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Primark em trajetória ascendente

No seu primeiro semestre, a retalhista de moda rápida deu continuidade à rota de crescimento dos lucros, apesar de um abrandamento nas vendas em detrimento dos contratempos climáticos.

Na última década, a Primark, detida pela empresa Associated British Foods, assumiu-se como uma das histórias de sucesso no retalho do Reino Unido. Com uma quota próxima dos 15% do mercado de vestuário britânico é a segunda maior retalhista, apenas atrás da Marks & Spencer.

No período de 24 semanas terminado a 3 de março, o lucro operacional da Primark alcançou os 341 milhões de libras (aproximadamente 395 milhões de euros) face aos 323 milhões registados no ano anterior, representando um crescimento de 4%.

A margem de lucro operacional ficou em linha com a do período homólogo do ano passado, em 9,8%, face aos 10% previstos pelos analistas. O stock teve um controlo apertado no período e as rebaixas de preço foram consistentes com as do primeiro semestre do ano passado.

No Reino Unido, as vendas comparáveis cresceram 3%, com alguma perda de tração devido ao tempo excecionalmente quente durante o mês de outubro.

A empresa-mãe da Primark reconheceu que a performance da retalhista no Reino Unido foi «notável», considerando todas as circunstâncias, esperando que o crescimento do lucro acelere no segundo semestre, impulsionado por melhores vendas e pela fraqueza do dólar americano.

As vendas totais ficaram 7% acima do ano passado em moedas constantes, impulsionadas pelo aumento do espaço de vendas no retalho. Na Europa continental, as vendas cresceram 6% em relação ao ano passado, impulsionadas pelo crescimento do espaço de vendas no retalho.

A empresa espera adicionar um total de 1,2 milhões de metros quadrados de espaço de vendas durante o ano fiscal, com um programa de retalho «forte» planeado para arrancar no segundo semestre.

Sofie Willmott, analista de retalho da GlobalData, observa que apesar do crescimento recente no retalho de vestuário e calçado ser em grande parte impulsionado pelo canal digital, a Primark demonstrou mais uma vez que não precisa de um portal de comércio eletrónico para prosperar no mercado britânico.

«Com os hábitos de compras dos consumidores em constante mudança online, as compras nas categorias de vestuário e calçado em lojas físicas deverão cair até 2022, com o crescimento residual esperado para o sector a ser gerado exclusivamente online», acrescenta Willmott. «Porém, a Primark continua a contrariar a tendência», ressalva.

O contributo dos EUA

As primeiras lojas da Primark em solo norte-americano têm tido resultados encorajadores, mas a Associated British Foods defende que precisa de conhecer melhor o mercado antes de considerar novas investidas.

A Primark abriu a primeira loja nos EUA, no centro de Boston, em 2015 e, atualmente, conta com oito lojas. Será aberta uma nona em Brooklyn este ano e uma décima no estado da Flórida, em 2019.

«Estamos otimistas com o que temos visto até agora», afirmou o presidente-executivo da Associated British Foods, George Weston, à Reuters. «Continuamos a aprender, mas ainda é muito cedo», sublinhou.

A empresa-mãe revelou que a loja da Primark na Flórida irá representar uma importante oportunidade para a retalhista, relativamente às lojas existentes, considerando o ambiente de retalho distinto, tanto no formato (um centro comercial que é considerado uma atração turística), como em localização.

A Primark, que gere uma rede de 352 lojas em 12 países, é responsável por cerca de metade das receitas e dos lucros da Associated British Foods.