas que muitos países ocidentais e, como tal, tem de abrir o seu mercado. Neste momento, esta “guerra” gera muitos problemas, mas a prazo pode gerar oportunidades, porque vai obrigar a China a abrir-se a produtos de outros países, quer dos EUA, quer da Europa.

Dentro da Europa, o Brexit é, cada vez mais, uma realidade. Qual será, na sua opinião, o impacto da saída do Reino Unido da União Europeia?

Estou muito preocupado. Conheço bem o mercado inglês, é um mercado de forte exportação para Portugal. Preocupa-me especialmente a possível imposição de barreiras alfandegárias – hoje em dia, a moda tem um ritmo muito mais rápido do que antigamente e, com a alfândega, pode gerar atrasos de uma ou duas semanas. O mesmo acontece com as vendas online, que têm ocupado um espaço maior. Há ainda a questão da desvalorização da libra, que vai afetar os negócios. É de lamentar que o Reino Unido esteja, muito provavelmente, de saída, espero que com acordo e com equilíbrio para todas as partes. Era bom que isso fosse esclarecido o mais rapidamente possível, porque acredito que, a prazo, a própria sociedade inglesa vai reconhecer as vantagens que tem em integrar novamente, no futuro, a União Europeia.

Que ações tem empreendido a ANIVEC para ajudar as empresas a lidarem com a incerteza no mercado?

Uma das coisas que a associação fez, aquando da restruturação, foi adquirir a totalidade do CENIT, o centro de inteligência. O CENIT tem uma equipa profissional e preparada para responder aos desafios da nossa indústria e ajudar os empresários. Tem promovido inúmeras ações de informação para passar competências para as empresas, com dezenas de workshops de apresentação de mercados, de feiras, de estratégias de internacionalização, no sentido de se qualificarem para o negócio mais internacional e, sobretudo, para diversificarem os mercados. Hoje, o cliente não vem a Portugal porque só existe uma, duas ou três empresas. O cliente vem a Portugal porque há um ecossistema. E o centro de inteligência é um dinamizador na criação desse ecossistema, para que as empresas, de uma forma competente e sustentada, consigam atingir novos mercados.

Que mercados considera mais promissores para a indústria de vestuário?

Uma das preocupações da ANIVEC é transmitir a mensagem aos empresários e à indústria que o nosso mercado doméstico é a Europa, com 500 milhões de habitantes. E esse é o foco. Depois temos outros mercados, como é o caso do Canadá, dos EUA, do Japão e da Coreia do Sul, que são complementos ao nosso mercado doméstico. Mas temos que entender que os EUA e o Canadá, além de serem grandes mercados, são mercados mais distantes, que exigem um investimento maior. Primeiro têm que ser fortes no seu mercado doméstico, a partir daí têm de ir a mercados como os EUA e o Canadá. Quando falamos do Japão e da Coreia do Sul, estamos a falar em países com uma sofisticação de qualidade, de dinamização e de desenvolvimento do produto, que, se não fizermos bem a Europa, EUA e Canadá, estes mercados são muito mais difíceis de conquistar. Temos que estar atentos aos novos mercados, mas não podemos começar a casa pelo telhado: temos de começar pelos alicerces e os alicerces passam por conquistar mais mercado na Europa.

Em termos externos, que fatores podem condicionar a atividade exportadora das empresas portuguesas?

Como todos sabemos, sofremos sempre de duas fontes de pressão: os aumentos dos custos internos e a evolução do câmbio do euro face a moedas concorrentes, sobretudo dos países produtores de vestuário. Estes têm sido, historicamente, os principais fatores. No entanto, há novos desafios que estão a ser colocados em torno da sustentabilidade e da economia circular que podem, e desejo que assim seja, fazer pender para o nosso lado, para os países mais desenvolvidos, mais cumpridores e com mais capacidade de gestão e inovação tecnológica como Portugal.

