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Première Vision de olho no futuro

Acompanhando o desejo dos europeus por moda mais responsável, a feira de Paris coloca em destaque na próxima edição, que se realiza de 11 a 13 de fevereiro, o lado mais ecológico e inovador da moda.

De acordo com o estudo realizado pelo IFM-Première Vision Chair, apresentado em setembro de 2019, quase metade dos consumidores europeus afirma ter comprado produtos de moda responsável em 2019. Só em França, 46% dos consumidores que adquiriram produtos de moda ecologicamente responsáveis deverão ter gasto, em média, 370 euros em artigos de moda (vestuário e calçado) no ano passado, segundo o inquérito.

É a esta nova realidade do mercado que a Première Vision Paris procura responder. «O nosso papel na Première Vision é ajudar a indústria de moda internacional na sua mudança para moda desenhada de forma ecológica, alinhada com as expectativas do consumidor. Foi por isso que colocamos a responsabilidade ecológica no centro de todas as nossas iniciativas e na frente e no âmago do nosso principal evento, a Première Vision Paris», explica Gilles Lasbordes, diretor-geral do certame.

Uma das medidas passa pela presença, em todas as edições da feira, da Smart Creation Area, um espaço dedicado à criação responsável que, até aqui, estava apenas reservada à edição de setembro. Em fevereiro, esta área conta com a exposição “Mutations”, que explora a ligação entre a tecnologia e a natureza, mas também com os expositores mais inovadores em termos de desenvolvimentos tecnológicos. No total, esta área vai acolher 54 expositores, entre os quais 43 com artigos responsáveis e 11 com tecnologia inovadora para a moda.

Portugueses “verdes”

Portugal não passa ao lado da Smart Creation Area, que recebe a estreante Adalberto e as repetentes RDD e Tintex. «É o primeiro ano em que, além de sermos expositores, vamos também estar presentes nesta área», confirma Susana Serrano, CEO da Adalberto, que adianta que a empresa terá quatro artigos inovadores em destaque, «todos eles à base de matérias-primas recicladas com acabamentos funcionais», o que eleva as expectativas para esta edição da Première Vision Paris. «As pessoas hoje procuram diferenciação e personalização e é isso que queremos oferecer aos clientes. É a personalização e a diferenciação de acordo com a suas necessidades. Portanto, estamos com muitas expectativas», afirma ao Jornal Têxtil.

A inovação, de resto, vai marcar a presença portuguesa na feira. A Crispim Abreu, por exemplo, pretende aproveitar os milhares de visitantes internacionais que acorrem a Paris Nord Villepinte para apresentar o TraceThread, um programa que «permite às marcas conseguir um processo totalmente rastreável, desde a plantação do algodão até à peça final», revela o diretor-geral, João Abreu, que se mostra confiante para esta edição do salão de tecidos. «As expectativas são sempre as melhores, temos sempre a ambição e a motivação para que seja uma boa feira. Acho que temos que ter expectativas positivas, sobretudo porque estamos todos com vontade que 2020 seja melhor que 2019», admite.

Também a LMA vai para Paris com “munições verdes”. «Vamos tentar levar propostas dentro da sustentabilidade mas com um espírito moda», adianta a administradora Alexandra Araújo, que reconhece que a Première Vision «é uma feira muito boa, com muitas visitas», nomeadamente de «muitos designers, startups, ideias e produtos novos. Aprende-se bastante nesta feira, mas também se ensina muito».

Estreias nacionais

A presença portuguesa na Première Vision Paris contabiliza, para esta edição, 64 expositores: seis na Yarns (fios); 33 na Fabrics (tecidos); seis na Leather (couro); quatro na Accessories (acessórios); 10 na Manufacturing – Proximity (confeção de proximidade); três na Manufacturing – Leather (confeção de couro) e duas na Manufacturing – Knitwear (malhas fully fashion). Entre estes, três participam pela primeira vez no certame: a Anjos e Lourenço e a Juvema na Manufacturing – Proximity e a João & Feliciano na Fabrics. No total, a Première Vision Paris antecipa a presença de 1.755 expositores de 48 países, 148 dos quais novos.

O salão parisiense propõe ainda 12 fóruns de tendências com materiais inspiradores, a pensar na primavera-verão 2021, e um programa paralelo completo, onde se destaca uma série de conferências dedicadas à responsabilidade ecológica, incluindo uma apresentação sobre sourcing responsável por parte de Gildas Minvielle, diretor do Observatoire de l’Institut Français de la Mode, que terá lugar no dia 12 de fevereiro, às 17h.