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Primark imune ao clima atípico

Foi mais um ano forte para a Primark. A retalhista de fast fashion registou o «crescimento mais significante nos últimos anos», com um aumento nas vendas e nas margens de lucro. No entanto, as vendas comparáveis diminuíram 2,1%, devido à «meteorologia atípica», especialmente na Europa.

Até ao dia 15 de setembro de 2018 e ao longo de 12 meses, a retalhista da Associated British Foods (ABF) registou um aumento de 15% no lucro operacional, para 843 milhões de libras (cerca de 965 milhões de euros). No mesmo sentido, a margem operacional de lucro subiu para 11,3%, em comparação com os 10,4% do ano anterior. Quanto às vendas, estas cresceram 6% (um aumento de 5,2% com as taxas de câmbio atuais) para 7,47 mil milhões de libras. Um valor maioritariamente impulsionado pelo aumento do espaço de venda. Pelo contrário, as vendas comparáveis diminuíram 2,1% devido à «meteorologia atípica», especialmente na Europa.

O crescimento foi impulsionado pelo aumento de espaços de venda e pelo enfraquecimento da taxa de câmbio do dólar americano. O diretor-executivo da empresa mãe, a Associated British Foods, George Weston, afirmou que a Primark «tem potencial para crescer em todos os mercados onde está presente». «A nossa variedade de produtos foi bem recebida durante todo o ano, o nosso volume de stock foi gerido de uma forma rígida e, com melhores taxas de câmbio, a margem de lucro aumentou», explicou Weston, citado pelo WGSN.

Expansão é a chave

A AFB abriu 15 novas lojas Primark durante o ano, o que representa um aumento no espaço de venda de 92 mil metros quadrados. Há planos, a médio prazo, para abrir mais lojas nos EUA e entrar em mercados na Europa Central e de Leste. O crescimento das lojas existentes foi forte no primeiro semestre e baixou ligeiramente no segundo semestre, «num mercado muito mais fraco, comparado com uma segunda metade de 2017 excecionalmente forte», revela a empresa.

As vendas nos meses de verão foram fortes e, como resultado, houve menos saldos do que o esperado. «A comercialização inicial da nossa nova gama outono-inverno foi encorajadora», refere.

A crescer nos EUA e no Reino Unido

A Primark garante que a performance foi «particularmente boa» no Reino Unido, onde as vendas aumentaram 5,3% em relação ao ano anterior, as vendas like-for-like cresceram 1,2%, e a sua participação no mercado do vestuário «aumentou significativamente», assegura a retalhista.

A ABF assegura ainda estar «muito satisfeita» com a performance da Primark na segunda metade do ano nos EUA. As vendas comparáveis aumentaram nesse mesmo período, incluindo lojas com espaço de venda reduzida, como em Freehold e Danbury. A nona loja Primark abriu em Brooklyn em julho e está assegurada a abertura de duas novas lojas em New Jersey e na Florida, em 2019 e 2020, respetivamente.

Já na Zona Euro, as vendas totais subiram 4,7% em relação ao ano passado, nas taxas de câmbio atuais, com «um especial crescimento» em França, Bélgica e Itália, mas com alguma fragilidade no mercado alemão. No entanto, na Zona Euro, as vendas comparáveis diminuíram 4,7%, «motivadas pela meteorologia atípica durante três períodos distintos deste ano, especialmente no Norte da Europa e por uma comercialização moderada num mercado germânico fragilizado».

Kate Ormrod, analista de retalho na Global Data, refere que «com as vendas no Reino Unido no ano fiscal 2017/2018 a subirem 5,3% e com um aumento de 1,2% nas vendas comparáveis, a quota de mercado da Primark poderá atingir os 6,8%, ultrapassando a Next por 0,1 pontos percentuais, mas ficando atrás da M&S». Apesar disso, a analista recorda que a vertente internacional é o «ponto fraco» do negócio da Primark. «Com uma meteorologia inconstante a ditar as decisões de compra dos consumidores, uma maior flexibilidade na sua cadeia de aprovisionamento irá ajudar a proteger as vendas», considera.

O que reserva o futuro?

De olhos postos no próximo ano, a ABF adianta que «os contratos cambiais a prazo foram assegurados em todas as mercadorias no primeiro semestre do próximo ano e, tendo em conta a taxa de câmbio mais fraca do dólar dos EUA, haverá uma margem de lucro maior no primeiro semestre de 2019, em relação ao primeiro semestre deste ano». Além disso, assumindo que as compras para a estação primavera-verão serão garantidas pelas taxas de câmbio atuais, a empresa espera uma margem de lucro menor no segundo semestre. «No próximo ano, prevê-se que a margem operacional esteja em linha com a deste ano. Contudo, as taxas de cambio aplicáveis a compras na segunda metade do ano serão sensíveis à volatilidade da libra, que provavelmente irá subir, tendo em conta o período de negociações intensas do Brexit».

Enquanto as vendas online da Primark não estão disponíveis, as redes sociais continuam a sustentar os seus «fiéis seguidores» que atingiram este ano cerca de 13 milhões, um aumento em relação aos 10 milhões do ano passado. Os canais das redes sociais «pretendem inspirar e permitir aos seguidores manterem-se atualizados acerca de novos produtos, criarem uma lista de favoritos, receberem dicas de estilo e fazerem o upload dos seus looks na plataforma Primania».