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Première Vision não descura segurança

O salão parisiense, que abarca toda a indústria, dos fios à confeção, está a avançar com a edição física, mas, sem esquecer a pandemia que o mundo vive, procura reforçar os planos de contingência e as medidas de segurança necessárias para assegurar a boa saúde de expositores e visitantes.

A Première Vision vai atribuir uma acreditação digital e distribuir gel desinfetante e máscaras durante o certame, estando ainda a proceder à revisão do layout para garantir o distanciamento social e a gestão do tráfego de pessoas dentro do centro de exposições Paris Nord Villepinte.

A organização refere que a edição física, que terá lugar de 15 a 17 de setembro, será ainda impulsionada por uma feira digital gratuita, que terá lugar nas mesmas datas.

O objetivo desta versão online – que será acessível no Première Vision Marketplace – é aumentar a visibilidade da oferta dos expositores a uma audiência internacional mais vasta de compradores um pouco por todo o mundo.

«A decisão de organizar este evento, que é, antes de mais, físico, e os nossos investimentos em novos desenvolvimentos pensados para otimizar o nosso marketplace, e, de forma geral, o serviço que prestamos a todo o mercado global, são testemunhos do nosso empenho em ajudar toda a indústria a encontrar-se novamente, a pôr-se de pé e a começar a sua recuperação», afirma Gilles Lasbordes, diretor-geral da Première Vision. «Estamos determinados a permitir aos produtores que depositaram a sua confiança em nós que mantenham contacto direto com os seus clientes», garante.

Gilles Lasbordes

A organização tem procurado formas de apoiar as empresas da indústria têxtil e vestuário nesta altura difícil, reforça Gilles Lasbordes. «Tomamos rapidamente medidas a favor dos nossos expositores, incluindo a facilitação dos termos e condições gerais de venda, inscrições mais tardias, etc. Em meados de março, também começámos a oferecer os serviços do nosso marketplace gratuitamente. Hoje, estamos a dar um passo em frente com novos investimentos em tecnologia digital para complementar e multiplicar as forças e vantagens do evento físico. É uma mudança que temos todos de fazer para apoiar e acelerar a transformação da nossa indústria», explica o diretor-geral da Première Vision.

Aposta na informação

Durante os últimos meses, a Première Vision tem igualmente apostado na disseminação de informação relevante, quer de moda, quer de negócios. No website da feira, é possível encontrar as direções para o outono-inverno 2021/2022, assim como podcasts com intervenientes na indústria e tendências de mercado.

Num artigo sobre o impacto na indústria de moda francesa, Gildas Minvielle, diretor do Première Vision – Institut Français de la Mode Chair, aponta os efeitos negativos da crise, como a queda das vendas, mas também um lado mais positivo, nomeadamente ao nível da digitalização.

Gildas Minvielle

«O esperado aumento nas vendas online, a utilização mais vasta das redes sociais e novas formas de estruturar o trabalho para uma parte da população mostraram que a economia está pronta para acelerar o ritmo da digitalização. Esta transformação pode tornar possível evitar algumas viagens desnecessárias graças ao crescimento da videoconferência e, mais importante, pode ajudar a melhorar a nossa produtividade», aponta o também diretor do observatório económico do Institut Français de la Mode (IFM).

O IFM traça ainda três cenários possíveis para o resto de 2020: o mais otimista antecipa uma queda de 17%, o mais provável aponta para uma descida de 20% e o mais pessimista prevê uma quebra de 25%. «Há muitas incertezas tanto quanto à duração da crise como à possibilidade um eventual “regresso ao normal”», admite Gildas Minvielle, sublinhando ainda que «atualmente, uma mudança no comportamento do consumidor não pode ser descartada».