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Preços do algodão com tendência de subida

A forte procura por parte da indústria, depois da estagnação em 2020 devido à pandemia, deverá levar os preços do algodão a aumentarem até ao final do ano, devendo chegar aos 1,72 dólares por quilo no último trimestre, segundo as projeções da IndexBox.

[©Flickr/Kimberley Vardeman]

A recuperação da indústria têxtil e vestuário no pós-pandemia está a aumentar a procura por algodão, com uma taxa de crescimento superior à da oferta. Isso deverá levar a uma redução nos stocks mundiais da fibra e, consequentemente, a preços mais elevados, de acordo com o novo estudo da IndexBox, “World – Cotton Lint – Market Analysis, Forecast, Size, Trends and Insights”.

Os stocks mundiais de algodão desceram para o valor mais baixo em três anos, avança o estudo, que refere que embora a produção de algodão deva aumentar 5% em 2021, a procura vai ultrapassar a oferta – a médio prazo, o principal motor de crescimento no mercado de algodão será a procura por têxteis por parte de uma crescente população mundial.

A IndexBox cita um relatório do Banco Mundial que revela que o preço médio do algodão em bruto no primeiro trimestre de 2021 foi de 1,64 dólares (cerca de 1,38 euros) por quilograma, o que é 3% superior ao preço médio em 2020. No quarto trimestre de 2021, os preços deverão subir para 1,72 dólares por quilo.

«Apesar da dinâmica positiva, a produção de algodão em 2021 não vai regressar aos níveis recorde de 2019», ressalva a IndexBox. Condições meteorológicas favoráveis e um aumento na área de cultivo deverão contribuir para um aumento da produção nos EUA, Brasil, Austrália e Paquistão. «A China, por outro lado, vai baixar a produção de algodão e dar lugar à Índia como principal produtor, com uma quota de 24% do total mundial», afirma a IndexBox.

Do lado da procura, as taxas de crescimento mais elevadas são esperadas no Paquistão, Índia, Bangladesh, Vietname, Turquia e China. «Os primeiros quatro países estão a tornar-se pontos centrais para a indústria têxtil mundial devido à mão de obra barata. Na China e na Turquia, o aumento do rendimento da população irá tornar a produção menos competitiva», refere o estudo, acrescentando que, ainda assim, a oferta de algodão chinês não será suficiente para suprir as necessidades do mercado interno, devendo levar a um aumento das importações por parte da China.

Fibras concorrentes travam crescimento

A forte concorrência de outras fibras naturais funcionalmente semelhantes, como o cânhamo ou o linho, assim como de matérias-primas sintéticas deverá travar o crescimento do mercado.

[©Pxhere]
«O cânhamo é mais conveniente de cultivar do que o algodão e consome cinco vezes menos água, ao mesmo tempo que a produção de algodão é considerada ambientalmente prejudicial porque usa grandes quantidades de inseticidas. Em alguns países, é alegadamente usado trabalho forçado nas plantações de algodão. As questões ambientais e as violações dos direitos laborais levaram a uma maior atenção do consumidor ao lado ético do mercado do algodão», aponta a IndexBox, que sublinha que isso está a «forçar as grandes empresas de vestuário a mudarem as cadeias de aprovisionamento para fornecedores de algodão com um passado ambiental e ético comprovado e rastreável».

A criação de tecnologia de reciclagem de algodão eficiente em termos de custos tornou-se, por isso, ainda mais importante, refere a IndexBox, já que a reciclagem da fibra reduz significativamente o consumo de água.

Comércio internacional caiu em 2020

Em 2020, as exportações de algodão baixaram 9,2%, para 8,1 milhões de toneladas, pela primeira vez desde 2016, pondo fim a uma tendência de crescimento de três anos. Em termos de valor, os envios de algodão diminuíram para 13,1 mil milhões de dólares no ano passado, segundo as estimativas da IndexBox.

Os EUA, com 3,8 milhões de toneladas, foram o principal exportador de algodão, com uma quota de 47%, seguindo-se a Índia (965 mil toneladas) e o Brasil (865 toneladas) – em conjunto, estes dois países representam 23% das exportações mundiais. Benim, Grécia, Costa do Marfim, Burkina Faso, Nigéria, Austrália e Uzbequistão representam, em conjunto, mais 19% do mercado.

[©Pixabay]
Em termos de valor, os EUA ocupam também a primeira posição, com 6 mil milhões de euros, seguindo-se a Índia (1,4 mil milhões de dólares).

As importações de algodão, por seu lado, registaram uma queda mais acentuada (-16,8%, para 7,1 milhões de toneladas, equivalente a 12,2 mil milhões de dólares) em 2020. A China foi a principal importadora, com 1,9 milhões de toneladas, seguida do Vietname (945 mil toneladas), do Paquistão (819 mil toneladas) e do Bangladesh (726 toneladas).

O preço médio das importações de algodão rondou os 1.706 dólares por tonelada em 2020, o que representa uma descida de 5,3% face ao ano anterior.