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Première Vision une fileira lusa

A mais recente edição da feira parisiense provou, novamente, o sucesso da estratégia de juntar sob um mesmo teto toda a fileira moda e reuniu consensos, nomeadamente junto dos 62 expositores portugueses de fios, tecidos, acessórios e vestuário, que mostraram a força do “made in Portugal”.

Paris continua a ser a grande montra dos têxteis nacionais para o mundo e, apesar dos seus 45 anos, a mais recente edição da Premiére Vision Paris, que decorreu de 13 a 15 de fevereiro, revelou ser capaz de manter a sua atualidade e pertinência, especialmente para os produtores portugueses.

A junção de toda a fileira num só evento tem ganho cada vez mais adeptos, como provam os números – 54.500 visitantes e 1.725 empresas expositoras – e as opiniões recolhidas pelo Portugal Têxtil.

Marco e César Araújo (Calvelex)

«É importante que as empresas portuguesas se mostrem no mercado global e que consigam projetar os seus negócios, em conjunto, desde o produtor do tecido ao produtor da peça de vestuário», afirma César Araújo, presidente da Anivec – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção e administrador da empresa de confeção Calvelex, que marca presença na Première Vision Manufacturing há dois anos. «Este anos estamos a notar uma aproximação muito maior de compradores que, além dos tecidos, vieram também ver a parte da confeção. Está a trazer mais gente, nota-se que há um crescimento maior», reforça Marco Araújo, administrador da Calvelex.

Carlos Moura Guedes, Diana Mendes, António Moura Guedes e Catarina Lima (Marfel)

«Esta é uma feira a nível mundial, talvez a mais importante neste sector e estamos todos muito juntos – fios, tecidos, acessórios, confeção. É uma feira extremamente bem organizada e de projeção a nível europeu e mundial. Portanto é um investimento que vale a pena», confirma António Moura Guedes, administrador da Marfel, presente no salão Première Vision Manufacturing, dedicado às empresas de confeção.

António Falcão (Têxtil António Falcão)

Do lado dos fios, mesmo quem chega pela primeira vez, como foi o caso da Têxtil António Falcão, concorda que a feira é um trampolim para impulsionar os negócios. «Não fomos com a expectativa de ter grandes encomendas ou até encomendas, porque era uma primeira presença, mas estamos muito satisfeitos, contamos voltar e, então aí, ter um stand maior e uma gama de produtos mais alargada. Estamos muito otimistas em relação a resultados. Vários contactos estrangeiros que fizemos já estão a pedir amostras, muito entusiasmados, porque realmente apresentámos produtos muito interessantes», revela ao Jornal Têxtil António Falcão, presidente do conselho de administração da Têxtil António Falcão.

Carina Ferreira e Rita Fernandes (Inovafil)

E os repetentes também foram unânimes. «Na nossa ótica esta é a feira mais importante do sector. Os clientes vêm visitar-nos, acabamos por ver novas tendências, é uma montra boa para a nossa coleção e mostrarmos tudo aquilo que podemos fazer», explica Rita Fernandes, administradora da Inovafil, que recebeu nesta edição contactos dos mercados tradicionais mas também algumas surpresas. «Recebemos um cliente do Chile. Não é um mercado habitual na Première Vision Yarns e pareceu-me interessante», indica Carina Ferreira, comercial da empresa.

João Almeida (JF Almeida)

Também a JF Almeida fez a ponte para a América Latina, mas mais a norte. «Tivemos alguns contactos, alguns agentes novos e também novos mercados. Já demos preços para o México, um grande armazenista que diz que ninguém propõe este tipo de fios», refere João Almeida, administrador da JF Almeida. «Além do negócio do México, temos um agente de Marrocos que poderá ser muito interessante, tanto para o fio tingido como para o fio estampado, não só pelo preço mas porque eles querem produto europeu e não se importam de pagar mais», justifica.

Tecidos para todos os gostos

Na Première Vision Fabrics, que agrupa a maior parte dos expositores portugueses (31), a inovação e criatividade das propostas para a primavera-verão 2019 conquistaram os visitantes internacionais e, durante três dias, foi um corrupio de reuniões e contactos.

Manuela Araújo (Lemar)

«Tivemos sempre o stand cheio de visitantes, mas sobretudo pessoas com vontade de comprar, de ver e de apreciar as nossas novidades que, francamente, são extraordinárias», assume a CEO da Lemar, Manuela Araújo, que acolheu muitos americanos, chineses, japoneses e espanhóis, para além dos visitantes da casa.

Ricardo e Mário Jorge Silva (Tintex)

«As marcas já nos visitam regularmente, pois começamos a ser uma obrigatoriedade para muitos compradores da feira», reconhece Mário Jorge Silva, CEO da Tintex, que dá conta de contactos de marcas como a Arket, COS, Burberry e Patagonia. «Esta feira, com este stand desta dimensão e esta disposição, está realmente a mostrar um grande potencial, porque somos diferenciadores face à estrutura que já está na Première Vision Fabrics», acrescenta Ricardo Silva, administrador da empresa de Vila Nova de Cerveira.

António, Gabriela e Paulo Melo (Somelos Tecidos)

«Continuamos a fazer aquilo que sempre fizemos que é qualidade, design e coleções que realmente deixam as pessoas entusiasmadas e com vontade de comprar o nosso tecido», justifica, por seu lado, Gabriela Melo, diretora de criação e design da Somelos Tecidos.

Teresa Pereira e Luís Emílio (Citeve)

A criatividade nas propostas portuguesas pôde ser vista no Fórum de Tendências From Portugal, uma iniciativa da Associação Selectiva Moda concretizada em colaboração com o Citeve, que junta no mesmo espaço amostras das propostas “made in Portugal” presentes na Première Vision Paris. Nesta edição, o stand pintou-se de vários tons de verde e laranja «para representar uma espécie de floresta, um ambiente meio tropical, mas não o tropical já muito visto», elucida Luís Emílio, designer de moda do Citeve. «Nos tecidos, a Somelos Tecidos está com misturas muito interessantes, com algodões e misturas com linho e lurex. Misturas para verão, pouco utilizadas mas que resultam muito bem, Em relação às malhas, a LMA continua a trabalhar muito bem todo o lado de desporto relacionado com a moda, tanto a nível de cor como de estrutura e de acabamento. A Tintex também está com malhas muito interessantes com novos acabamentos e toques», destaca, ao Jornal Têxtil, a diretora de moda do Citeve, Teresa Pereira.