Início Notícias Retalho

Primark prossegue com retoma animadora

Depois de destacar uma retoma «animadora» face ao bloqueio gerado pela pandemia e anunciar a abertura de novas lojas, a retalhista irlandesa já efetuou encomendas no valor de 1,1 mil milhões de euros para o próximo outono-inverno.

[©Sky News]

Até ao momento, a Primark já reabriu quase todas as 367 lojas que dispõe pelo mundo, à exceção de oito espaços físicos que permanecem fechados. Os bloqueios implementados pelas entidades competentes de cada país para evitar a disseminação do vírus fizeram com que a retalhista fechasse portas durante vários meses, o que, neste caso, é sinónimo de uma paragem total das vendas, tendo em conta que o website da empresa irlandesa não possui a componente de venda online.

Depois de dois terços dos lucros terem sido afetados pelo coronavírus, a Primark adota agora uma perspetiva «reconfortante e positiva» com a abertura das lojas, de acordo com a Associated British Foods (ABF), empresa detentora da retalhista, que destaca ainda que a procura por parte dos consumidores tem sido «forte», principalmente no vestuário para criança, artigos de lazer, roupa de noite e produtos para o verão. O vestuário formal masculino e os acessórios de viagem são as categorias com menor procura, mas que a empresa acredita que vão progredir com o regresso das pessoas ao quotidiano e a eventos sociais.

A maior parte das lojas regionais estão a ter um bom desempenho, principalmente nos chamados parques de retalho, enquanto os pontos de venda nas grandes cidades estão a sofrer com a falta de turismo e com as menores deslocações para o trabalho.

Vendas promissoras

Desde a reabertura das primeiras lojas, a 4 de maio, as vendas acumuladas no período de sete semanas até dia 20 de junho registaram um declínio de 12% relativamente ao ano anterior, com 322 milhões de libras esterlinas (aproximadamente 354,7 milhões de euros) em termos comparáveis. As vendas na última semana com fim a 20 de junho, já com mais de 90% dos pontos de venda abertos, foram de 133 milhões de libras esterlinas, com as transações em Inglaterra e na Irlanda superiores à mesma semana do ano passado.

[©Primark Inspiration]
«Ainda que a Primark tenha sofrido severamente desde o aparecimento da Covid-19, com o encerramento de lojas e a falta de um site transacional a forçar a interrupção das vendas durante quase três meses, as vendas desde a reabertura têm sido promissoras, com as receitas no Reino Unido e na Irlanda, relativamente à semana que terminou a 20 de junho, à frente da mesma semana do ano passado», afirma Pippa Stephens, analista de retalho da GlobalData.

Com as lojas de volta ao ativo, a retalhista irlandesa fez encomendas para o outono-inverno no valor de 800 milhões de libras que, futuramente, vão totalizar num valor de mil milhões de libras. A Primark salientou que a equipa de compras está constantemente em contacto direto com cada um dos fornecedores também em relação a «outras medidas de apoio», noticia o just-style.

Repensar a estratégia

No terceiro trimestre, referente ao período de 1 de março a 20 de junho, as vendas da retalhista baixaram 75%, para os 582 milhões de libras, e nas 40 semanas terminadas no final desse trimestre verificou-se uma queda de 27%, para 4,29 mil milhões de libras.

«Quase todas as lojas Primark estão de volta ao ativo e prevemos que, na ausência de um número significativos de encerramentos de outros espaços, o lucro operacional ajustado da Primark, excluindo encargos excecionais, estará na margem dos 300-350 milhões de libras no ano inteiro, comparativamente com o valor de 913 milhões de libras registado no último exercício financeiro», acrescenta a ABF.

«Sendo que o online para o vestuário e para o calçado vai continuar forte a longo prazo como resultado da pandemia, a Primark deve repensar a estratégia para o futuro de forma a mitigar o impacto das vendas reduzidas nas lojas e aproveitar a mudança dos gastos de consumo para o online», sustenta a analista de retalho da GlobalData.

Expansão cautelosa

Para resto do ano, está previsto que a retalhista abra novos espaços na Flórida e em New Jersey, ainda que as restrições devido ao vírus possam adiar as datas de abertura. A Primark tem também planos para aumentar o número de lojas com um novo espaço nos centros comerciais parisienses Belle Epine e Plaisir e ainda com uma primeira loja na Polónia. Para Lisboa e Málaga, os planos são de expansão para as lojas já existentes.

«Apesar da abertura das novas lojas ter sido adiada por causa do vírus, cinco novas localizações abriram durante o terceiro trimestre, com mais cinco planeadas até ao final do ano. No entanto, a Primark deve ser cautelosa em relação a isto, garantido que a procura do consumidor tenha recuperado o suficiente nessas áreas para que as aberturas sejam financeiramente viáveis», refere Pippa Stephens.

[©Jacob King/PA Wire]
Com toda a situação sem precedentes, as receitas da ABF neste trimestre caíram 39%, para 2,16 mil milhões de libras, e nas últimas 40 semanas para 10,25 mil milhões.

«Embora o sector do retalho e de vestuário seja o mais afetado, com uma previsão de queda do consumo no Reino Unido de 31,4% em 2020, a oferta de valor da Primark continua atrativa entre os consumidores, à medida que a taxa de desemprego e incerteza económica aumentam», conclui a analista, tendo em conta que o Reino Unido é o maior mercado da retalhista irlandesa.