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Primark na senda da sustentabilidade

Uns jeans feitos completamente com algodão sustentável são a mais recente aposta da retalhista britânica para se envolver no movimento da moda ecológica. O lançamento, que se vem juntar à linha de pijamas, surge numa altura em que, apesar do aumento dos lucros, as vendas comparáveis têm baixado.

A nova linha de jeans foi produzida com algodão comprado diretamente aos agricultores que participam na Sustainable Cotton Programme, uma iniciativa da Primark, em parceria com especialistas agrícolas da CottonConnect e organizações não-governamentais locais, lançada em 2013 em Gujarat, na Índia, que ajuda os agricultores a cultivar algodão com métodos mais naturais, incluindo a minimização da utilização de pesticidas químicos e a redução do consumo de água, ao mesmo tempo que aumentam os seus rendimentos.

Após a expansão da iniciativa ao Paquistão no ano passado, a Primark afirma que mais de 28 mil agricultores nos dois países estão atualmente envolvidos no Sustainable Cotton Programme. A retalhista indica que os primeiros dados dos resultados do primeiro ano no Paquistão são promissores, com os lucros dos agricultores a aumentarem. Além disso, tem havido também uma redução média de mais de 20% na utilização de pesticidas químicos e fertilizantes e mais de 15% na utilização de água.

Dos pijamas aos jeans

O algodão produzido pelos agricultores já entrou nos pijamas, que foi a primeira linha de vestuário produzida a 100% com algodão sustentável, e a primeira capaz de rastrear o algodão ao longo da cadeia de aprovisionamento, da quinta até à loja.

Com mais de 11,2 milhões de pijamas vendidos desde o lançamento, a Primark avança agora com a primeira linha de jeans com 100% algodão sustentável, que se apresentam com três lavagens: indigo, preto e azul claro.

Katharine Stewart, diretora de sustentabilidade ambiental e comércio ético na Primark, considera que os novos jeans são um passo importante, à medida que a retalhista procura introduzir o algodão sustentável em toda a sua gama de produto.

«Para nós, os objetivos do programa têm três vertentes: ajudar a reduzir a produção de algodão no ambiente, equipar agricultores com os conhecimentos que eles precisam para melhorar a sua forma de vida e oferecer aos clientes produtos sustentáveis a um preço ótimo», acrescenta.

Os jeans – lançados sob a iniciativa Primark Cares – são os passos sustentáveis mais recentes da Primark após a sua recente colaboração à medida com a influencer das redes sociais Alice Liveing, que inclui um top e umas leggings fabricados com poliéster reciclado, assim como duas garrafas de água biodegradáveis.

A retalhista promete ainda introduzir mais algodão sustentável no próximo ano, incluindo artigos para a casa.

«Após a introdução bem sucedida de pijamas de algodão sustentável nas lojas, estamos orgulhosos de introduzir esta gama. Desde a colheita do algodão sustentável nos campos da Índia e do Paquistão até à utilização de papel reciclado nas etiquetas Primark Cares, a sustentabilidade tem estado no centro de cada fase de desenvolvimento e no design destes jeans», explica Paula Dumont Lopez, diretora comercial na Primark, que gere as compras, o merchandising e o design de vestuário de mulher da Primark. «O nosso Sustainable Cotton Programme não é apenas bom para o planeta, mas está também a mudar vidas na Índia e no Paquistão. Por isso sou tão fervorosa em relação a usar o algodão nos jeans, uma das nossas gamas mais populares», afirma.

Vendas fortes na Europa

A Primark está otimista para o primeiro semestre do ano fiscal, com um aumento de cerca de 28 mil metros quadrados em área de venda a dever impulsionar o volume de negócios.

Nas 24 semanas até 2 de março, as vendas deverão ficar 4% acima do ano passado, anunciou a Associated British Foods (ABF), proprietária da retalhista. A empresa acrescentou que 364 lojas Primark terão um aumento da área, mas sublinhou que o crescimento das receitas será parcialmente ofuscado por um declínio de 2% nas vendas comparáveis.

Entretanto, com uma margem muito maior, o lucro deverá ficar «bem acima» do obtido em igual período do ano passado, com os primeiros indicadores de vendas da gama primavera-verão a mostrarem-se «encorajadores».

A ABF adiantou que a cadeia de retalho manteve uma boa performance  no Reino Unido, aumentando significativamente a sua quota no mercado de vestuário, calçado e acessórios, com vendas 2% superiores ao ano passado. As vendas comparáveis acumuladas melhoraram desde a atualização dos números realizada em janeiro, enquanto o efeito do baixo tráfego em novembro foi compensado por bons resultados de vendas nos restantes meses. As vendas comparáveis deverão ficar ao nível do primeiro semestre do ano passado.

As vendas na Zona Euro, por seu lado, deverão ter aumentado 5% face ao ano passado, com um crescimento das vendas particularmente forte em Espanha, França, Itália e Bélgica. As vendas comparáveis na região, contudo, deverão registar um declínio de 3%.

A ABF referiu que reforçou a gestão na Alemanha e planeia fazer «um marketing focado» para responder ao comércio no país, que continua a ser difícil. Além disso, estão em curso preparações para reduzir a área de venda num grupo pequeno de lojas na Alemanha para otimizar os custos.

Fora da Europa, o negócio nos EUA continua a ter fortes performances, impulsionadas por «um excelente comércio» na recentemente inaugurada loja de Brooklyn, em combinação com o crescimento das vendas comparáveis. Isso, juntamente com o benefício de rentabilidade em loja resultante da redução da área de venda em Freehold e Danbury no ano passado, diminuiu o prejuízo operacional nos EUA.

Mais lojas em 2019

Em relação ao futuro, a ABF espera abrir mais de 83 mil metros quadrados em lojas novas este ano fiscal, com quase metade disso previsto para o próximo trimestre, com novas lojas em Hastings, Bluewater, Belfast e Milton Keynes, no Reino Unido, em Bordéus, em França, em Bruxelas, na Bélgica, em Wuppertal, na Alemanha, e em Utrecht, na Holanda. A sua loja mais pequena em Oviedo, Espanha, vai encerrar e o espaço de venda vai ser reduzido na loja no centro comercial King of Prussia, na Pensilvânia, nos EUA. Em abril, a loja de Birmingham irá ser transferida para uma nova localização que, com quase 15 mil metros quadrados, será a maior loja da Primark.

Nos planos consta ainda a abertura da primeira loja Primark na Eslovénia, em Liubliana, agendada para o verão, e, depois da assinatura para o arrendamento para a primeira loja na Polónia, a ABF assinou já o contrato de arrendamento para a estreia na República Checa, que será no centro da cidade de Praga.

Kate Ormrod, analista principal na GlobalData, sublinha, contudo, que o crescimento do volume de negócios em termos comparáveis continuou a ser um desafio para a Primark no primeiro semestre, com a expansão física a ser a única razão para a previsão de 4% de crescimento no período.

«Embora, numa nota positiva, o lucro no primeiro semestre deva ter ultrapassado o do ano anterior, por ter uma gestão rigorosa de stocks e ter comprado com um dólar numa taxa de câmbio inferior, o primeiro semestre mostrou ser complicado para a retalhista, muito devido ao comércio difícil em novembro. Com as primeiras respostas à gama de primavera-verão a serem boas, a Primark vai esperar acelerar o crescimento no segundo semestre», considera a analista.