Outra questão é a caracterização das PME’s. De repente temos um travão que não nos permite criar mais exportação. Uma empresa que tenha mais de 250 trabalhadores está excluída dos apoios do Portugal 2020 para a internacionalização. Se os apoios são para aproximar Portugal dos países mais desenvolvidos da Europa, como podemos dizer que um conjunto de empresas, que pertencem a uma indústria de capital humano intensivo, pelo simples facto de terem mais de 250 trabalhadores, já não precisam de apoio?

E a nível interno, que fatores de competitividade o preocupam?

A subida dos custos de produção, desde a energia à fiscalidade e ao custo do trabalho. Os custos de produção só podem aumentar na medida do aumento da produtividade. Se assim não for, condenamos empresas e sectores ao insucesso. Os responsáveis políticos têm que ter mais atenção a todas as consequências quando tomam as suas decisões.

Gostaria ainda de ver mais cooperação e parcerias entre empresas, que o efeito cluster em Portugal fosse mais eficiente e eficaz – acho que é um trabalho de mentalidades que temos de fazer. Já é visível entre as novas gerações, com os novos empresários, que estão mais abertos a parcerias do que no passado, mas é algo que tem de ser reforçado.

A sucessão nas empresas é outro pronto crítico porque, sendo estas na sua maioria familiares, necessitam de garantir a adequada passagem de liderança e do saber-fazer, sob pena de perdermos empresas.

De que forma a associação tem procurado dar resposta a essas questões?

A ANIVEC tem feito inúmeras iniciativas, na sua sede, nas feiras e noutros eventos, de mobilização e promoção da cooperação entre empresas. Se há coisa que as empresas que têm trabalhado com a ANIVEC reconhecem é o que temos feito para juntar empresas, criar ambientes de colaboração em que se possa dar espaço para essa sinergia e para mais eficiência nas empresas. Acredito nesse trabalho e acho que as associações têm um papel importante para criar um clima favorável à parceria entre empresas. Também é reconhecido que a ANIVEC, dentro das condicionantes da política económica e de rendimento que os diferentes governos têm praticado, tem feito o melhor trabalho possível de encontrar soluções que consigam contrabalançar o aumento dos custos, nomeadamente os do trabalho. A ANIVEC tem sensibilizado o nosso governo que é importante criar ambientes amigáveis. É importante que o poder político olhe para as associações, neste caso sectoriais, com muito carinho, porque estas associações são locomotivas de desenvolvimento da indústria em Portugal – só organizando e criando dinâmicas e equipas profissionais, que tratem todos por igual, é que vamos conseguir com que as empresas consigam dar um salto que, sozinhas, seriam incapazes de dar. Quando trazemos pessoas do governo a visitar as nossas empresas, elas conseguem ter uma realidade diferente. E a ANIVEC não leva só às grandes, mas também às pequenas empresas, para que os responsáveis governamentais consigam ter uma perceção da realidade do tecido industrial português.

Um dos temas frequentemente abordado pelas empresas da indústria da moda é a falta de mão de obra qualificada. Como encara a ANIVEC esta questão?

É preocupante. Já há alguns anos, desde a retoma do sector, que a pressão sobre as empresas é enorme na questão do acesso à mão de obra.

O problema da mão de obra é transversal a todos. É normal num país como Portugal, com uma economia pequena e 10 milhões de habitantes, que muitos jovens se sintam atraídos para irem para países onde acham que podem fazer uma carreira com mais meios e opções. Mas hoje estamos a padecer as consequências de vários atos: o primeiro foi feito há mais de 20 anos, quando o nosso poder político desacreditou os sectores tradicionais. Ainda bem que tínhamos o Modatex (ex-Citex) e o Citeve, porque senão não tínhamos trabalhadores. Depois, quando a troika entrou em Portugal, em 2011, passou-se a ideia que o futuro dos jovens passaria pelo estrangeiro.

Para contrariar, temos feito uma campanha positiva de imagem à volta do sector, para atrair os mais jovens, que começam realmente a sentir que a indústria do vestuário tem futuro.

Preside à direção da associação desde 2015. Que balanço faz deste mandato?

