Início Notícias Retalho

Primark imune à conjuntura

Embora o ambiente no retalho não seja o melhor, a cadeia de preços baixos continua a atrair os consumidores às suas lojas. Nas primeiras 40 semanas do seu ano fiscal, a Primark registou um crescimento das vendas de 6% e os planos para abrir mais pontos de venda mantêm-se em curso.

A Primark continua imune às contrariedades do retalho, mantendo-se na rota do crescimento sem qualquer desvio à expansão, que elevou o número de lojas para 358. Nas 40 semanas até 23 de junho, as vendas aumentaram 6% face ao mesmo período do ano anterior a câmbios constantes e 7% a taxas de câmbio atuais, impulsionado por um aumento da área de venda.

Em termos comparáveis, as vendas no trimestre melhoraram em comparação com o primeiro semestre, graças um melhor ambiente de retalho na Zona Euro. A margem operacional do primeiro trimestre foi de 9,8% em comparação com 10% no mesmo período do ano passado, «com melhores compras a praticamente compensar o efeito adverso do câmbio do dólar nas aquisições», indicou a Associated British Foods, que detém a Primark.

«Esperamos que a margem no segundo semestre fique bastante acima da do primeiro semestre e do resultado obtido no ano passado, com a vantagem de melhores compras e também com o efeito benéfico do enfraquecimento da taxa de câmbio do dólar nas compras», acrescentou.

Os resultados foram conseguidos também graças a uma «gestão rígida» do stock e as promoções, embora tenham aumentado face ao nível extremamente baixo do ano passado, «serão melhores do que o anteriormente previsto». Como tal, os lucros da Primark «serão agora superiores ao antecipado».

Em termos geográficos, as operações no Reino Unido «tiveram uma boa performance e cresceram em termos de vendas comparáveis» e na Zona Euro também registaram bons resultados.

A área de venda aumentou 74 mil metros quadrados desde o início do ano fiscal, com 358 lojas que ocupam, em conjunto, 1,37 milhões de metros quadrados, em comparação com 1,26 milhões de metros quadrados há um ano.

O terceiro trimestre foi um período ativo com a adição de 37 mil metros quadrados, a maior parte do qual no final desse período. Foram abertas sete novas lojas: Munique, na Alemanha; Metz, em França; Antuérpia, na Bélgica; Valência, em Espanha; Tilburg, na Holanda; Burnley, no Reino Unido; e no centro comercial Westfield London.

Em relação ao futuro, a Primark antecipa acrescentar mais cerca de 9.200 metros quadrados de área de venda até ao final do ano fiscal, com uma nova loja prevista para Brooklyn, naquela que será a sua nona loja nos EUA, e a deslocalização para uma loja maior em Islazul Madrid. A abertura de novas lojas em Toulouse, em França, e em Ingolstadt, na Alemanha, foi adiada e deverá ser concretizada apenas no início do próximo ano fiscal.

Kate Ormrod, analista na GlobalData, destaca que a Primark continua a perseguir a liderança do mercado de vestuário do Reino Unido. «A resiliência da Primark é impressionante, sobretudo tendo em conta as atuais condições de retalho, contudo a sua atratividade duradoura enfatiza a força da sua oferta, com o seu recente foco em gamas de licença como a Disney, Harry Potter e Love Island a saciar a procura dos consumidores por marcas», afirma, citada pelo just-style.com. «Embora a Primark esteja sob pressão dos pure players online, as performances mais fracas da H&M e da New Look deram à Primark algum espaço de manobra e deram a oportunidade para que aumente a lealdade dos consumidores. Embora continue a recusar vender através do canal online, a Primark aprendeu a explorar completamente as suas atividades nas redes sociais e a converter o tráfego online em clientes nas lojas», acrescenta.

Embora a retalhista tenha revisto os tamanhos em vestuário de senhora, lingerie e vestuário de noite para assegurar uma maior consistência nas gamas, assim como oferecer um fit mais confortável, Ormrod acredita que a Primark deve considerar alargar a oferta de tamanhos, mantendo a sua oferta a par com outros players como a Matalan e a Asos, e assegurando que capitaliza o crescente mercado de tamanhos grandes.