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Primark lucra com o Brexit

A retalhista de moda rápida Primark veio juntar-se a marcas de luxo como a Burberry para desfrutar de um incremento nas vendas a turistas, atraídos pela desvalorização da libra e, por consequência, pelas compras mais baratas.

As vendas nas duas lojas de Oxford Street, no centro de Londres, subiram 10% nos seis meses até 4 de março, uma vez que o retalho do Reino Unido beneficiou com um fluxo de visitantes, vindos principalmente da China, em busca de preços mais baixos.

John Bason, diretor financeiro da Associated British Foods, empresa-mãe da Primark, em declarações ao jornal The Guardian, explicou que o aumento das vendas nas lojas de Oxford Street foi parcialmente auxiliado por uma extensão de cerca de 40% da loja no extremo leste da rua, mas esta variável apenas foi introduzida nos últimos três meses.

«O aumento do tráfego com os turistas foi um importante catalisador em Oxford Street. Basta olhar para a rua para perceber isso», referiu, acrescentando que não houve um impacto notável sobre os gastos dos consumidores no Reino Unido desde o Brexit e que os aumentos de preços não vieram do vestuário.

Apesar da queda da libra face ao dólar, que é usado para comprar a maior parte do vestuário do Reino Unido a fornecedores do Extremo Oriente, ter sido grande, Bason acredita que a desvalorização tem sido compensada por eficiências na cadeia de aprovisionamento.

«Penso que os aumentos de preços chegarão mais tarde e serão menos significativos do que as pessoas pensam porque as empresas estão a esforçar-se muito por isso», explicou Bason. A Primark já prometeu, se necessário, reduzir os lucros para manter os preços baixos.

A Associated British Foods espera que as vendas da Primark ao longo do semestre superem em 11% as do ano passado, a taxas de câmbio constantes, impulsionadas pelo aumento do espaço de vendas no retalho. Com mais de metade da cadeia de lojas agora no exterior, a empresa antecipa que as vendas totais subam 21% – impulsionadas pela subida do euro e do dólar face à libra.

No primeiro semestre, a retalhista aumentou o seu espaço de vendas em 12% com a abertura de mais 16 lojas, espalhadas pelo Reino Unido, Espanha, Alemanha, França e Amsterdão. A Primark abriu também a sua sexta loja nos EUA, onde a retalhista afirmou que «o negócio continua a desenvolver-se».

Em declarações ao portal Just-style, Kate Ormrod, analista da GlobalData, acredita que a pressão das margens vai continuar a ser a estratégia da Primark ao longo do segundo semestre, particularmente devido ao seu compromisso em manter os preços até agosto.

Na verdade, a Primark revelou que o stock estava bem administrado e que as reduções estavam em linha com as do primeiro semestre do ano passado. Mas mantém a sua previsão de que a margem operacional no primeiro semestre deverá diminuir, refletindo a força do dólar sobre os custos do aprovisionamento.

«A margem de lucro operacional para o primeiro semestre e para o ano deverá cair. Ainda esperamos ver algum tipo de aumento de preços em produtos mais caros da Primark, com investimento em design e o ajustamento usados para justificar quaisquer aumentos, garantindo aos consumidores que ainda recebem valor em troca do dinheiro», indicou Ormrod. «Ser conhecida como líder de preço oferece uma proteção à Primark numa altura em que os rendimentos disponíveis estão a ser espremidos, no entanto, garantir que as gamas de produtos continuam na moda e relevantes será imperativo para que a Primark mantenha o seu apelo», acrescentou.