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Primark continua a crescer

2018 deverá revelar-se como um ano maioritariamente positivo para a Primark. As vendas anuais da retalhista de fast fashion deverão aumentar 5,5% em relação ao ano passado, apesar da queda nas vendas comparáveis.

O desempenho da Primark permitiu à empresa-mãe, a Associated British Foods Plc (ABF), manter as suas previsões para o ano completo. A 10 de setembro, a ABF revelou que o aumento previsto de 5,5%, a taxas de câmbio constantes, nas vendas da multinacional irlandesa deverá ser impulsionado pela expansão da área de retalho, compensando o declínio de 2% nas vendas comparáveis. A taxas de câmbio atuais, as vendas deverão subir 6%.

A ABF prevê uma margem operacional anual de cerca de 11%, acima dos 10,4% do ano anterior. Quanto ao primeiro semestre, a margem operacional foi de 9,8%, em comparação com 10% no mesmo período do ano passado. O resultado deve-se ao efeito adverso da taxa de câmbio do dólar norte-americano nas aquisições. No segundo semestre, prevê-se que a margem operacional esteja acima dos primeiros seis meses do ano e também do ano passado.

Reino Unido: sucesso onde outros falham

A Primark apresentou «um bom desempenho» no Reino Unido, onde as vendas em 2018 deverão ficar 6% acima do ano passado, com a ABF a garantir que a sua percentagem no mercado do vestuário no país também aumentou «significativamente». O crescimento das vendas comparáveis no Reino Unido para 2018 deverá ser de 1,5%, impulsionado por um forte desempenho no primeiro semestre de 2018. Prevê-se que, no segundo semestre, os valores estejam em linha com o crescimento «excecionalmente forte» do segundo semestre do ano passado.

Kate Ormrod, diretora de análise de retalho na GlobalData, destaca que a Primark conseguiu, de facto, entrar no mercado de vestuário do Reino Unido, conquistando a maior quota de mercado nos últimos dez anos, superando a Arcadia e a Next e aproximando-se da atual líder, a M&S. «Esta atualização dos números mostra não apenas a resiliência da Primark, mas também o seu desempenho superior no mercado de vestuário do Reino Unido, triunfando onde outros continuam a falhar», explica ao just-style.com. «De facto, num ambiente económico incerto e com a fraca confiança do consumidor, a oferta da Primark continua a ser convincente, resultando no aumento de 1,5% das vendas do Reino Unido», acrescenta.

A analista refere que «embora existam oportunidades de expansão inquestionavelmente maiores fora do Reino Unido, observadas, por exemplo, no anúncio da entrada da Primark na Eslovénia em 2019, afinar a sua proposta continua a ser essencial para que possa desenvolver um desempenho positivo em casa. As melhorias feitas no ambiente de loja têm de ser lançadas em todo o país e embora a Primark tenha potencial para se tornar um concorrente mais forte no Reino Unido, precisa de uma oferta mais sofisticada para apelar a um público que vá além dos estudantes universitários e de quem está de passagem».

Europa do Norte menos positiva

Enquanto Espanha, Portugal e as quatro primeiras lojas em Itália apresentaram um crescimento de vendas muito forte, as vendas comparáveis da Primark tiveram um declínio no Norte da Europa. O clima fora de época durante três períodos este ano, trouxe dificuldades ao sector do retalho. Apesar disso, as vendas comparáveis ficaram à frente dos valores do ano passado, impulsionadas pelo aumento do espaço de vendas.

Mais vendas, mais espaço

A área de vendas aumentou em cerca de 83 mil metros desde o início do ano, com 15 novas lojas, o que se traduz num total de 360 lojas a vender em cerca de 1,37 milhões de metros quadrados em comparação com 1,26 milhões de metros quadrados há um ano. Foram criadas cinco novas lojas na Alemanha, quatro no Reino Unido, duas em França e uma em cada um dos seguintes países: Portugal, Bélgica, Espanha, Holanda e EUA. Uma pequena loja em Lisnagelvin, Londonderry, na Irlanda do Norte, foi fechada e o espaço nas lojas dos EUA, em Freehold e Danbury, foi reduzido.

No próximo ano fiscal, a ABF planeia acrescentar mais 92 mil metros quadrados à área de vendas, com mais de 46 mil a serem adicionados na primeira metade do ano. Alemanha, França, Espanha e Reino Unido serão os países com maior área adicionada e, no geral, o grupo abrirá 14 novas lojas. Prevê-se que o próximo ano conte, por isso, com um crescimento internacional “sustentado”, à semelhança de 2018.