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Primark entusiasma analistas

A proprietária da Primark, a Associated British Foods, deve registar um grande aumento no lucro anual, com os consumidores a aproveitarem as pechinchas na sua cadeia de moda discount e a ignorarem as distrações dos Jogos Olímpicos e do fraco crescimento económico na Europa Ocidental. O grupo de produtos alimentares e retalho indicou que antecipa que os lucros anuais fiquem «substancialmente» acima, com a fórmula de chique barato da Primark a desafiar o cinzentismo económico nos seus principais mercados da Grã-Bretanha, Irlanda e Espanha, ao mesmo tempo que beneficiou também de fortes vendas de açúcar. A empresa revelou ainda vendas particularmente fortes da Primark no Reino Unido neste verão, enquanto na Europa Ocidental flutuaram, com o negócio nas novas lojas, como a abertura em Berlim, a excederem as expetativas e com as vendas iniciais das gamas de outono e inverno a serem «encorajadoras». A sua flagship em Oxford Street, no centro de Londres, registou algum abrandamento nas duas semanas dos Jogos Olímpicos, mas outras lojas compensaram isso e a loja de Oxford Street recuperou rapidamente. «Junho, julho e agosto foram ótimos para a Primark no Reino Unido. O comércio recuperou e não há dúvidas que a Primark está a prosperar e a ganhar quota de mercado», indicou o diretor financeiro da AB Foods, John Bason. As 242 lojas da Primark, que vendem calças a 10 euros e t-shirts a 4 euros, deverão ver as suas vendas subir 15%, embora retirando as lojas abertas recentemente, as vendas comparáveis devam crescer 3% para o ano completo, um valor superior ao crescimento de 2% registado no primeiro semestre. Isto numa altura em que muitos retalhistas europeus, como a Marks & Spencer, estão a debater-se com dificuldades resultantes da pressão do aumento de preços, estagnação de salários e medidas de austeridade dos governos da Europa Ocidental sobre os rendimentos dos consumidores. As margens operacionais, por seu lado, deverão ficar próximas das registadas no ano passado, embora a retalhista tenha registado margens mais baixas no primeiro semestre, resultante da absorção do aumento do preço do algodão. Segundo a empresa, as margens melhoraram no segundo semestre, em linha com a descida dos preços do algodão. A ABF, que vende também açúcar Silver Spoon e chá Twinings, indicou que os lucros no seu negócio do açúcar serão «consideravelmente mais elevados» do que no ano passado graças ao aumento do volume de negócios na Europa e em África e apesar dos preços mais baixos na China, que irá levar a uma quebra nas vendas anuais chinesas. O analista Graham Jones da corretora Panmure Gordon, antecipa que os lucros para o ano completo até setembro de 2012 aumentem 15,6%, para 85,5 pences por ação e reviu em alta a previsão de lucro para a Primark após uma aceleração do crescimento. «A ABF irá ter um crescimento impressionante do lucro em 2012, impulsionado por um aumento significativo nos lucros do açúcar, mas é o potencial de crescimento a longo prazo da Primark na Europa Continental que mais nos entusiasma», acrescentou Jones. O grupo com sede em Londres atualizou as informações na reta final para o seu ano fiscal, abrangendo as 52 semanas até 15 de setembro. A empresa, que é 55% detida pelo diretor-executivo George Weston e pela sua família, deverá revelar os resultados finais a 6 de novembro.