Início Notícias Vestuário

Primark marca pontos

Apesar de ter preparado os analistas para uma possível redução nas margens operacionais, a Primark registou um aumento das vendas totais no primeiro trimestre e mostra-se otimista em relação ao futuro, com a abertura de novas lojas a dever continuar a impulsionar o crescimento.

A câmbios constantes, as vendas totais subiram 11% nas 16 semanas até 7 de janeiro, em comparação com igual período do ano anterior, impulsionadas por uma expansão da rede de venda de 12%, revelou a Associated British Foods, que detém a Primark. Às taxas de câmbio atuais, as vendas cresceram 22%. Em termos comparáveis, contudo, as vendas permaneceram praticamente estagnadas. As vendas comparáveis foram afetadas por declínios na Alemanha e na Holanda, este último mercado particularmente atingido pelo rápido aumento na área de venda.

Para o diretor financeiro da Associated British Foods, John Bason, as mudanças sentidas nas vendas não são preocupantes. «As lojas atuais registaram uma redução da densidade de vendas, mas a partir de níveis muito elevados. É a normalização das densidades de vendas», explicou à Reuters.

A divisão do Reino Unido da Primark evidenciou uma boa performance, com as vendas comparáveis «boas» e a quota de mercado a aumentar graças à força da oferta, apesar da queda no tráfego sentida na high street devido ao comércio eletrónico. A Primark, embora seja ativa nas redes sociais, não tem planos para enveredar pelas vendas online, uma vez que a logística é dispendiosa.

John Bason revelou que as vendas de vestuário de senhora foram mais baixas, fazendo eco dos comentários do diretor-executivo da Next (ver Next antecipa um 2017 difícil), Simon Wolfson, que acredita que os britânicos estão a gastar menos em vestuário e a usar o rendimento disponível para gastar em férias, refeições em restaurantes e eventos. A Primark poderá compensar isto dando mais espaço ao vestuário de criança e de homem, assim como aos artigos para a casa, destacou o diretor financeiro da Associated British Foods.

As novas lojas abertas no período tiveram boas vendas e a Primark indicou que o negócio nos EUA continuou a desenvolver-se.

«Depois de um crescimento mais lento no Natal anterior, a Primark está de novo em alta, com as vendas a serem alimentadas pela expansão da rede; e mais satisfatório não há referência às temperaturas anormais para a época a afetar a sua performance», afirmou Kate Ormrod, analista sénior na Verdict Retail, citada pelo just-style.com. «Embora grande parte da high street no Reino Unido tenha estado ocupada a fazer descontos no quarto trimestre para atrair os consumidores, a força da oferta da Primark foi evidente», acrescentou.

No entanto, a Primark antecipa que as margens de lucro operacional caíam à medida que o ano avança, refletindo a valorização do dólar nos custos dos inputs. «Com a pressão inflacionária no horizonte, a Primark comprometeu-se a manter os preços até agosto e como resultado a margem operacional deverá descer. A dificuldade para a Primark é que a subida de preços não é tão facilmente disfarçada pelos retalhistas de preços baixos, por isso, se tem de passar os custos mais altos para os consumidores em algum ponto, terá de ser criativa. Contudo, qualquer investimento em qualidade, design e fit não será um desperdício», considera Ormrod.

Neste trimestre, a Primark abriu 15 novas lojas, em mercados como Reino Unido, Irlanda, Espanha, Alemanha, França e Itália. A retalhista abriu ainda a sua sexta loja nos EUA, em Burlington, no Massachusetts.

A Primark opera 328 lojas, equivalente a uma área de 1,22 milhões de metros quadrados. No atual ano fiscal, que decorre até setembro, a retalhista antecipa ainda a abertura de mais lojas, mantendo o objetivo de superar os 120 mil metros quadrados de área.