Um balanço francamente positivo, de consolidação da associação. É uma associação muito antiga, faz este ano 86 anos, mas vem de uma raiz de 1826 – é uma história longa na fileira e é a única associação dedicada ao vestuário depois da fusão, em 2003, entre as duas associações que existiam para o sector: a ANIVEC e a APIV. Hoje, é uma associação que, como todas as associações com muitos anos de história, fez a sucessão geracional e temos agora uma equipa muito jovem, com empresas dinâmicas e que representam todo o sector do vestuário e respetivos subsetores. Uma das minhas maiores preocupações foi organizar o sector e que os empresários tivessem uma voz. Porque as associações pertencem aos empresários. Isto foi conseguido e hoje os industriais identificam-se com a gestão da ANIVEC.

Para além desta consolidação da associação, procuramos sempre seguir uma linha de grande abertura a todos os players que trabalham em torno deste sector.

Desde a primeira hora, estabeleci contactos com todas as entidades relacionadas com a confeção de vestuário e moda, com todos os sectores próximos, e a todos convidei para desenvolvermos parcerias, sem exceção. Queria sublinhar o que foi feito neste mandato em parceria com o sector do calçado, a APICCAPS, com o sector da ourivesaria, a AORP, e com o sector da moda, a Modalisboa, assim como com os centros técnicos, dos quais somos fundadores, o Modatex e o Citeve, em diversas frentes e, pontualmente, com inúmeras instituições, universidades e institutos públicos, entre outros. Já este ano trabalhamos com o Portugal Fashion, com uma ação específica para a promoção do vestuário de criança, e fomos mesmo um dos promotores para o trabalho em parceria que está agora a ser desenvolvido entre a Modalisboa e o Portugal Fashion.

Em matéria associativa, há quem defenda a fusão de todas as associações ligadas ao sector têxtil e ao sector do vestuário, uma ideia que tem sido rebatida por si. Porquê?

Portugal tem uma escassez de atores credíveis que possam passar a mensagem de uma forma honesta, de uma forma desinteressada, profissional e bem-intencionada e a ANIVEC tem isso tudo. O objetivo da ANIVEC é fazer o seu caminho, ajudar a sua indústria, unir o sector, unir os seus empresários. Em Portugal temos uma indústria de confeção muito forte. Só o sector do vestuário tem mais de 90 mil trabalhadores, mais de 4.000 empresas e 3,2 mil milhões de exportações, é um sector muito grande, um dos maiores do país, e que necessita de uma associação sectorial dedicada a esta indústria, sem ambições de se sobrepor a outros sectores. O sector do vestuário tem especificidades muito diferentes dos subsectores da têxtil. Mas é claro que também existem assuntos comuns com o têxtil, assim como temos também com o sector do calçado.

Se tivesse existido uma associação sectorial da confeção de vestuário e moda a nível europeu aquando da negociação da integração da China na OMC ou nos mais recentes acordos com a Europa, teriam sido acauteladas algumas situações que não foram. Por isso mesmo, estamos a analisar a constituição de uma associação europeia que defenda os interesses da indústria do vestuário na Europa e a forma como a Europa se comporta com os mercados emergentes. Não podemos competir com países onde o salário pago às pessoas é inferior a 100 dólares mensais. Por isso, essa associação poderá vir a propor soluções a nível europeu que vão permitir reclamar na UE uma defesa dos interesses de toda a indústria do vestuário. Temos vindo a conversar com algumas associações de outros países europeus e estamos a ver se realmente é viável e, sendo, qual é o momento oportuno para essa criação. O sector do vestuário necessita de uma voz mais forte em Bruxelas.

Na sua perspetiva, que modelo de associativismo deve seguir esta indústria?

Falarei pela indústria de vestuário, que deve ter uma associação única para defender os interesses específicos do sector. O que peço aos associados é que participem mais, exijam mais, proponham mais à ANIVEC. Em relação à colaboração com outros sectores de produtos de moda, como o calçado e os acessórios ou, na ótica da cadeia de fornecimento, com a indústria têxtil, há muita coisa de colaboração que pode ser feita. Esta direção da ANIVEC orgulha-se de ter um trajeto de criação de pontes, convites para a colaboração e, felizmente, muitos deles têm sido aceites. Pontualmente temos colaborado com todas as associações, sem exceção. Julgo, e estou convencido disso, que há espaço para mais colaborações e com mais profundidade. Vou continuar a desenvolver este trabalho de estabelecer pontes com todos os sectores, numa lógica de partilha e colaboração.

