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preciso apostar na moda portuguesa

Os estilistas portugueses estão a ser fortemente prejudicados devido à forte concorrência das marcas estrangeiras que vão entrando sistematicamente nas lojas e grandes superfícies comerciais. À excepção de Anabela Baldaque, que assinou um excelente contrato com o El Corte Inglés, dando-se ao luxo de desfazer um outro que mantinha em Nova Iorque, são poucos os criadores portugueses que hoje vêem a sua vida a correr-lhes bem. «Apesar de ter vindo a aumentar, o público da moda portuguesa é escasso. O poder de compra também», afirma Eduarda Abbondanza, da Associação ModaLisboa. E estando na União Europeia, é também inevitável a abertura do mercado nacional a marcas estrangeiras. Por isso e segundo a mesma, «é urgente não perdermos terreno a apostarmos numa expansão forte e decidida, como estão a fazer a Charles e a Lanidor – duas empresas que estão no bom caminho». No que diz respeito à expansão, Portugal está ainda atrasado. Há portanto que seguir o exemplo da Faculdade de Arquitectura de Lisboa, que tal como a Universidade da Beira Interior, têm estado atentos às questões que dizem respeito ao mercado comum e empenhados em defender não só o nosso território como a expansão dos nossos serviços e produtos. Num país onde a indústria têxtil tem o peso que tem, e onde as escolas de design de moda e manequins são mais que muitas, não se percebe muito bem porque é que Portugal ainda não conseguiu impôr os seus modelos no país e além-fronteiras, ao contrário do que tem acontecido com algumas das mais prestigiadas marcas internacionais. Não é difícil perceber que estamos perante uma autêntica invasão de marcas estrangeiras, ao reparar nos nomes das lojas existentes nos shoppings e ruas das cidades, tais como Adolfo Dominguez, Massimo Dutti, Carolina Herrera, Armani, Zara, Cortefiel, Lacoste, etc… Um bom exemplo do que se tem vindo a falar, são as receitas do grupo Cortefiel, consolidadas em 30 de Novembro de 2001 e que ascenderam a 533 milhões de euros, um aumento de 19% comparativamente ao igual período do exercício anterior. Este grupo iniciou a sua actividade em Portugal há 10 anos, com a abertura ao público da sua primeira loja, na Avenida Guerra Junqueiro, em Lisboa. Hoje, possui 60 lojas no nosso país e emprega mais de 700 pessoas nos vários estabelecimentos das marcas Cortefiel, Pedro del Hierro, Springfield, Women’Secret e Milano, entre outras. Enquanto as marcas estrangeiras vão continuando a abrir lojas em Portugal, nos bastidores da moda portuguesa fazem-se contas à vida, e os jovens estilistas, impossibilitados de trabalhar no mercado do vestuário, tentam a sua sorte no estrangeiro ou optam por outras profissões. Assim, só nos resta concluir que perante este cenário, falta ainda a Portugal apoios, imaginação e coragem. Com um potencial tão elevado como tem o nosso mercado, este devia ser analisado pelo Governo no sentido de o rentabilizar e o desenvolver o mais possível.