Início Destaques

Preços do algodão mantêm alta em 2022

Depois de terem subido dramaticamente na época 2020/2021, os preços do algodão vão provavelmente continuar a subir em 2021/2022, de acordo com o ICAC, mas de forma menos evidente, graças ao aumento da produção e dos stocks finais, permitindo que os valores fiquem abaixo do recorde registado em 2010/2011.

[©Unsplash/Karl Wiggers]

De acordo com a informação veiculada pelo ICAC – International Cotton Advisory Commitee na newsletter de dezembro, a próxima época de comercialização de algodão parece promissora para os agricultores, já que os preços elevados deverão manter-se. «A tendência de ligeiro crescimento continuou na época 2020/2021 e não abrandou à medida que entramos na colheita de 2021/2022. O atual preço do algodão está ainda a um nível que não era visto em mais de 10 anos», refere o ICAC.

A organização, que reúne países produtores, consumidores e comerciantes de algodão, salienta a grande volatilidade da matéria-prima, tendo em conta que, sendo um produto agrícola e estando envolto em incerteza relativamente à produção, consumo, condições meteorológicas e pestes, a que se soma a pandemia, há uma grande volatilidade dos preços. «A elevada volatilidade nos preços deverá prosseguir no resto da época de 2021/2022, mas é pouco provável que o preço continue a subir muito mais do que o ponto atual», aponta.

O ICAC prevê, por isso, que a situação fique longe do que aconteceu em 2010/2011, quando o preço do algodão atingiu cerca de 2,43 dólares por libra, um valor que resultou de vários fatores, desde a redução substancial da produção mundial na época anterior em comparação com o consumo, passando por inundações no Paquistão, que destruíram a colheita, até ao aumento da procura por parte da China e à especulação nos mercados de commodities.

«Ao contrário da época 2010/2011, os stocks finais mundiais para a época 2020/2021 estão em 20,35 milhões de toneladas, em comparação com 9,31 milhões de toneladas de stocks finais mundiais em 2009/2010», destaca a organização. «Tendo em conta que os stocks finais de 2020/2021 são mais altos do que nas três épocas anteriores, com a exceção de 2019/2020, isso sugere que os stocks iniciais para 2021/2022 são atualmente suficientes para acomodar a procura das fiações, que se estima que seja saudável na época 2021/2022», acrescenta.

[©Unsplash/Trisha Downing]
O ICAC estima ainda que a produção mundial aumente nesta época, para 25,73 milhões de toneladas. «Em comparação com o consumo, as estimativas de produção neste momento da época mostram que a oferta é suficiente para a procura estimada», sublinha. Aliás, indica, «a produção mundial parece equiparar-se ou até ultrapassar o consumo, numa altura em que as previsões para o consumo mundial estão a aumentar».

Em novembro, a organização antecipava um aumento de 6% da produção em 2021/2022 comparativamente à época anterior, impulsionada pelos EUA, Brasil e Paquistão, três dos cinco maiores produtores mundiais. Uma visão confirmada pelo Departamento de Agricultura dos EUA e pela Cotton Inc. Por isso, resume o ICAC, «revisões favoráveis para a produção em 2021/2022 e níveis suficientemente altos de stocks mundiais finais em 2020/2021 vão continuar a apoiar o aumento da procura».

Tendo isso em conta, a expectativa do ICAC é que os preços continuem moderadamente elevados no resto da época 2021/2022, antecipando que varie de 0,91 a 1,19 dólares por libra, com um valor médio de 1,03 dólares por libra.