Como está estruturada a atividade da ANIVEC?

A ANIVEC tem duas áreas de atuação: uma é desenvolvida pelo CENIT, na área da qualificação e da internacionalização. A outra área, além do apoio jurídico permanente, está mais ligada ao produto. Nesta área, nos últimos anos, a ANIVEC tem vindo a concentrar-se na Intercolor, porque hoje na moda a cor é cada vez mais importante. Depois temos o Ginetex, que tem a ver com a informação ao consumidor sobre o cuidado com os produtos, os símbolos que mostram como é que o consumidor deve tratar a sua peça. Aí temos feito campanhas de sensibilização ao consumidor final de como é que ele deve tratar as suas peças e estamos, através do Ginetex, a criar símbolos para referenciar produtos que são reciclados ou que têm a componente de economia circular.

Fazemos ainda a representação do sector em vários organismos, quer a nível nacional e quer a nível europeu e mundial, onde apresentamos Portugal como um parceiro credível, um parceiro sofisticado e que consegue produzir produtos de valor acrescentado. Esse é o nosso foco, criar valor ao sector do vestuário português.

Quais serão as prioridades da associação para o futuro?

Hoje não basta pretender produzir bem, é preciso ter condições. E com esta vaga de exigências a diferentes níveis, quer social, quer na igualdade do género, quer com o ambiente e a sustentabilidade, há um mínimo de certificações que as empresas têm que ter. A não terem, os clientes não compram. Por isso, uma das nossas preocupações é ajudar as empresas a conseguirem as competências e as certificações que lhes permitam crescer, exportar e ter as condições mínimas que os clientes exigem.

Além disso, temos o problema das marcas próprias. A verdade é que Portugal tem uma indústria de vestuário que poderá ser considerada uma das melhores do mundo, quer em termos de tecnologia, quer em termos de sofisticação no desenvolvimento do produto, quer na rapidez com que desenvolve novos produtos e novas matérias-primas. Mas, o online vai ocupar uma grande fatia da forma como o consumidor final adquire os seus produtos. Se Portugal não conseguir, lentamente, dar esse passo, o que vai acontecer é que quanto mais cresce o online, mais reduzimos a nossa imagem perante o nosso cliente. Uma das questões que inibe isso é que o desenvolvimento de novas marcas pode ser feito através de startups que inovem e que possam também trazer algum valor à indústria. Mas quando uma empresa não-PME participa numa startup, essa startup perde a possibilidade de concorrer a apoios do Portugal 2020, o que não faz sentido.

Temos que fazer uma reflexão sobre o que queremos para Portugal e para o nosso sector nos próximos 10 anos. Esse é um dos trabalhos que a ANIVEC está a desenvolver junto do poder político.

Que expectativas tem para a evolução da indústria de vestuário portuguesa no curto e médio prazo?

Estou otimista em relação ao futuro e a ANIVEC trabalha todos os dias para que o sector tenha futuro.

O problema que temos tido na indústria de vestuário é a rapidez dos acontecimentos que influenciam o nosso negócio, mas aos quais somos alheios: o Brexit, por exemplo, aconteceu e não o prevíamos; a desvalorização da moeda da Turquia, não temos como a controlar. Procuramos preparar o futuro, mas não conseguimos antecipar todos os factos. Mas a verdade é que a indústria do vestuário em Portugal tem conseguido adaptar-se com muita perspicácia. O facto de termos um grande histórico, com muitas empresas de raiz familiar, muita competência e flexibilidade permite-nos estar preparados para o futuro. Mas precisamos de ambientes mais amigáveis ao desenvolvimento da indústria. E a nossa indústria deve merecer mais atenção, porque é uma indústria criadora de riqueza, geradora de exportações e de emprego.