Início Destaques

Première Vision reforça sustentabilidade

A feira parisiense publicou um white paper sobre moda e sustentabilidade em mais uma iniciativa para acompanhar as movimentações da indústria para a eco-responsabilidade. Um documento que reforça o seu papel nesta área, a somar às diligências durante as edições da Première Vision Paris, como a área Smart Creation.

[©Première Vision/François Durand]

«Face aos atuais desafios climáticos prementes, a indústria da moda está empenhada e é inovadora, inventando e reinventando-se para reduzir a sua pegada ambiental através de métodos de produção que incorporam circularidade e sustentabilidade. Nos últimos anos, a consciencialização e o empenho dos principais players da indústria, juntamente com uma mudança nos hábitos dos consumidores, levaram à implementação de soluções concretas para alimentar uma moda mais ética e responsável», refere a primeira parte do white paper Fashion & Sustainability da Première Vision.

Composto por duas partes, que estão disponíveis online para download gratuito, o documento está dividido nos capítulos rastreabilidade, biodegradabilidade, reciclagem, biosourcing e circularidade, certificações de sustentabilidade, fibras naturais, fibras artificiais, desporto e tecnologia, couro, denim e acessórios.

De acordo com a feira parisiense, o documento «foi pensado para dar as chaves para uma indústria da moda mais sustentável e criativa, uma referência de informação para complementar as iniciativas de eco-responsabilidade da Première Vision», que incluem a área Smart Creation, criada em 2015, onde é destacada a oferta responsável que combina criatividade, inovação e sustentabilidade. «O objetivo é criar novas perspetivas e novas vantagens competitivas para toda a indústria da moda e, assim, novos desenvolvimentos e oportunidades de crescimento», justifica a organização.

A sustentabilidade é, de resto, «um forte compromisso prioritário» para a Première Vision que, além da Smart Creation, tem um novo fórum dedicado à inovação ecológica com uma seleção dos produtos mais criativos e responsáveis dos expositores presentes para guiar os visitantes na sua demanda por um sourcing responsável e, ao mesmo tempo, promover estes desenvolvimentos.

[©Première Vision/Alex Gallosi]
A organização da feira criou ainda um sistema de códigos de performance, tanto para a edição física da Première Vision, como para o marketplace digital, para facilitar a vida dos compradores que querem encontrar produtos mais amigos do ambiente, com os artigos agrupados por materiais orgânicos (os que têm mais de 50% de materiais orgânicos naturais), polímeros de base bio (materiais sintéticos obtidos com um mínimo de 30% de recursos renováveis de base bio), material reciclado (com mais de 30% de matérias-primas recicladas, naturais ou sintéticas) e acabamentos com impacto químico reduzido (onde se incluem tratamentos, tingimentos, estampados e acabamentos com uma menor utilização de químicos).

Para além destas iniciativas e da diversa informação disponibilizada, que inclui podcasts, conferências e estudos realizados em conjunto com o Institut Français de la Mode (IFM), a Première Vision tem ainda colocado a responsabilidade social corporativa no centro dos seus esforços, aponta em comunicado, destacando a aposta na separação de resíduos e na reciclagem, assim como na redistribuição de produtos alimentares não vendidos, através, por exemplo, da Cruz Vermelha.

Mudanças em curso

A próxima edição da Première Vision Paris está agendada para 5 a 7 de julho, sendo a primeira vez que a feira concretiza a antecipação das datas da segunda edição do ano, já anunciada em 2020.

«Revimos as datas da feira para melhor responder às necessidades e principais exigências do mercado. Antes da pandemia, pedimos ao Institut Français de la Mode para estudar como as marcas europeias preparavam as coleções. Quisemos compreender quando procuravam materiais e quais seriam as datas ideais da feira para elas», revela Gilles Lasbordes, diretor-geral da Première Vision, na revista da feira. «Para 70% das marcas inquiridas, abrangendo todas as gamas e perfis, o período ideal era o início de julho. Para nós, é uma grande mudança no nosso posicionamento, porque vamos ter a feira no início do processo de construção das coleções, quando está em curso a pesquisa por tecidos, peles e acessórios que estarão no centro da estação seguinte», explica.

[©Première Vision/François Durand]
Uma mudança importante, mas que não será a última, segundo o diretor-geral. «A feira está constantemente a adaptar-se para responder às mudanças e expectativas no sector, e particularmente neste contexto turbulento. Atualmente, em que estamos a emergir da crise do covid, o nosso foco está em retomar os nossos serviços e criar outros para cumprir as novas expectativas dos nossos parceiros, tanto expositores como visitantes», afirma Gilles Lasbordes, que garante que «iremos ainda mais longe para acompanhar a transformação do sector e trabalhar por uma indústria da moda sustentável e uma redução dramática nas emissões de gases com efeito de estufa».