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Presidente do LVMH põe o pé na Birkenstock

A marca alemã de calçado vai vender uma quota maioritária à private equity L Catterton e afiliadas, incluindo a Financière Agache, a empresa de investimentos do presidente do grupo LVMH, Bernard Arnault, num negócio que avalia a Birkenstock em 4 mil milhões de euros e que servirá para expandir as suas atividades.

[©Birkenstock]

O investimento vai permitir à produtora de calçado crescer em mercados como a China e a Índia, indicou a Birkenstock em comunicado. Na Europa e na América, a marca planeia investir nas suas unidades produtivas na Alemanha e expandir as operações de produção, logística e vendas. Está ainda em ponderação mais desenvolvimentos nas plataformas de comércio eletrónico e vendas diretas ao consumidor.

A venda surge numa altura em que a empresa alemã afirma registar a melhor performance nos seus 250 anos de história.

«Na L Catterton e na Financière Agache encontramos não só acionistas, mas também parceiros para conseguirmos alcançar as nossas ambições globais de crescimento. Eles têm muito know-how e excelente acesso aos mercados internacionais», assevera Oliver Reichert, CEO do Birkenstock Group. «Ambos os futuros parceiros partilham a nossa estratégia de crescimento; para os produtos estarem representados em todos os mercados internacionais e em todos os canais, ao mesmo tempo que mantemos as nossas tradições e a oferta única de qualidade e sustentabilidade “made in Germany”», acrescenta. «Entramos nesta parceria com as nossas tradições enquanto negócio familiar e compromisso para com as nossas raízes e os nossos funcionários acima de tudo. Hoje damos um passo gigante no próximo capítulo da nossa história de sucesso», sublinha.

Michael Chu, co-CEO da L Catterton, revela que «estamos confiantes que as capacidades únicas da L Catterton e a nossa plataforma e rede mundial irão dar à Birkenstock não só novas oportunidades, mas os recursos para apoiar a continuação do crescimento na marca e no negócio».

Bernard Arnault, presidente do conselho de administração e CEO do conglomerado de luxo LVMH, por seu lado, elogiou o percurso da marca alemã. «A Birkenstock foi fundada há quase 250 anos e cresceu para se tornar uma das poucas marcas icónicas na indústria de calçado. Apreciamos verdadeiramente marcas com esta longa herança», sustenta em comunicado. «Juntos vamos dar apoio ao negócio para que possa concretizar completamente o seu significativo crescimento potencial», salienta.

Calçado casual em alta

Embora os termos do negócio não tenham sido desvendados, uma notícia do Financial Times aponta para que o negócio avalie a empresa em 4 mil milhões de euros.

[©Birkenstock]
Os irmãos Christian e Alex Birkenstock vão manter uma quota na empresa. «Para os próximos 250 anos precisamos de parceiros que partilhem a mesma visão estratégica e de longo prazo que a família Birkenstock», indicam em comunicado. «Estamos ansiosos por dar os próximos passos com os nossos parceiros e levar o negócio familiar para um futuro ainda mais brilhante», realçam.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, as vendas da Birkenstock aumentaram 11%, para 721,5 milhões de euros, em 2019, ano em que comercializou quase 24 milhões de pares das suas sandálias em todo o mundo. As vendas da marca terão aumentado novamente em 2020, com os modelos que comercializa a tornarem-se um sucesso durante o confinamento em muitos países, incluindo no Reino Unido.

Luca Solca, analista de bens de luxo na empresa de gestão de investimentos Bernstein, considera que o investimento na Birkenstock está em sintonia com a direção do mercado de calçado e moda. O negócio, aponta, é um seguimento lógico à entrada em Bolsa da Dr. Martens e da aquisição, por parte da empresa de private equity Permira, da marca italiana de sapatilhas Golden Goose, no valor de 1,3 mil milhões de euros.

«Anteriormente, o foco estava em calçado sofisticado como a Jimmy Choo, mas a pandemia acelerou a mudança estrutural que estava já a mover-se para o casual e o informal como sendo as opções preferidas para os consumidores. Isto não é apenas no calçado mas também noutras áreas», adianta Solca, citado pelo The Guardian.